<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949</id><updated>2012-02-25T02:53:41.308-08:00</updated><category term='BI'/><title type='text'>BlogBruna</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>117</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-7730818397042078594</id><published>2012-01-26T07:44:00.000-08:00</published><updated>2012-02-06T00:14:47.259-08:00</updated><title type='text'>O RETORNO</title><content type='html'>Ao entrar no saguão do aeroporto, um deslizar suave e a porta fecha-se às suas costas. Com ela, todas as outras.  Check-in rápido, sala de embarque superlotada. Nos janelões sobre um céu de chumbo, a chuva, vagarosa, continua caindo. Deve ser por isso que  anunciaram  o atraso de uma hora para o vôo. Lá dentro, o calor  obriga Silvia a despir  o casaco;  até  a curta suéter de algodão sobre a  camisa de seda é demais; anda em círculo pelas paredes, beirando as vitrines. Jornaleiro, bombonniére, boutiques, últimos redutos para compras e souvenires. Se pelo menos achasse uma poltrona livre para descarregar suas coisas. &lt;br /&gt; O pouco que tirou do  corpo  agora parece muito pesado para carregar. Como se, tudo de uma vez, lhe tivessem jogado em cima os lençóis esverdeados, a coberta de fustão,  os fios, o oxigênio; e a televisão lá no alto, em frente à cama. Tudo a apertar-lhe os braços, a lacerar-lhe a carne, e a alma. O zunido de aviões lá fora,  lhe traz de novo o barulho do rodar desconexo das macas, o assobio das chamadas, as luzinhas vermelhas a piscar. De novo a  escuridão  em que a mergulharam para  cancelar-lhe a dor. E o remorso. Naquele escuro vazio, sua boca urrava em silêncio, seu corpo não estava mais consigo, seus braços não alcançavam o sumiço daquele ser  que se ia. Havia acordado enquanto ainda corria atrás de suas entranhas que com uma mão   recolhia  e  com a outra recolocava no ventre rasgado,  agora vazio. Seu corpo todo voltou a doer. &lt;br /&gt; De novo fazia calor, muito calor. &lt;br /&gt;     Ouve chamar seu vôo e lá está Silvia, em direção à fila. Voltar para casa. A viagem havia sido uma boa solução. Marcos nunca saberia, mas estaria  à sua chegada com o sorriso e a segurança de sempre, com os mais ardorosos detalhes do projeto que, em breve,  os levaria a outro continente para a gravação de sua nova sinfonia no mais prestigioso selo do planeta.&lt;br /&gt; Na porta do embarque, a boneca no colo de uma menina ao seu lado, olha fixamente para Silvia. No rostinho de plástico, o sorriso é pintado como para não sair do lugar. Os olhos também: sem nuances de luz, fixos. Como aqueles da sua única boneca, quando ela  lhes havia fincado um lápis  para ver o que os fazia mexer, abrir e fechar.  Não devia tê-la abandonado entre os escombros da casa onde nunca mais voltaria a morar. Deveria tê-la resgatado, lá mesmo, depois do desmoronamento, semi-nua, quase morta com os braços esmagados debaixo das pedras ensanguentadas que escondiam outros corpos, pernas e rostos desconhecidos. &lt;br /&gt; Chovia naquele dia também: a mesma chuva branda, chuva de enterros.  Como os de hoje, na desolação de uma viagem, agora,  sem volta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-7730818397042078594?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/7730818397042078594/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=7730818397042078594' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/7730818397042078594'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/7730818397042078594'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2012/01/o-retorno.html' title='O RETORNO'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-7195869417136478952</id><published>2012-01-19T12:21:00.000-08:00</published><updated>2012-01-19T12:29:39.459-08:00</updated><title type='text'>UANÁ-   UM CURUMIM ENTRE MUITAS LENDAS</title><content type='html'>RESENHA DE LIVRO INFANTO-JUVENIL&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Autor:          Alexandra Pericão&lt;br /&gt;Ilustrações:    Claudia Cascarelli&lt;br /&gt;                Editora do Brasil 2011&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O encontro de personagens do folclore brasileiro - abrangendo o País inteiro de norte a sul – num livro dedicado à pré-adolescência, pode não ser uma grande novidade, mas nesse caso, o primeiro grande feito é que nossos mitos foram trazidos ao momento atual. Há até a utilização, num momento à procura alguém, em que a chamada é feita em ponto-com! E não são  só personagens de fábulas, mas eles conhecem e interagem com mitos de outros países,  mesmo de outros continentes, de outras culturas. Bem presente em “Uaná” - a figura principal da história -   o  atualíssimo Harry Potter  e suas aventuras, sem contar que até Pinocchio, (apesar de não mencionar-se seu nome) aparece espreitando nas entre-linhas.&lt;br /&gt; O livro transita entre a aventura e o ensinamento sem que esse último seja nem imposto nem impositivo, mas alcança os leitores jovens por uma dedução SEMPRE facilitada e nunca esplícita. Entram aí ensinamentos sobre o respeito à natureza, ao próximo, à amizade,  à benevolência, aos defeitos físicos, à transigência sem agressões. Há um momento delicadissimo em que reconhecem-se ensinamentos aceitos por casualidade, mas antes negligenciados por terem sido ministrados pelos pais. Há ensinamentos para a sobrevivência quando longe do próprio habitat; para a apreciação dos costumes e comportamentos de outras tribos; para a defesa dos próprios direitos e dos do  próximo .&lt;br /&gt; Tudo isso em páginas de beiras ornamentadas por suavíssimos desenhos quase tribais - um decorrente do outro, um transformando-se em novo, um simplificando-se e quase sumindo; páginas salpicadas de desenhos cujos traços e cores nos remetem aos traços e cores de um inteiro continente, onde  a reminiscência de culturas andinas funde-se com os hábitos que no fundo no fundo mal conhecemos a não ser por aquilo que nos foi transmitido verbalmente e tradicionalmente e que aceitamos desde sempre como verdadeiros em nosso imaginário.&lt;br /&gt; Um encarte  estimula o educador - ou um familiar - a fazer com que o jovem leitor, mediante respostas simples e alegres, se pronuncie sobre assuntos que são do seu dia-a-dia familiar, social e escolar. Inteligentemente elaboradas e acompanhadas de ilustrações simplificadas mas bem atrativas, as três páginas-tarefa, serão extremamente  elucidantes para acompanhar a evolução “literária” e “absortiva” do jovem leitor, visto que até curtas menções de  colonizações vizinhas enriquecem os momentos históricos do Pais.&lt;br /&gt; Edificante ainda a sugestão de uma eventual continuação do livro não somente pelo autor mas pela instigante idéia de que ela possa vir do próprio leitor.&lt;br /&gt; Eis aí uma Escritora profundamente  dedicada e uma Editora de grande visão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-7195869417136478952?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/7195869417136478952/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=7195869417136478952' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/7195869417136478952'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/7195869417136478952'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2012/01/uana-um-curumim-entre-muitas-lendas.html' title='UANÁ-   UM CURUMIM ENTRE MUITAS LENDAS'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-2418888546544703616</id><published>2012-01-12T06:24:00.000-08:00</published><updated>2012-01-12T07:14:35.310-08:00</updated><title type='text'>A GUERRA ESTÁ DECLARADA - Resenha</title><content type='html'>Título original: La Guerre Est Déclarée&lt;br /&gt;França 2011&lt;br /&gt;Diretor: Valérie Donzelli&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Um filme realista, minimalista, sincero.  E poético.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Surpreendente e, creio,  inédita sua façanha: a história real  é levada às telas pela diretora e pelo roteirista que a viveram juntos, e de que também interpretam  as personagens.&lt;br /&gt; Valérie Donzelli e Jérémie Elkaïm se depararam na vida real com uma guerra que, ao ser declarada, teve que ser ganha a cada instante, a cada dia, a cada noite, a cada semana, a cada mês, a cada ano.&lt;br /&gt; A metáfora do título é integrada ao diálogo num momento em que, por mais difícil que possa ter sido, foi repensada e enfrentada  por um caminho de  humor que, começando no amargo mais profundo, transforma-se em esperança e em quase serenidade.&lt;br /&gt; Pieguice: em nenhum momento. É o ritmo da filmagem que, eliminando a maior parte dos detalhes, leva à  ofegância do espectador que participa da ansiedade, da preocupação,  da esperança, sem jamais perder os momentos poéticos. É bem verdade que o fundo musical ajuda o público a preparar-se para uma abertura emocional que o distancia da tragédia e o eleva à admiração técnica que lhe é servida numa bandeja  de pura capacidade pictórica  simplificada.   &lt;br /&gt; Não vai diminuir o interesse do leitor saber desde já que trata-se de um casal destinado a acompanhar, lutar e desgastar-se  no combate contra uma gravíssima doença de seu filho. O importante é digerir sem lágrimas esse combate, intercalado de pequeníssimos toques, com uma indulgência super bem medida, em que a vida é vivida, deve ser vivida e deve continuar a ser vivida, pois é dessa obstinação que surge a força da sobrevivência.&lt;br /&gt; A simplicidade  com que os pais - a revelia dos médicos, e antes da cirurgia - levam o menino para ver o mar pela primeira vez, nos traz uma comunhão, melhor, uma cumplicidade quase infantil dos dois adultos. O mar invernal, revolto e batido contra as falésias  de Marselha enfatiza a ousadia, e é nela que se concentra a  determinação da fragilidade já descartada.&lt;br /&gt; Mais uma vez a imagem do mar volta na cena final do filme. Desde os primórdios do cinema realista francês, o mar tem sido usado como a imagem reveladora da libertação. Foi assim no “Os incompreendidos” de Trouffaut (não a toa ele iniciou-se ao lado de Rossellini e admirava Fellini que também usou o estratagema em seu “O Sheik branco”); foi assim no “O demônio das onze horas” de Goddard e, em clara   homenagem aos mestres anteriores, assim foi no “Abril despedaçado!” de Walter Salles, que coloca o rapaz perante uma bifurcação escolhendo o caminho do mar.&lt;br /&gt; Valérie Donzelli termina colocando  seus personagens numa praia agora mais tranquila apesar de ainda não  ensolarada:  o  armistício promissor numa guerra bem enfrentada, onde o título desse filme imperdível reaparece na sua última imagem sem ser pronunciado e justifica plenamente sua escolha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-2418888546544703616?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/2418888546544703616/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=2418888546544703616' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/2418888546544703616'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/2418888546544703616'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2012/01/guerra-esta-declarada-resenha.html' title='A GUERRA ESTÁ DECLARADA - Resenha'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-7520056745225822948</id><published>2011-11-09T00:41:00.000-08:00</published><updated>2011-11-09T00:46:11.242-08:00</updated><title type='text'>A HOMENAGEM DE UMA NADADORA</title><content type='html'>Em Maio desse ano publiquei um texto "NADAR" escrito por Fabienne Guttin. Hoje a mesma publicou em    &lt;br /&gt;                 http://www.abmn.org.br/mural.php   &lt;br /&gt;uma homenagem à propria mãe, falecida há poucos dias, dedicando-lhe o campionato de que estará participando.&lt;br /&gt;Sei que quem apreciou o primeiro texto se comoverá ao abrir o novo.&lt;br /&gt;Fabienne é uma mulher muito especial, assim como era sua mãe, minha irmã.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-7520056745225822948?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/7520056745225822948/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=7520056745225822948' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/7520056745225822948'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/7520056745225822948'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2011/11/homenagem-de-uma-nadadora.html' title='A HOMENAGEM DE UMA NADADORA'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-3823623856504754791</id><published>2011-10-30T10:22:00.000-07:00</published><updated>2011-10-30T10:51:12.633-07:00</updated><title type='text'>CONSIDERAÇÕES SOBRE O  "SÃO JERÓNIMO", DO ANTONELLO DA MESSINA</title><content type='html'>O que mais chama atenção na pintura "São Jerônimo" (circa 1475) de Antonello da Messina (1430-1479), é o equilibrio do fundo da tela: sua perspectiva e profundidade tem os dois lados, direito e esquerdo,  com peso e volumes visuais perfeitamente distribuídos. Embora isso fosse uma das características da pintura da época, o requinte das arcadas em linhas oblíquas aumentou a área de pintura do tema propriamente dito, levando o observador a caminhar desde a área interior para uma vasta paisagem além dos vitrais. &lt;br /&gt;Se é verdade que o mesmo equilibrio foi respeitado por seu contemporâneo Leonardo da Vinci (1452-1519) no retrato de Monnalisa, este criou uma paisagem de montanhas e colinas que obedecem, sim, as regras pictóricas mas não desviam o interesse do observador.&lt;br /&gt;Antonello da Messina, na tela que estamos analisando, antes mesmo de homenagear o Santo, deu uma demonstração de conhecimento arquitetônico. Pareceu-me evidente que houve um Mecenas que encomendou a pintura em louvor do estudioso Jerónimo, e que o pintor aproveitou-se dela para esbanjar técnica!&lt;br /&gt;Lá o Jerónimo escritor, tradutor e estudioso de idiomas arcáicos, estava cumprindo sua tarefa para a divulgação da sabedoria entre religiosos e dignatários. &lt;br /&gt;Eu, que deixei há poucos anos de escrever aquilo que me era exigido nas minhas inúmeras atividades profissionais, virei-me para dentro e agora só escrevo o que me dá na telha, para relembrar  as sensações que vivi, os testemunos que presenciei e, às vezes, os devaneios que minha vida ainda irradia.&lt;br /&gt;Disso tudo surgem os contos sobre personagens que não conheci mas que nascem e vem ao meu encontro, assim, só por que me habitam, gostam de minha companhia e eu gosto da deles.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-3823623856504754791?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/3823623856504754791/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=3823623856504754791' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/3823623856504754791'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/3823623856504754791'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2011/10/consideracoes-sobre-o-sao-jeronimo-do.html' title='CONSIDERAÇÕES SOBRE O  &quot;SÃO JERÓNIMO&quot;, DO ANTONELLO DA MESSINA'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-5533432027279417998</id><published>2011-09-23T08:12:00.000-07:00</published><updated>2011-10-30T09:59:46.989-07:00</updated><title type='text'>NOSSAS CONQUISTAS   -   Crônica</title><content type='html'>Vivemos em mundos sem fronteiras, ricos, ampliados, e até virtuais. Já estamos providos de vídeos, teclados, fios auriculares, apetrechos que nos acompanham sempre, em casa, no trabalho, nas ruas, em restaurantes; somos afinal esplendidamente modernos, civilizados,  equipados, democráticos, conectados. Usamos palavras tão grandes quanto o universo:globalização, integração, cooperação,  meio-ambiente,  igualdade, multimídia. &lt;br /&gt; Aprendemos a arte de entender, analisar, explicar, defender,  justificar. Sentimo-nos  todos bonitos, lavados, passados, etiquetados na última moda,  publicidade ambulante que somos das grifes – mesmo as falsificadas. Somos bons, generosos, gentis, compreensivos, abertos,  muito adiantados, alcançamos o máximo da civilidade. Hiper-civilizados, tranquilamente acomodados em nossos confortos recém-adquiridos, somos a sociedade do bem-estar, vivemos num enorme, multiforme centro, um verdadeiro spa colossal e global. &lt;br /&gt; Aceitamos todas as verdades mesmo percebendo que elas necessariamente escondem alguma pequena inverdade  como se alguma mentirinha fosse um empurrãozinho para melhorar a qualidade das verdades.&lt;br /&gt; De tão atualizados, educados, “chegados”, não percebemos que estamos cada vez mais sozinhos, mais isolados. Andamos pelas ruas sem olhar nada ao nosso redor, falando sozinhos entre mil fios pendurados no pescoço, ouvindo musica, e-mails, recebendo e transmitindo mensagens, falando com os outros sem vê-los, ampliando cada dia mais esse silêncio humano  que está começando a engolir-nos.&lt;br /&gt; Enquanto nos convencemos que  todas essas facilidades,  nos abriram  à  visibilidade individual, não realizamos que  estamos – talvez - caminhando para uma cegueira coletiva. Ainda reconhecemos nosso vizinho? Olhamos as coisas que passam pelas janelas dos ônibus que nos transportam, mas não vemos o que são: enquanto nossos olhos vem as ruas, as casas, os prédios, as árvores -  que supomos seja tudo   o mesmo de ontem, de meses atrás, do ano anterior – nossos ouvidos são abastecido de informações transitórias, canais pré-escolhidos que nos atiçam a ouvir e raramente a aprender. &lt;br /&gt; Será por isso que parece termos desaprendido a capacidade de ensinar? Ou é por isso que acabamos achando que educar nossos filhos seja uma atitude antiquada, visto que eles, de tacada e desde muito pequenos, aprendem tudo sentados à frente de um vídeo? E o que se aprende à frente de um vídeo é realmente tudo?&lt;br /&gt; Tantas coisas, tantas analises, tantas considerações surpreendentes. Fica uma pergunta que precisamos nos colocar, e com urgência:  qual o caminho trilhado por nossas crianças. Qual, especialmente o dos nossos adolescentes? Esquecemos que ser adolescente significa estar por vadear entre a perda do mundo infantil e a descoberta da própria identidade.&lt;br /&gt; Absorvidos e estasiados, mas também distraídos por tantas facilidades, apetrechos e quincalharias, saberemos ver – e reconhecer - o pedido de socorro da nossa juventude?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-5533432027279417998?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/5533432027279417998/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=5533432027279417998' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/5533432027279417998'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/5533432027279417998'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2011/09/nossas-conquistas-cronica.html' title='NOSSAS CONQUISTAS   -   Crônica'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-3303673979361476682</id><published>2011-09-13T09:10:00.000-07:00</published><updated>2011-09-19T12:24:35.440-07:00</updated><title type='text'>MEDIANERAS -    UM FILME UNIVERSAL!</title><content type='html'>Produção:      Argentina/Espanha/Alemanha 2011&lt;br /&gt;Direção:       Gustavo Taretto&lt;br /&gt;Cast:          Pilar Lopes de Ayala, Javier Drolas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem voyeurismo: a forma mais poética, terna, plástica e pictórica de invadir a solidão humana.&lt;br /&gt;Qualquer elogio será depreciação, lugar comum.&lt;br /&gt;Impossível não ficar "speechless".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-3303673979361476682?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/3303673979361476682/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=3303673979361476682' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/3303673979361476682'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/3303673979361476682'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2011/09/medianeras-o-filme.html' title='MEDIANERAS -    UM FILME UNIVERSAL!'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-1205282358709842599</id><published>2011-09-08T11:16:00.000-07:00</published><updated>2011-09-10T14:21:01.860-07:00</updated><title type='text'>UM SONHO DE AMOR   -   RESENHA</title><content type='html'>Título Original:   Io sono l'amore &lt;br /&gt;Produção: Itália 2009&lt;br /&gt;Direção: Luca Guadagnino&lt;br /&gt;Cast: Tilda Swinton, Flavio Parenti, Edoardo Gabriellini&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Há tempos não se via tanta suntuosidade. Se esse filme fosse uma mulher, o termo apropriado, e insubstituível, seria “allure” que não tem a ver nem com classe, nem com elegância, e muito menos com sensualidade, apesar de ostentar também todos esses adjetivos. “Allure” tem a ver com “porte”, com “presença física”, com “comportamento”, com “tempo e maneira de caminhar”. Longe do luxo dos filmes históricos, onde a pesquisa do mobiliário e vestuário está mais do que documentada, o diretor Guadagnino fez uma devassa nos hábitos, na altivez e no isolamento social dos magnatas não só Italianos mas Europeus, mesmo que todos já à beira da globalização. Trouxe a tona a tacanharia encrustada nas tradições do “nome”, tacanharia não como apego ao dinheiro mas como  limitação, reserva  de espírito.&lt;br /&gt; Talvez tenha sido  esse o conceito do título original do filme “Io sono l'amore” , “Eu sou o amor”. Num contexto em que no amor, antes  regulamentado  numa organização sólida de tradições já aceitas e digeridas, uma mulher da-se o luxo da transgressão. O interessante é que o inicio dessa debandada surge – sutilmente, quase aromaticamente – de lembranças de sabores de que essa mulher abdicou a cerca de trinta anos, adotando outro paladar. Parece um filme de gastronomia? Não, não é, mas ela é presente desde o inicio, no preparo esmerado, cuidadoso, impecável de um jantar  em honra do patriarca da família. É naquela sequencia que começam a transpirar, como já a crítica especializada reconheceu, os ares inconfundíveis de um Luchino Visconti: os panoramas silenciosos, os longos momentos de câmara estática, os detalhes primorosos dos interiores, o requinte das pessoas que parecem flutuar na tela.&lt;br /&gt; Entretanto Guadagnino ampliou sua fonte Viscontiana para detalhes quase imperceptíveis que sua câmara parece roubar, por frações de segundos, até dos olhos do espectador: num instante   fugaz  ela sobrevoa a vastidão do saguão da mansão e enquadra,  do alto, a figura da protagonista reduzindo-lhe o tamanho. É aí a apresentação do espírito dessa mulher: altiva e já confortável no ambiente que domina, é porém  cerceada em seus vôos na direção de muitos lugares, de poucas recordações. Lembranças e saudades  quase esquecidas. Em outro momento, e numa paisagem bucólica, a câmara clica  o tropeçar de uma abelha numa giesta, o  que obriga a mulher a desviar o rosto. &lt;br /&gt; Aliás o contraste entre a sisudez de Milão e as floradas de San Remo, parece desvelar o roteiro romântico dessa mulher que saiu do cinza da Rússia para as cores da Itália, descobrindo-as somente quando tropeça no amor. Ela, a mulher,  se transforma no Amor. E ele, o amor, semeado durante pequenas experimentações culinária na mansão da família, explode na natureza  acolhedora, de relva limpa, das colinas mediterrâneas. De relva limpa: não há vestígio de sujidade no Amor.&lt;br /&gt; Frequentemente é a movimentação -  ou a inércia -  dos personagens que conta as últimas evoluções do drama. Há detalhes que são reveladores por um único gesto: quando o jovem amante começa a livrar o corpo da mulher de suas vestimentas e de suas jóias, ele está despindo-lhe a identidade, em contraponto à ação do marido que em noites de festa, a veste das jóias de família. &lt;br /&gt; Houve sim,  pequenos detalhes desnecessários: a imagem  que a mulher visualiza  da filha  beijando a amiga, quando por fotos (não mostradas) e pelo tom do diálogo mesmo que não esplícito, o lesbianismo da moça já estava definido. Entretanto, a declaração da mulher ao marido, articulada nas claras palavras : “Eu amo Antônio”, foi necessária para a redefinição de sua identidade. A reação do marido em despi-la  do próprio casaco é também, mais uma vez,  o despimento definitivo de uma  identidade já rejeitada.&lt;br /&gt; Certamente um filme de autor. Uma gama de atores de primeira linha  e uma atriz impecavelmente segura, fizeram o resto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-1205282358709842599?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/1205282358709842599/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=1205282358709842599' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/1205282358709842599'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/1205282358709842599'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2011/09/um-sonho-de-amor-resenha.html' title='UM SONHO DE AMOR   -   RESENHA'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-1194009589987320584</id><published>2011-09-07T09:32:00.000-07:00</published><updated>2011-09-07T09:57:43.022-07:00</updated><title type='text'>UM CONTO CHINÊS -   Resenha</title><content type='html'>Título Original:  Un Cuento Chino&lt;br /&gt;Produção:         Argentina/Espanha 2011&lt;br /&gt;Direção:          Sebastián Borensztein&lt;br /&gt;Cast:             Ricardo Darín, Ignacio Huang, Muriel Santana&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cinema argentino ataca outra vez, ganhando, de forma merecida, impositiva e definitiva, seu lugar na história do cinema. Numa demonstração de maturidade que vem conquistando há mais de duas décadas, aparece mais uma vez em uma pequena grande obra de arte: pequena pela modéstia de sua produção, grande pelo resultado.&lt;br /&gt;O Diretor Borensztein, com a meticulosidade de um artesão-entalhador do século dezesseis, colocou em cena a loja, a casa, as manias, o isolamento, as rabugices de um hómem solitário. Com a mesma meticulosidade, este ator fenomenal que é Ricardo Darín, construiu um personagem que consegue convencer - e convencer-se - de suas manias, seu isolamento, suas rabugices, escondendo até para si mesmo, uma delicadíssima alma de samaritano. Borensztein orquestrou de tal maneira o cenário e seus componentes corriqueiros, que qualquer cliente que entrasse naquela loja, ou penetrasse naquela casa, acharia tudo coerente, natural, intrínseco ao personagem. &lt;br /&gt;E que personagem! Vive cultuando e colecionando lembranças que não são dele, desde os bibelôs para a mãe que não chegou a conhecer, às notícias inusitadas que recorta compondo um acervo cuidadosamente encadernado. É naquelas notícias que viaja, imaginando locais, panoramas, acontecimentos. O inusitado do mundo que um dia entrará pela sua porta.&lt;br /&gt;Ricardo Darín não interpreta: idealiza, cria e acredita em suas falas, como se o filme não tivesse script nenhum, pois suas palavras saem "impromptu" da personagem que ele acabou "sendo". Os DeNiros e os Depardieus da vida tem agora um rival à altura, dificilmente igualável.&lt;br /&gt;No Conto Chinês tudo tem o ar de que as coisas estejam acontecendo quando as vemos naquela tela. A naturalidade das poucas personagens, tão importantes quanto cada peça de móveis da casa do protagonista, quanto cada caixa de pregos de sua loja. Um jovem chinês de olhares, de tremores, de quase infantilidade. Uma mulher apaixonada que nem se sonha em produzir-se para visitar o homem que ama.&lt;br /&gt;O cinema argentino está exportando sabedoria para os cineastas já universalmente conhecidos, admirados e premiados. A história que inspirou o filme, tão incrível quanto inusitada, foi divulgada por um noticiário da Televisão Russa e quem tem o hábito de permanecer na sala após o final do filme e durante a lista dos créditos, terá na tela a reprodução do seu original no idioma. Mais uma vez Borensztein fez um trabalho de formiguinha, conseguiu o tape e o usou com o cuidado com que se tratam as peças de arte. E acabou criando mais uma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-1194009589987320584?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/1194009589987320584/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=1194009589987320584' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/1194009589987320584'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/1194009589987320584'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2011/09/um-conto-chines-resenha.html' title='UM CONTO CHINÊS -   Resenha'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-5504547447209823504</id><published>2011-08-26T07:23:00.000-07:00</published><updated>2011-08-26T07:30:28.533-07:00</updated><title type='text'>O ROTEIRO SENTIMENTAL QUE VIROU CRÔNICA, OU : A TRANSGRESSÃO ANUNCIADA</title><content type='html'>	Vinda da luminosidade  do Rio de Janeiro, hoje vivo em São Paulo, essa cidade-luz que não é Paris mas que me fez sentir, desde minha chegada, como se estivesse chegando de férias, pronta para conquistar o mundo. Essa é a cidade onde já vivi a feérica  Rua Augusta e a classudíssima “Higienópolis”. De lá, há quase quinze anos, fiz minha entrada nos Jardins, provavelmente meu último reduto paulista.&lt;br /&gt;	Meu roteiro sentimental? Para criá-lo deve haver uma maneira melhor do que virar esquinas, descrevendo caminhos e Marcos, históricos ou sentimentais, feito guia turístico. Tarefa desoladora especialmente para quem, como eu, não tem cultura histórica para fazê-lo. E arriscaria de soar árido.&lt;br /&gt;	Desde que não tenho mais carro, caminho muito: aproveito minhas pernas, ainda obedientes, para ziguezaguear pelas ruas e por essas maravilhosas alamedas que descem saltitante da Paulista, e que eu escalo – o termo realmente é escalar – quando vou à Casa das Rosas, aos Cinemas, aos Shoppings.&lt;br /&gt;	Marcos? Estou num continente onde Marcos são, em sua maioria, descartáveis apesar dos esforços individuais para perpetuá-los. O que é um Marco? Um Masp decadente onde não há indicação visível do ano em que foi construído aquele vão livre surpreendente? Ou o Masp de vidraças ainda mais opacas desde que lhes tiraram o azul e as nuvens de uma artista já esquecida? Ou um palacete dinamitado em surdina para evitar sua desapropriação? Um parque com esquilos escondidos entre árvores centenárias que só é seguro com policiamento ostensivo? A Casa das Rosas  só permanece Marco pela galhardia de um grupo de intelectuais, ainda assim cerceados pelas limitações de um Condephaat ineficiente.&lt;br /&gt;	Outro dia reparei, numa das alameda,  o letreiro de uma antiga casa, sólida e azul, que hoje abriga um instituto de beleza: orgulhosamente ostenta os dizeres “DESDE 1975” , pouco mais de trinta anos de tradição, um Marco  para garantir categoria e credibilidade. Ao seguir minha escalada,   me descobri  rindo de verdade:  eu também ostento minhas credenciais,  DESDE 1934. Sem letreiro...&lt;br /&gt;	Minhas caminhadas me levam  à observação mais cuidadosa das coisas. Os edifícios de arquitetura arrojada  esbanjam espaços internos e jardins bem projetados. Foi numa dessas subida que verifiquei com quanto zelo a nossa prefeitura  obedece os cânones do civismo urbano: o rebaixamento das calçadas em  toda esquina, que pode até parecer uma  sarcástica afronta ao bom senso dos cadeirantes.  &lt;br /&gt;	Mas tudo é muito bem cuidado, varrido, saneado. Por ser chamado Jardins, o bairro poderia ter canteiros: teve,  uns anos atrás, quando da revitalização da Nove de Julho,  o que me rendeu também  “A flor” o miniconto em homenagem aos agapantos brancos e azuis de reminiscências infantis. Eles não existem mais,  freneticamente pisoteados, junto com grama e arbustos pelos apressadíssimos transeuntes. Essa  Avenida merece uma segunda mão de maquiagem,  se possível, com manutenção.&lt;br /&gt;	Com tanto caminhar descobri que  Marco hoje, para mim, é o que meu instinto registra  como inusitado.  Hoje tenho meu próprio GPS emocional que não preciso acionar, pois é ele que me conduz espontaneamente a admirar, acompanhar e reconhecer os Marcos para mim mais importantes. E seus novos vizinhos. Estou falando de árvores. &lt;br /&gt;	Duas mudas de Choupos  foram plantadas no fim do ano passado na calçada em frente a um prédio novo, na Alameda. Lorena. Árvores raras, praticamente  desconhecidas: seus ramos crescem  desde a raiz, paralelos ao tronco, suas folhas  quase redondas, claras e macias: apesar do seu aspecto  final  lembrar o desenho de um cipreste, seu volume é leve, quase transparente. Uma delas  já está alta o suficiente para roçar nos mil fios das mil tensões que correm entre os postes. Mereceriam uma placa:  Populus Alba, DESDE 2010!	&lt;br /&gt;	Dois Pinheiros na Paulista, um a poucos passos da Casa das Rosas, outro numa esquina perto da Campinas. E a Nespereira –  frutífera apesar de  abastardada -  ao lado do Instituto Pasteur. Há coisa mais inusitada do que uma Mangueira no meio da  Avenida Nove de Julho,  tão  generosa que, no verão, passo debaixo dela com cuidado... Os Ipês amarelos e rosa das transversais; alguns Plátanos com seus ouriços  mas sem as castanhas; um Jambo-cereja a uma quadra de minha casa,  tão modesto que só o descobri depois de  anos de vizinhança.  David que o diga, não é amigo?&lt;br /&gt;	 Uma Amoreira   alimenta  ninhadas de sabiás-laranjeira no jardim do meu prédio. A poucos passos dela,  uma Jabuticabeira parece eternamente carregada de frutos: os pássaros sabem sugá-los deixando o invólucro  intacto! Há uma Tangerineira  a caminho da feira onde compro meus “Tomates Sentados* que entrelaçou-se a uma árvore corriqueira, dessas comuns de calçada, mas  que dá frutos cuidadosamente recolhidos pelos porteiros do prédio em frente. E há  Carambolas, com  sua folhagem intensa, que  roçam  vidraças, não  é Sandra?&lt;br /&gt;	Talvez  tudo isso não seja Marco para quem cresceu ao redor dele, sempre fez parte de suas vidas e não  notam mais! Mas tenho uma descoberta mais recente, que meu GPS  emocional registrou  aos gritos, pois faz parte de uma paisagem que  me é saudosamente familiar e, por isso mesmo,  agora e aqui,  inusitada. &lt;br /&gt;	Desviando-me do  caminho numa corriqueira ida a banco,  deparei-me com ela. Numa alameda tropical,  uma intrusa. Desconhecida. Reconhecida. Lá estava ela, majestosa apesar de  sua pequenez, mas rígia, com seus curtos troncos retorcidos, seus galhos franzinos, sua folhas miúdas, cinzentas, pontudas. &lt;br /&gt;Majestosa. Imponente. &lt;br /&gt;E enternecedora. &lt;br /&gt;	Uma Oliveira.  &lt;br /&gt;	&lt;br /&gt;	&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-5504547447209823504?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/5504547447209823504/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=5504547447209823504' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/5504547447209823504'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/5504547447209823504'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2011/08/o-roteiro-sentimental-que-virou-cronica.html' title='O ROTEIRO SENTIMENTAL QUE VIROU CRÔNICA, OU : A TRANSGRESSÃO ANUNCIADA'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-8111370974737660723</id><published>2011-08-23T13:29:00.000-07:00</published><updated>2011-09-10T15:41:58.874-07:00</updated><title type='text'>A ÁRVORE DA VIDA   -- Resenha</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Filme: USA 2011&lt;br /&gt;Título original: The tree of life&lt;br /&gt;Direção: Terrence Malick&lt;br /&gt;Cast: B.Pitt, H.McCracken, Jessica Chastain, Sean Penn&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;	Um “must”. Tão bom assim? Não: rebuscado, pedante, pretensioso. &lt;br /&gt;        Mas lindo. &lt;br /&gt;	Tivesse ficado no retrato da uma família americana na tranquilidade de Waco,- cidadezinha texana pacata e silenciosa como as margens serenas do  rio Brazos quase na Louisiana, - teria sido mais um filme imperdível de Terrence Malik. Imperdível pelo retrato cuidadoso e profundo de todas as personagens, tudo visto pelos olhos – e alma – do narrador, o mais velho dos três filhos do casal. &lt;br /&gt;	Ex oficial da marinha, e agora engenheiro de uma  fábrica interiorana,  o pai  começa exteriorizando um amor quase visceral pelos filhos bebês, evoluindo  aos poucos para uma  irremovível atitude autoritária que cerceia a evolução deles  tanto na infância como na adolescência. Um Brad Pitt, tenso, contraído; transforma-se  em homem sisudo e até feio, mandíbulas  retesadas e salientes, olhos baixos, quase  perdidos. Sua aridez convincente  enquadra a infelicidade de quem sabe  estar caminhando para o abismo da inutilidade profissional,o que eventualmente  o levará  a sentir-se   diminuído perante os filhos. E não adianta esbanjar familiaridade  e amor  pela música de que ele pretende ter sido afastado pela guerra; música cujo amor  tenta inocular ao filho como servindo-se de um pacto de paz que não soube criar como pai, entre  ordens inapeláveis e  abraços tão veementes que parecem pedidos de perdão. &lt;br /&gt;	Mas Terrence Malik não ficou no retrato de família, quis aventurar-se na difícil tarefa de dar forma, movimento e som à criação do mundo; e dar  paz, silêncios e serena felicidade ao epílogo. E extrapolou: na primeira, longa, volumosa e barulhenta demais, - apesar de imagens primorosas e da bem selecionada trilha sonora - pôs a dura prova a paciência do espectador. Na  segunda, longa, lenta, estática demais, recorreu às personagens, depois da vida, procurando-se em desérticos canyons e, depois,reencontrando-se,reconhecendo-se  e abraçando-se felizes no lugar comum de paisagens calvas e brancas como nuvens. Na criação do mundo, poderia ter-se limitado à demonstração pictórica (maravilhosa na intenção inicial) de mucosas e membranas surgidas na fecundação, gestação e nascimento, como exaltação do  eterno propósito no inicio daquela família. No fim, a solidão do filho adulto, no rosto de um soberbo Sean Penn teria sido mais impactante: a herança árida da transgressão paterna. Mas afinal, qual a razão nesse filme de introduzir criação do mundo e epilogo de vida?&lt;br /&gt;	Todavia o diretor soube servir-se de uma gama de atores cujas interpretações  resultaram firmes, bem construídas, definitivas. Brad Pitt: aí está um ator que, de menino bonito aos poucos veio amadurecendo para personagens difíceis, trabalhando dura e conscientemente a caminho de uma profundidade que  firmou “in his own wright and right*”. Sua maturidade o instigou à  co-produção desse filme  quase perfeito. Jessica Chastain, atriz quase desconhecida, nos traz uma mãe cuja presença nina a harmonia entre os meninos, mantendo-os unidos  ao abrigo dos predadores, sem economizar-lhes jovialidade. Sean Penn, cujas  interpretações, às vezes intencionalmente exageradas, conseguem assim mesmo marcar  cenas  inesquecíveis, tem aqui poucas aparições na personagem do filho-narrador já adulto.  Mas mais uma vez espanta com uma interpretação absolutamente convincente e arrebatadora, sem emitir  uma única palavra. &lt;br /&gt;	Lembro de ter presenciado, em um desses festivais do mundo dos espetáculos, a reedição da entrevista com um dos monstros sagrados de outrora,  -  seria Lawrence Olivier? - que disse algo como: “O teatro é dos atores, o cinema dos diretores e a televisão do resíduo”.&lt;br /&gt;	Saí da sala com a certeza de que às vezes  o cinema é também, e mais,  dos atores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;*a sutileza entre wright (entalhe em madeira) e right (direito). Wright é termo comum no teatro para definir o ator como "artesão",escultor de personagens.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-8111370974737660723?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/8111370974737660723/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=8111370974737660723' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/8111370974737660723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/8111370974737660723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2011/08/arvore-da-vida-resenha.html' title='A ÁRVORE DA VIDA   -- Resenha'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-718571108591255646</id><published>2011-08-23T10:00:00.000-07:00</published><updated>2012-01-30T03:06:07.239-08:00</updated><title type='text'>NA CRISTA DA ONDA - Crônica</title><content type='html'>Algo não consegue sair do noticiário, do negrito das manchetes, dos textos bem articulados dos telejornais, das conversas  em todos os  setores da vida urbana. Não é  o nome da mais nova modelo virando atriz, nem mais um terremoto na Ásia, nem  a queda do dólar ou a crise econômica internacional. É só uma palavra que parece não conseguir deixar de fazer parte do nosso quotidiano. Corrupção! A palavra é sempre a mesma. Um polvo multi-tentacular que já se instalou em tudo e que, a cada semana,  redescobrimos multiplicado-se num novo setor, em mais um, mais um, mais um...Quantos foram só esse ano?&lt;br /&gt; Se formos examinar essa palavra, descobrimos nela quase um prefixo: “co” como nas palavras  co-laboração, co-ação etc., o que implica na intervenção de mais do que uma pessoa. Daí associarmos a corrupção ao suborno, pois no suborno alguém paga e outro recebe. &lt;br /&gt; Antes  tinha-se  raiva da corrupção dos políticos pelo simples fato de que não  tinha-se acesso às “panelinhas” que  garantissem os mesmos benefícios. Mas hoje acabou-se o hábito de admirar, reverenciar e invejar a figura folclórica do "malandro" e suas estrepolias. Acabou-se o tempo do "Gerson" de levar vantagem. Mas não se consegue conter a corrupção. Pior: no processo da tentativa infiltra-se outro elemento: a impunidade.&lt;br /&gt; Corrupção existe em todo mundo.Desde o bíblico prato de lentilhas, os homens se corrompem e não houve civilização por mais flórida e milenar que tenha conseguido extirpá-la. Existem porém, algumas diferenças em outras culturas perante corrupção e suborno. Vimos nos Estados Unidos, um senador corrupto enfiar um revólver na boca e suicidar-se “ao vivo”; um membro de casa real europeia (Holanda, Bélgica, Luxemburgo?..) demitir-se do cargo, pedindo publicamente desculpas por ter embolsado uma comissão sobre fornecimento de aviões e revertendo o valor a obras beneficientes.&lt;br /&gt;  Em contrapartida  nossos homens públicos criam CPIs que levam anos para serem julgadas até a extinção do prazo legal e, no ínterim, os investigados continuam embolsando seus ricos soldos que não devolverão, mesmo que acabem considerados culpados. E quase nunca o são. &lt;br /&gt;  Ao mesmo tempo em que políticos, ministros, e até  jornalistas e economistas tentam vender sua profissão como uma cruzada em defesa da honestidade,  o povo está finalmente começando a dar-se conta de que pode, e deve,  exigir honestidade e transparência. &lt;br /&gt; Parece-nos então lógico e desejável porém, que ele – o povo - , enfim nos, também tenhamos  que assumir nosso próprio compromisso de não ceder à “corrupção pessoal”,  aquela que exercemos abrindo mão de princípios, consciência e respeito próprio. É – por exemplo – o pai que consegue  um falso atestado de saúde que isente seu filho do serviço militar; é  a filha do coronel, que junta escova e procria sem casar-se para poder beneficiar-se da lei que lhe permite continuar a receber a aposentadoria do pai, enquanto for solteira. Nos dois exemplos as pessoas não deixam de colocar-se num legítimo direito legal que, porém, não lhes oblitera a má fé e a desonestidade.&lt;br /&gt;  Está portanto na hora – e nas nossas mãos – resgatar a honra, punindo sim a corrupção, mas também abstendo-se dela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-718571108591255646?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/718571108591255646/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=718571108591255646' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/718571108591255646'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/718571108591255646'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2011/08/na-crista-da-onda.html' title='NA CRISTA DA ONDA - Crônica'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-4751417511073862079</id><published>2011-08-10T03:58:00.000-07:00</published><updated>2011-08-10T04:16:50.086-07:00</updated><title type='text'>UMA ETERNIDADE</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De Maio a Agosto, uma eternidade sim!&lt;br /&gt;Meu Computador quebrou?  Não&lt;br /&gt;Fiz a viagem de minha vida? Não  (seria para o Nepal mas agora  é tarde demais)&lt;br /&gt;Fiquei preguiçosa? Sim&lt;br /&gt;Há momentos da vida em que uma preguiça consegue reestabelecer &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;equilíbrios&lt;/span&gt;, recarregar baterias, movimentar &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;ideias&lt;/span&gt;. Pois é.&lt;br /&gt;Aproveitei minha &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;Internet&lt;/span&gt; em "&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;panne&lt;/span&gt;" e  dei férias para mim e para meus leitores cuja maioria, de qualquer maneira, quer por trabalho, quer  por família, estaria de férias. Então &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;bem vindos&lt;/span&gt; de volta a todos, e eu já estou mais a vontade, de mangas arregaçadas e pés &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;comodamente&lt;/span&gt; relaxados na &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;banqueta&lt;/span&gt; debaixo da mesa do computador.&lt;br /&gt;Estou &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;de volta&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Serei a mesma?&lt;br /&gt;Estarei melhor?&lt;br /&gt;Estarei renovada?&lt;br /&gt;Não sei: quero só estar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-4751417511073862079?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/4751417511073862079/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=4751417511073862079' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/4751417511073862079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/4751417511073862079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2011/08/uma-eternidade.html' title='UMA ETERNIDADE'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-4989781118938134379</id><published>2011-08-10T03:38:00.000-07:00</published><updated>2011-08-10T03:57:06.207-07:00</updated><title type='text'>FABÍOLA, Prazer em Conhecer</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela surgiu num curso que não curti. Um professor &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;monologuista&lt;/span&gt; (se não existe acabei de inventar...) impositivo e raramente aberto à discussão, por pouco não me tirou do sério mais do que uma vez, colocando nos &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;pincéis&lt;/span&gt; de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;Antonello&lt;/span&gt; da Messina uma metáfora só para justificar sua própria interpretação de luz difusa, e confundindo plágio com emulação, em detrimento de um criativo e inigualável &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;Rauschenber&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Assim mesmo ou, quem sabe &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;justamente&lt;/span&gt; por isso, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;Fabíola&lt;/span&gt; foi um achado em minha vida escolar. Digo "escolar" pois aos quase oitenta anos &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;frequento os&lt;/span&gt; cursos que me colocam no meio de gente, na grande maioria jovem e interessante, o que me serve de espelho para uma &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;atualidade&lt;/span&gt; que não posso me deixar escapar! Essa moça, que durante algumas aulas me passou &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;quase&lt;/span&gt; desapercebida apesar do capelo impetuoso e das lentes intelectuais, foi quem escolhi naquele dia por ímpeto próprio, para um trabalho de "encontro".&lt;br /&gt;E sim, foi um achado.&lt;br /&gt;Mulher viva, tecnologicamente &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;antenada&lt;/span&gt; à vida, a um trabalho criativo,à modernidade, ao futuro. E linda. Como uma mulher de hoje deve ser linda: simples, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;comunicativa&lt;/span&gt;, exemplarmente e pacatamente atenta aos detalhes das frases (não fosse ela jornalista) e das imagens que suas frases criam. E tem beleza também interior, voltada às necessidades da humanidade presente e futura, de alimentação sã e natural (não fosse ela também &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;dieteta&lt;/span&gt;), e olhar tranquilo sobre &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;o caos&lt;/span&gt; urbano. Será eventualmente uma mãe pra lá de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;compreensiva&lt;/span&gt;, estimulante e pronta a crescer, em todos os sentidos, com suas crias.&lt;br /&gt;Um pontinho negro - que ela mesma apresentou, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;reminiscente&lt;/span&gt; de sua criação quase abandonada num &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;internato&lt;/span&gt; - a fez crescer tanto e tão bem por mérito próprio que &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;sua&lt;/span&gt; vida, apesar de árdua (sei que batalha duramente e com afinco) já é, e será, em tecnicolor.&lt;br /&gt;O arcoiris  que &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;a sorte&lt;/span&gt; colocou em meu caminho numa sala barulhenta e na penumbra de um terraço. Lá naquela velha, cinzenta mas linda e orgulhosa Casa das Rosas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-4989781118938134379?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/4989781118938134379/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=4989781118938134379' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/4989781118938134379'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/4989781118938134379'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2011/08/fabiola-prazer-em-conhecer.html' title='FABÍOLA, Prazer em Conhecer'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-5652154941761208305</id><published>2011-05-24T07:55:00.000-07:00</published><updated>2011-05-24T08:11:00.160-07:00</updated><title type='text'>NADAR!!!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Autor: Fabienne Guttin, 56 anos, Professora de Francês, Intérprete, Tradutora. E Nadadora.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;"Perseverança" é o primeiro ímpeto que deveriamos abraçar ao acordar todos os dias, em qualquer idade, em qualquer realidade, em qualquer perspectiva.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Apláusos a essa mulher e a este seu texto lindo, corajoso, estimulante.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18:30...frio, garoa...piscina descoberta...vento gelado.&lt;br /&gt;Porém, nem  esse tempo, nem o dia que foi noite, me farão desviar de minha rotina disciplinada. Fui, vesti a fantasia de nadadora. Grudei o treino no bloco. Arranquei o roupão que também tinha frio. Mergulhão. A água me envolve num abraço. A chuva engrossa. O vento aumenta. Nadadeira, palmar, para-chute, snorkel, flutuador, prancha e tempo-trainer...todos comigo.Minhas costas recebem a chuva num misto de do-in e de acupuntura...A piscina é só minha. Meu lado egoista aprecia isso. Depois dos 800 de aquecimento, dos 500 de braço, dos 500 de perna e dos 5x200 crawl, me viro para os 300 de costas. Não há estrelas. O céu está escondido sob as núvens. Mas há um holofote enorme debaixo delas. A lua resolveu que ela também não se deixaria intimidar pelos céus. Ela e eu. E a  água. Tudo tão perfeito. A harmonia é total. Acabo o treino com os 5 de 100 medley e os 200 borboleta, 200 para relaxar...Saio da piscina. Agradecida. Com o corpo quente e a pele que reage ao frio. Me sinto em sintonia com tudo. E um pensamento atravessa toda minha alma: amanhã tem mais. Estou viva&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-5652154941761208305?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/5652154941761208305/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=5652154941761208305' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/5652154941761208305'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/5652154941761208305'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2011/05/nadar.html' title='NADAR!!!'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-2403496932503033807</id><published>2011-04-16T15:39:00.000-07:00</published><updated>2011-05-04T05:18:50.966-07:00</updated><title type='text'>MUNDANOS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Para ela, eu era uma completa desconhecida, de vez em quando me olhava sem ver-me. Mas ela não era desconhecida para mim: os movimentos macios de sua cabeça a transformá-la em pintura; a mesma maciez de suas mãos a criar luminosidade; seu olhar &lt;span id="SPELLING_ERROR_0" class="blsp-spelling-error"&gt;imperceptivelmente&lt;/span&gt; obliquo e estático como na cuidadosa reprodução de uma &lt;span id="SPELLING_ERROR_1" class="blsp-spelling-error"&gt;madonna&lt;/span&gt; de &lt;span id="SPELLING_ERROR_2" class="blsp-spelling-error"&gt;Filippino&lt;/span&gt; &lt;span id="SPELLING_ERROR_3" class="blsp-spelling-error"&gt;Lippi&lt;/span&gt;*. Mas lá estava ela, emitindo &lt;span id="SPELLING_ERROR_4" class="blsp-spelling-corrected"&gt;serenidade&lt;/span&gt;. Fui lá, no fim da reunião, perguntar-lhe o nome. Ela disse e eu esqueci.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dele nem investiguei o nome: fiquei observando seus dedos apaixonados pela máquina em suas mãos: seus dedos a deflorar imagens, seus meio-sorrisos a cada &lt;span id="SPELLING_ERROR_5" class="blsp-spelling-error"&gt;click&lt;/span&gt;. Mas o brilho de seus olhos a defender sua arte, me indicaram a certeza, dele, de que ela, a foto-arte, ainda de fraldas, ainda em idade de balbuciar para o grande público, está sim no bom caminho para ficar. Será que ele já teria uma moça de costas, cabelos e &lt;span id="SPELLING_ERROR_6" class="blsp-spelling-error"&gt;echarpe&lt;/span&gt; ao vento, olhando-se numa &lt;span id="SPELLING_ERROR_7" class="blsp-spelling-corrected"&gt;vitrina&lt;/span&gt; sem revelar-lhe o semblante, para ilustrar meu "Brios"?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span id="SPELLING_ERROR_8" class="blsp-spelling-error"&gt;Camila&lt;/span&gt; -moderníssima imagem de poros a jorrar a intensidade &lt;span id="SPELLING_ERROR_9" class="blsp-spelling-error"&gt;irreprimível&lt;/span&gt; pelo bebé que criou - sorriu sempre como alguém que, chegado ao pico ventoso, tira gorro e viseira para respirar a paisagem. Fernando Carneiro, de velhos rascunhos relidos - e nem sempre aprovados - com sua pacatez de sábio; um Carlos carioca de contos de amor perdido mas ainda ansiado; um Fábio de positivíssimo olhar quase material, que não era o Martinez (&lt;span id="SPELLING_ERROR_10" class="blsp-spelling-error"&gt;cadê&lt;/span&gt; ele...) a criar imagens &lt;span id="SPELLING_ERROR_11" class="blsp-spelling-corrected"&gt;económicas&lt;/span&gt; em sua devastadora &lt;span id="SPELLING_ERROR_12" class="blsp-spelling-error"&gt;simplicidade&lt;/span&gt;. Os Escritores Mundanos tem obrigação de ser pra lá de bons para abraçarem-se dentro de um invólucro tão &lt;span id="SPELLING_ERROR_13" class="blsp-spelling-error"&gt;classudo&lt;/span&gt;. É para isso que lá está a Tânia, imagem &lt;span id="SPELLING_ERROR_14" class="blsp-spelling-error"&gt;esguia&lt;/span&gt; de opulento conteúdo &lt;span id="SPELLING_ERROR_15" class="blsp-spelling-error"&gt;selecionando&lt;/span&gt; qualidades. E uma Helga, já implacavelmente à beira de um trampolim entre justiça e &lt;span id="SPELLING_ERROR_16" class="blsp-spelling-error"&gt;dramaturgia&lt;/span&gt;.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Até Sandra - tão só convidada quanto eu - esbanjou entusiasmo: mulher-guerreira, veio, generosa, a oferecer suas horas contadas de laser, suas noites brancas de árduo trabalho, suas diárias &lt;span id="SPELLING_ERROR_17" class="blsp-spelling-corrected"&gt;parêntesis&lt;/span&gt; familiares, para mergulhar de cabeça no Mundo Mundano de um mundo idealista e pródigo de planos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Muitos outros ainda não identificados. Quanto pode-se conhecer em poucas horas de uma primeira &lt;span id="SPELLING_ERROR_18" class="blsp-spelling-error"&gt;anamnése&lt;/span&gt; social? No meio de livros, estantes e mesas de &lt;span id="SPELLING_ERROR_19" class="blsp-spelling-error"&gt;manuseios&lt;/span&gt; coloridos, de &lt;span id="SPELLING_ERROR_20" class="blsp-spelling-error"&gt;aviõezinhos&lt;/span&gt; que, de cima, olham para a ribalta, (quem inventou que livraria deva ter &lt;span id="SPELLING_ERROR_21" class="blsp-spelling-error"&gt;pendurucalhos&lt;/span&gt; do &lt;span id="SPELLING_ERROR_22" class="blsp-spelling-error"&gt;teto&lt;/span&gt;?...), os holofotes vão se apagando empurrando a companhia do &lt;span id="SPELLING_ERROR_23" class="blsp-spelling-error"&gt;proscênio&lt;/span&gt; à &lt;span id="SPELLING_ERROR_24" class="blsp-spelling-corrected"&gt;plateia&lt;/span&gt;, e dela à calçada da rua.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;E lá está o Mundo Mundano, transformado, só aparentemente, num mundo menos mundano do que o Mundano de tantos e bons. Só aparentemente: improvável é despir-se dele. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;E eu? O que eu estou fazendo aqui, de volta à minha casa, embevecida e hesitante? Embevecida por ter atravessado um rio de murmúrio acolhedor. Hesitante e excitada pela dádiva de um "pertencer" novo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span id="SPELLING_ERROR_25" class="blsp-spelling-error"&gt;Sic&lt;/span&gt; &lt;span id="SPELLING_ERROR_26" class="blsp-spelling-error"&gt;Transit&lt;/span&gt; Gloria &lt;span id="SPELLING_ERROR_27" class="blsp-spelling-error"&gt;Mundi&lt;/span&gt; ...Bem-vindos ao meu mundo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;* &lt;span id="SPELLING_ERROR_28" class="blsp-spelling-error"&gt;Filippino&lt;/span&gt; &lt;span id="SPELLING_ERROR_29" class="blsp-spelling-error"&gt;Lippi&lt;/span&gt;, 1457-1504&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-2403496932503033807?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/2403496932503033807/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=2403496932503033807' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/2403496932503033807'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/2403496932503033807'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2011/04/mundanos.html' title='MUNDANOS'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-2955059384726648943</id><published>2011-04-08T04:04:00.000-07:00</published><updated>2011-05-27T12:14:05.402-07:00</updated><title type='text'>O PRIMEIRO QUE DISSE, Filme</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Italia: 2010&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Título Original: Mine Vaganti&lt;br /&gt;Diretor: Ferzan Ozpetec&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;A tradução do título é o grande pecado da distribuidora, ou de quem por ela: fui assistir esperando uma comédia leve, &lt;span id="SPELLING_ERROR_4" class="blsp-spelling-error"&gt;&lt;span id="SPELLING_ERROR_4" class="blsp-spelling-error"&gt;inconsequente&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, &lt;span id="SPELLING_ERROR_5" class="blsp-spelling-error"&gt;&lt;span id="SPELLING_ERROR_5" class="blsp-spelling-error"&gt;quiçás&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span id="SPELLING_ERROR_6" class="blsp-spelling-error"&gt;escrachada&lt;/span&gt; como os italianos sabem fazer tão bem. Havia-lhe dado tão pouca importância na ordem dos filmes &lt;span id="SPELLING_ERROR_6" class="blsp-spelling-error"&gt;&lt;span id="SPELLING_ERROR_7" class="blsp-spelling-error"&gt;imperdíveis&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, que quase o perdi. É filme sério, de um cuidado tão esmerado que até a escolha da cidade onde foi rodado tem significado especial. &lt;span id="SPELLING_ERROR_7" class="blsp-spelling-error"&gt;&lt;span id="SPELLING_ERROR_8" class="blsp-spelling-error"&gt;Lecce&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; é uma cidade relativamente pequena, antiga, provinciana, lá no calcanhar da Itália. Mas linda, &lt;span id="SPELLING_ERROR_8" class="blsp-spelling-error"&gt;&lt;span id="SPELLING_ERROR_9" class="blsp-spelling-error"&gt;cuidadíssima&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; em suas majestosas construções barrocas. Se Florença, do outro lado dos &lt;span id="SPELLING_ERROR_9" class="blsp-spelling-error"&gt;&lt;span id="SPELLING_ERROR_10" class="blsp-spelling-error"&gt;Apeninos&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; quase à beira do &lt;span id="SPELLING_ERROR_10" class="blsp-spelling-error"&gt;&lt;span id="SPELLING_ERROR_11" class="blsp-spelling-error"&gt;Tirreno&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, é desde sempre e para sempre Renascentista, &lt;span id="SPELLING_ERROR_11" class="blsp-spelling-error"&gt;&lt;span id="SPELLING_ERROR_12" class="blsp-spelling-error"&gt;Lecce&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, lá onde o Adriático &lt;span id="SPELLING_ERROR_12" class="blsp-spelling-error"&gt;&lt;span id="SPELLING_ERROR_13" class="blsp-spelling-error"&gt;re&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;-distribui suas correntes, é uma Florença Barroca.      &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Não consegui chegar às origens da construção artística de uma cidade que, sendo ela basicamente produtora de tabaco, possam ter deixado um marco tão importante e duradouro de uma &lt;span id="SPELLING_ERROR_13" class="blsp-spelling-error"&gt;&lt;span id="SPELLING_ERROR_14" class="blsp-spelling-error"&gt;arquitetura&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; que, justamente naquele canto do mundo, revelou-se a mais refinada do barroco por ser mais despojada. E é la que o modernismo de uma fábrica de massa, de renome &lt;span id="SPELLING_ERROR_14" class="blsp-spelling-error"&gt;&lt;span id="SPELLING_ERROR_15" class="blsp-spelling-error"&gt;internacional&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, convive com o provincianismo de seus &lt;span id="SPELLING_ERROR_15" class="blsp-spelling-error"&gt;&lt;span id="SPELLING_ERROR_16" class="blsp-spelling-error"&gt;proprietários&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; e de seus habitantes. Tudo escorre entre carros de luxo sobre &lt;span id="SPELLING_ERROR_16" class="blsp-spelling-error"&gt;&lt;span id="SPELLING_ERROR_17" class="blsp-spelling-error"&gt;paralelepípedos&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;. Tudo sobrevive orgulhosamente em mansões históricas onde uma matriarca divide vida, acomodações &lt;span id="SPELLING_ERROR_17" class="blsp-spelling-error"&gt;&lt;span id="SPELLING_ERROR_18" class="blsp-spelling-error"&gt;suntuosas&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, empregadas, conforto e &lt;span id="SPELLING_ERROR_18" class="blsp-spelling-error"&gt;&lt;span id="SPELLING_ERROR_19" class="blsp-spelling-error"&gt;mexericos&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; com o filho mais velho que assumiu o comando material e moral da família. Tudo em cima de uma &lt;span id="SPELLING_ERROR_19" class="blsp-spelling-error"&gt;&lt;span id="SPELLING_ERROR_20" class="blsp-spelling-error"&gt;coleção&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; de "Mine &lt;span id="SPELLING_ERROR_20" class="blsp-spelling-error"&gt;&lt;span id="SPELLING_ERROR_21" class="blsp-spelling-error"&gt;Vaganti&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;" que podem explodir a qualquer momento, por qualquer descuido, numa fala, num mencionar. Num olhar. Por isso tudo é &lt;span id="SPELLING_ERROR_21" class="blsp-spelling-error"&gt;&lt;span id="SPELLING_ERROR_22" class="blsp-spelling-error"&gt;diagramado&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; como exemplar, perfeito e &lt;span id="SPELLING_ERROR_22" class="blsp-spelling-error"&gt;&lt;span id="SPELLING_ERROR_23" class="blsp-spelling-error"&gt;respeitabilíssimo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; numa cidade onde todos se conhecem. E todos sabem. Ou todos crêem que todos sabem.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Aquelas minas móveis, aquelas que todos sabem existir, enterradas e camufladas, mas ninguém sabe &lt;span id="SPELLING_ERROR_23" class="blsp-spelling-error"&gt;&lt;span id="SPELLING_ERROR_24" class="blsp-spelling-error"&gt;exatamente&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; onde e quando - e por quem - irão pelos ares. A introdução de personagens e cenas divertidas, suaviza o diálogo entre autor e espectadores, de forma a preparar a plateia, de braços abertos, à &lt;span id="SPELLING_ERROR_24" class="blsp-spelling-error"&gt;&lt;span id="SPELLING_ERROR_25" class="blsp-spelling-error"&gt;condescendência&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;. Uma reconstrução cuidadosa de como se vive na perfeição sem tê-la e de como - e a que custo - será possível começar a abrir-lhe brechas, rachadura, remendos. Sem perder a unidade. A escolha de um jovem &lt;span id="SPELLING_ERROR_25" class="blsp-spelling-error"&gt;&lt;span id="SPELLING_ERROR_26" class="blsp-spelling-error"&gt;ator&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, &lt;span id="SPELLING_ERROR_26" class="blsp-spelling-error"&gt;&lt;span id="SPELLING_ERROR_27" class="blsp-spelling-error"&gt;Riccardo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span id="SPELLING_ERROR_27" class="blsp-spelling-error"&gt;&lt;span id="SPELLING_ERROR_28" class="blsp-spelling-error"&gt;Scamarcio&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, que não precisa abrir a boca para transmitir sentimentos, é um dos grandes trunfos do &lt;span id="SPELLING_ERROR_28" class="blsp-spelling-error"&gt;&lt;span id="SPELLING_ERROR_29" class="blsp-spelling-error"&gt;diretor&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;. Todos os outros interpretes vestiram sua personagem de forma tão subcutânea que será impossível imaginá-los em outros papeis. Sei que uma resenha implicaria numa apresentação da história, mesmo que de forma superficial. Então que essa não seja uma resenha, mas só uma convocação. É filme para ser visto, ser examinado de perto, concentrando-se nos pequenos detalhes: na sombra a mais do canto do jardim, no reflexo obliquo de um espelho. E nos movimentos delicados, mas eloquentes, das mãos da mocinha que convidam qualquer escultor a sair voando para comprar um metro &lt;span id="SPELLING_ERROR_29" class="blsp-spelling-error"&gt;cúbico&lt;/span&gt; de &lt;span id="SPELLING_ERROR_30" class="blsp-spelling-error"&gt;&lt;span id="SPELLING_ERROR_30" class="blsp-spelling-error"&gt;travertino&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-2955059384726648943?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/2955059384726648943/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=2955059384726648943' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/2955059384726648943'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/2955059384726648943'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2011/04/o-primeiro-que-disse-filme.html' title='O PRIMEIRO QUE DISSE, Filme'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-3240461326942760060</id><published>2011-04-05T06:36:00.000-07:00</published><updated>2011-04-15T10:00:19.431-07:00</updated><title type='text'>UMA CARTA DE AMOR</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Augusto, meu bem. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Gosto desse nosso sexo ao despertar. Hoje, porém, não te acompanhei correndo ao chuveiro. Estou imóvel, joelhos quase no queixo, olhos fechados. O cheiro azulado da tua loção passou por mim e teu dedo indicador percorreu o desenho de minhas sobrancelhas a caminho da saída do nosso quarto. Fiquei entre os lençois, ainda úmida de você, numa posição estranha e aconchegante, com a sensação de um calor desconhecido, renovado. Sim, por que foi um gesto novo. Uma coisa tão insignificante...sempre foi assim oufoi só hoje que notei? Tenho ainda teu polegar apertando a base do meu ombro esquerdo, enquanto minha axila abriga a curvatura do indicador, teus outros dedos esparramados às minhas costas. Me dei conta desse novo toque num momento em que, surpreendentemente, me senti arrastada para dentro de você, como se você estivesse me engolindo para sempre. Quando você sai de mim, você também sente que está me levando dentro do seu corpo? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Hoje eu mesma vou fazer a cama: não saberia como esquivar-me do olhar da Rosa perante tantas evidências. E as crianças?Ainda vão me ver se eu fui embora dentro de você? Como vou ajudá-las a fazer a lição de casa sem inserir nos seus cadernos as frases molhadas desta carta que não vou escrever... Queria muito que você, à noite, me perguntasse o que eu fiz o dia inteiro. Responderia que passei o dia fazendo mil coisas enquanto te escrevia essa carta que não vou escrever. Pois para mim é difícil falar, dizer em viva voz, tudo que eu sei escrever tão bem, quando não escrevo...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-3240461326942760060?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/3240461326942760060/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=3240461326942760060' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/3240461326942760060'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/3240461326942760060'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2011/04/uma-carta-de-amor.html' title='UMA CARTA DE AMOR'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-2630447559736527359</id><published>2011-03-08T07:54:00.000-08:00</published><updated>2011-04-21T12:31:50.199-07:00</updated><title type='text'>SURDO MUNDO</title><content type='html'>&lt;ul&gt;&lt;/ul&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Autor: David Lodge&lt;br /&gt;Título original: Deaf Sentence 2008&lt;br /&gt;Tradução: Guilherme da Silva Braga&lt;br /&gt;Editora: L&amp;amp;PM - 2010&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ao folhear o livro o leitor pode assustar-se. Páginas maciças de escrita compácta, às vezes inteiras sem quebra de parágrafos. Uma densidade gráfica bastante incomum entre os escritores contemporâneos que já nos acostumaram a uma leitura ágil de frases e parágrafos curtos. Lodge é um daqueles escritores ingleses que mantém a descrição detalhada tanto de lugares como de personagens e acontecimentos. Mas nem por isso o leitor perde o interesse, muito pelo contrário. Apesar de ser apresentando como um romance, num primeiro momento seu título leva a crer tratar-se de um compêndio sobre os mal-entendidos de conversas entre surdos, especialmente pelo trocadilho do nome Deaf Sentence/Death Sentence - o que não deixa de ser compreensível, para quem é surdo, considerar o defeito como falência e morte da convivência. O autor se esmera em procurar frases facilmente irreconheciveis e deturpadas pelo ouvidos defeituosos. Auxiliado por um excelente tradutor que conseguiu - e não deve ter sido fácil - trazer para o nosso idioma, situações eficazes com um fraseado muito realista, o livro é, afinal, bem prazeroso. Para quem esperava que fosse um livro só dedicado aos percalços da surdez, é uma grande surpresa. O personagem principal é um professor universitário que resolve aposentar-se antes da hora, justamente por não mais poder escutar e entender alunos e discussões durante as aulas. Entre diversas situações delicadas no meio universitário que ainda frequenta, e a lida com uma segunda esposa empresária, com os filhos do primeiro casamento e com os netos, ainda assiste o velho pai que, além de ter também ficado surdo, começa a apresentar graves sinais de senilidade. Diálogos e cenas com ele são imperdíveis de bem cuidadas, cheias de momentos nostálgicos e frequentemente de humor. É nessas situações que Lodge transforma, com muita graça e sabedoria, o homem de letras um tanto irritadiço por sua deficiência, num ser humano mais "macio", mais compreensivo, mais aceitante de suas limitações e das dos outros, começando a divertir-se até nas aulas de leitura labial antes apenas toleradas para agradar a mulher. Lodge escreveu o livro em primeira pessoa, entretanto em alguns capítulos - ou parte deles - sem mais nem menos avisa candidamente o leitor de seu ímpeto irresistível de passar a relatar certos fatos em terceira pessoa. Com a mesma simplicidade volta à terceira pessoa sem prejuizo da continuidade e da coerencia. Ele usa essa alternência com um ar realista e crítico. Nessas ocasiões é que me perguntei se Lodge também seria surdo como sua personagem. E como eu. Vale levar esse livro nas férias para, quando cansados das andanças do dia, queremos algo bom e leve antes de dormir. Mas atenção: qualquer descuido e estaremos varando a noite.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-2630447559736527359?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/2630447559736527359/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=2630447559736527359' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/2630447559736527359'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/2630447559736527359'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2011/03/surdo-mundo.html' title='SURDO MUNDO'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-97369251690299649</id><published>2011-03-06T11:51:00.000-08:00</published><updated>2011-04-21T12:27:36.009-07:00</updated><title type='text'>OSCARS &amp; OSCARS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;strong&gt;O Discurso do Rei&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Colin Firth e Geoffrey Rush: dois artistaços carregam o filme nas costas com suas interpretações, ambos dignos da premiação que só um levou. Uma fotografia competente eleva os dois à estratosfera durante os diálogos. E não somente isso. O fotógrafo consegue também criar uma metáfora muito expressiva: --Primeiro, nas imagens de neblina e chuva no e do interior de um carro onde o casal, que poderia ser um casal qualquer, é protegido por aquela impermeabilidade toda, enquanto troca dúvidas e angustias. --Depois pela visão impressionantemente bem conseguida do alto da nave central de Westminster que reduz praticamente a pó a imagem de quem está saindo dela.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O percurso de um homem a caminho do reinado de um País e da religião que é nele embutida. Helena Bonham-Carter, como atriz coadjuvante, no papel da esposa e depois rainha, só convenceu por ser apropriada fisicamente ao papel: quem lembra da rainha-mãe da atual Rainha Elisabeth, viu claramente que a atriz, ao envelhecer, será sua fiel imagem: pequena e roliça.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A primeira parte do filme, bastante enfadonha, é prolixa em algumas situações. Também, durante as várias tentativas da reeducação verbal, foi infeliz a referência às pedrinhas na boca com que - ao dizer do folclore - o gago Demóstenes tentava controlar laringe e traquéia. O que estragou mesmo foi a revelação - demasiadamente antecipada e numa cena ruim - da carreira frustrada de ator do "educador". &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tirou do público o impacto da descoberta, quando acusado pelo rei. O Diretor Tom Hopper dirigiu o filme com luvas cirúrgicas para não arranhar a já tão desgastada casa real. Um corretíssimo roteiro, quase documentário, que não pareceu trazer nenhuma contribuição exemplar à arte cinematográfica. Estou ficando cada vez mais exigente quando vou ao cinema. A arte já tem diretores que marcam com veemência parâmetros cada vez mais elevados. O Discurso do Rei é um bom filme. O melhor da safra? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;strong&gt;CISNE NEGRO&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na fábula musicada por Tchaikovsky, os cisnes eram efetivamente dois e na maioria das montagens teatrais, dançados por duas bailarinas diferentes. Portman é arrasadora na revelação, minuto a minuto, de um personagem tão duplo quanto o papel dos cisnes, o branco e o preto, que deve dançar. Não somente mereceu o premio de melhor atriz, mas ela, Nina-bailarina, estabeleceu um parámetro bastante definitivo na identidade dos dois cisnes. Não estamos falando da identidade-bailarina (sabemos do virtuosismo das câmaras que nos enganam nos momentos mais eloquentes da dança) mas do empenho, do "inner-ego" da Nina-Portman &lt;strong&gt;&lt;em&gt;E &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;de cada um dos dois cisnes. Não devemos avaliar Portman como bailarina, apesar de ter ficado bem evidenciada a competência com que ela investiu-se do papel com as partes do seu corpo que podiam sublimá-lo. O roteirista assumiu tanto os personagens do "Lago dos Cisnes" que dá oportunidade ao coreógrafo de comportar-se como o Mago da fábula, enganando Nina quanto à escolha definitiva do papel, provocando assim na já conturbada dançarina, mais uma explosão de angustia. Como Nina, Portman lança mão de um semblante sombrio com que esconde a impaciência para com sua mãe; a furtividade com que rouba os apetrechos da rival; a sutileza com que os orgasmos "solos" a investem de um prazer ignorado. Aliás, é justamente então que reparamos na qualidade do Diretor. Ele conseguiu- evidentemente através de efeitos visuais rebuscadíssimos - que os arrepios da epidérmide da protagonista tivessem, em cada poro, a quase imperceptível consistência da pele onde, a qualquer momento, surgiriam plumas. É a paulatina transformação da mulher/ bailarina em cisne. E só percebi isso na segunda vez em que assisti o filme. O Diretor Darren Aronofsky - o mesmo que nos emocionou com aquele "Wrestler" trazendo de novo à ribalta o então sumido e excelente Mickey Rourke - criou em volta da protagonista um emaranhado de grades, cercas e reticulados para aprisionar-lhe o espírito: -- as paredes apertadas da casa onde mora; --o espelho de recortes geométricos na entrada do apartamento que lhe secionam o semblante ao passar; --seus percursos nas coxias estreitas do teatro, onde, até quando ela senta no chão para amarrar as sapatilhas ou preparar-se às provas, é sempre num canto tão agudo onde mal cabem suas costas; --ela nunca anda pelas ruas, ou está dentro do metrô, de um taxi, dentro da cabine de banheiro, ou rapidamente na saida de uma boate obscura; --ela só tem espaço na grande sala de ensaios, ou no saguão do teatro, assim mesmo quase achatada por uma imensa escultura negra e alada; A maior área aberta em que o Diretor a coloca é a praça em frente ao teatro, para depois de poucas frases trocadas com o coreógrafo, jogá-la num hospital visitando uma suicida. Esse Diretor, que assumiu para si os sentimentos e as trepidações de três cisnes - dois do bailado e um da protagonista - ainda foi capaz de criar um duelo verbal, agressivo e enternecedor, entre dois grandes intérpretes: Portman e Cassel. Bastaria só o momento em que Cassel-coreógrafo transforma voz, expressão corporal e olhar, ao dizer " Eu acabei de seduzir você, agora é a sua vez", para definir o personagem "coreógrafo". Um Vincent Cassel - que vinha de interpretações apenas corretas em papeis de pouco peso e muita movimentação - nos surpreende com nuances de sutis transformações interiores: passa da fase de mero observador técnico, à de provável aproveitador de meninas que fariam qualquer coisa para conseguir o papel de cisne; do frio mas diplomático descartador de talentos esgotados à gradativa capitulação perante um talento novo e arrasador sim, mas impregnado de inseguranças, medos, frustrações. Capitulação que o humaniza apesar de si mesmo. Há inúmeros outros detalhes que fazem desse filme uma obra tão marcante. O mais marcante de todos - e reconhecido - é Aronofsky ter escolhido Natalie Portman para o papel. Seu talento é indiscutível. Desde os 13 anos, no papel da pré-adolescente naquele "Leon" * de cortar o fólego, ela interpretou muitos filmes diferentes, pondo a prova sua capacidade eclética de transformação e amadurecimento. Eis uma atriz que, a menos de trinta anos de idade, parece ter esgotado a procura do personagem-desafio. Sua interpretação é tão arrebatadora quanto perigosa: dificilmente em sua vida profissional se deparará com outro papel tão definitivo. &lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;*1994, produção Franco-Americana&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; &lt;em&gt;&lt;strong&gt;dirigido por Luc Besson, com Jean Reno&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Gary Oldman e Danny Aiello&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-97369251690299649?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/97369251690299649/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=97369251690299649' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/97369251690299649'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/97369251690299649'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2011/03/oscars-oscars.html' title='OSCARS &amp; OSCARS'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-3219330494357778828</id><published>2011-02-15T10:46:00.000-08:00</published><updated>2011-04-16T05:25:34.833-07:00</updated><title type='text'>FAHRENHEIT 451</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;MONTAGEM PARA A FORMATURA DE NOVOS ATORES &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;NO TEATRO-ESCOLA CÉLIA HELENA&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Jovens, empenhados, vibrantes, emocionados. Merecedoramente aplaudidos. Eu estava lá, inveterada amadora do teatro a todos os níveis, e gostei. A meninada mereceu. A Cenografia interessante ocupou os espaços do palco com bastante propriedade. Já a Iluminação, apesar de ter usado muito bem as luzes vermelhas para enquadrar a violência ideológica que condena a cultura, deixou frequentemente demais na sombra os rostos e suas expressões. A Preparação Corporal trabalhou em favor de composições grupais que, em momentos de intencionais imobilidades, pareceram retiradas de pinturas que nos remeteram às mais íntimas e longinquas reminiscências de museus. De grande efeito, portanto. Entretanto a Trilha Sonora, mesmo bem escolhida, na maioria das vezes entrou em tom alto demais invadindo o espaço verbal tanto do coro quanto dos personagens. Aí foi que a Preparação Vocal pareceu pecar. Entre as moças a maioria delas, na preocupação de falar alto o suficiente para alcançar a platéia, acabou transformando a própria voz em sons tão estridentes que chegaram a prejudicar a compreensão da fala. Portanto aí houve algo deficiente na impostação vocal (internamente à boca) e sua projeção (no ato de sair): são dois recursos a serem trabalhados em dois tempos, além da articulação. Nem todos os atores tem um potencial vocal do porte de Arthur OLiveira Santos (Montag 1) ou de Hugo Reis (Montag 2), de longe, nesse quesito, os melhores em cena. Não entendemos terem sido alternadas a interpretação do mesmo personagem por dois bons atores diferentes. No meu ver ambos foram prejudicados: OMontag 1 foi tolhido da transformação do personagem de "brain-washed ativista" para sua humanização cultural, com as nuances necessárias para que sua postura física e expressiva revelasse a transição. O Montag 2 já nasceu humanizado e só nas falas revela seu "estado-obediência cega" anterior. A alternância dos personagens prejudicou mais os atores do que a platéia pois os interpretes deixaram de evidenciar o amadurecimento do ator/personagem, em quanto a platéia teve um prato servido que conseguiu degustar logo após uma fração de segundo de hesitação. Muitos dos formandos terão excelentes carreiras se a enfrentarem com paixão e perseverança, com coragem e desprendimento. E sobretudo com humildade. Pena que assisti ao último espetáculo: teria gostado talvez de rever detalhes, saborear de novo alguns momentos surpreendetentes na cenografia, a movimentação das estantes, a gesticulação delicadíssima com que algumas atrizes folhearam os livros, o aparecimento refrescante de Aldonza a um Dom Quixote demasiadamente circense pelo excesso de caracterização. Mas teatro é isso: um espetáculo ao singular.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-3219330494357778828?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/3219330494357778828/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=3219330494357778828' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/3219330494357778828'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/3219330494357778828'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2011/02/fahrenheit-451.html' title='FAHRENHEIT 451'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-7873896389841533747</id><published>2011-02-11T04:46:00.001-08:00</published><updated>2011-04-16T05:26:26.756-07:00</updated><title type='text'>O CLUBE DOS ANJOS   -  G U L A</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Autor: Luis Fernando Veríssimo&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Editora: Objetiva 1998&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Lindo: esse livro deveria ser vendido e exposto em Galeria de Arte, com direito a vernissage e tudo mais. Na capa mil vermelhos se cruzam, se perseguem, se atropelam, com e sem contornos, com e sem intensidade, às vezes parecendo sombras, outras em fuga a fora...e a dentro das lapelas. O título, em letras brancas e finas estão aprisionadas pelas palavras "GULA": quatro letras em relevo,transparentes e luzidias, quase imperceptíveis mas presentes e intrigantes a abrir a curiosidade dos dedos de quem o manuseia pensando se irá comprá-lo. Antes de encontrar o texto, mais duas páginas de pretos e vermelhos mais intensos onde descobre-se uma coroa de cajus a contornar pratos, sempre pretos e vermelhos, de estilos diferentes, num dos quais um pássaro parece gangorrar-se com olhar suspeito. Ao folhear mais, a primeira página de cada capítulo é impressa em branco sobre fundo preto com letras surpreendentemente blown-up. Na última página de cada capítulo, sobrando espaço - em preto sobre branco, com letras normais -aí estão, de novo, em desenhos cinzentos, quase transparentes, os cajus, alguns pratos e hieroglifos em forms de folhas. O curioso já resolveu comprar o livro. Ao pesquisar os colaboradores daquela edição tão atraente, impossível não aplaudir Victor Burton, responsável pela capa e projeto gráfico. E uma Beatriz Milhazes, a quem se dá crédito de "ilustração da Capa &lt;strong&gt;&lt;em&gt;GULA&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;" &lt;em&gt;SIC!...&lt;/em&gt;então a palavra GULA não fazia inicialmente parte do título que o Veríssimo lhe dera? Ele ganhou um presentão! O agora feliz dono do livro dispensa até o embrulho e a sacolina plástica da Livraria...oops, da Galeria! No assento do carro, ao seu lado, o intenso e fantasioso colorido ocupa o espaço de uma nova namorada. Esta noite estará muito ocupado... Ah, sim, mas: e o livro? Quem sou eu para estar resenhando um Luis Fernando Veríssimo... &lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-7873896389841533747?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/7873896389841533747/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=7873896389841533747' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/7873896389841533747'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/7873896389841533747'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2011/02/o-clube-dos-anjos.html' title='O CLUBE DOS ANJOS   -  G U L A'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-3480742804008158730</id><published>2011-02-07T10:54:00.000-08:00</published><updated>2011-04-09T03:13:30.639-07:00</updated><title type='text'>GUESS...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Faz muito calor. Três horas da tarde, sol a pique e o trânsito não anda: só dez metros de farol em farol. Resolvo desligar o motor a cada sinal vermelho para que o carro não esquente tanto. Também, quem manda ter a malograda idéia de voltar do centro da cidade nesse horário... Por sorte, de dez em dez metros acabo chegando ao ponto onde as árvores de cada lado da Nove de Julho se encontram, se abraçam, me cobrem com alguma sombra. Por que ainda tenho um carro? Vou vendê-lo o mês que vem, aplico o dinheiro para andar só de taxi quando for absolutamente necessário. O 4x4 de placa vermelha à minha frente tenta uma manobra para colocar-se no corredor dos ônibus e, quem sabe, assim entrar no túnel com mais facilidade. E não é que ele consegue? Agora estou atrás de um Ka, pequeno, igualzinho ao meu. Que bom: por falta de volume visual à minha frente, tenho a impressão de poder respirar melhor, consigo até ver o céu. Lá em cima os predios parecem me olhar com paciência, quase com compreensão. Um deles, o mais baixo, parece diferente: nossa! Será que vão demoli-lo? Até os vidros todos já tiraram! Através do vazio dos janelões vejo o céu azul e olha: tem até algumas nuvenzinhas! Será que mais tarde chove? A luminosidade do dia apazigua minha alma, minha irritação, meu bufar. Pelo menos o começo daquela demolição me alegrou. Olho de novo para ela... Deus...Não é nada disso! Nossa, que bonito!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-3480742804008158730?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/3480742804008158730/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=3480742804008158730' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/3480742804008158730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/3480742804008158730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2011/02/guess.html' title='GUESS...'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-5971894227777726407</id><published>2011-01-30T06:51:00.000-08:00</published><updated>2011-02-07T01:47:07.457-08:00</updated><title type='text'>........E UM GRANDE PRESENTE</title><content type='html'>Muito a propósito do comportamento animal e da coragem de um abnegado como o Sanbernardo da minha crônica anterior, acabo de receber de um grande amigo, Rubens Saboya, o escultor de fortes bronzes com a leveza de um grande poeta, o seguinte e-mail que aqui ficará registrado para sempre:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;"Perto deste lugar&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;repousa um ser&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;beleza sem vaidade&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;força sem insolência&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;coragem sem ferocidade&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;e todas as virtudes, sem os vícios dos homens&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;este elogio, que não passaria de adulação absurda&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;se estivesse escrito sobre cinzas humanas,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;é apenas um justo tributo à memória de&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;Boatswain, um cão&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;nascido em Terra-Nova em maio de 1803&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;e morto em Newstead Abbey, em 18 de Novembro de 1808"&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;Lord Byron nasceu em 1788, ele tinha 20 anos&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;quando escreveu este epitáfio.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;A biografia da qual retirei o texto é de André Maurois, boa&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;de ler!&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;O Byron é um dos meus heróis&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;Beijo e abraço saudoso, Rubens&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; "&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Só tenho que agradecer ao Saboya este presente que partilho com meus amigos e leitores,&lt;br /&gt;em homenagem à arte dos dois...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-5971894227777726407?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/5971894227777726407/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=5971894227777726407' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/5971894227777726407'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/5971894227777726407'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2011/01/e-um-grande-presente.html' title='........E UM GRANDE PRESENTE'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-7132150007070111992</id><published>2011-01-26T07:09:00.000-08:00</published><updated>2011-02-19T11:22:39.920-08:00</updated><title type='text'>CRÔNICAS DOLOMÍTICAS...</title><content type='html'>Dolomíta é o nome geológico de uma rocha incomum. É muito típica de uma parte pequena dos Alpes, quase no último trecho à direita de quem olha o mapa, da cadeia montanhosa em arco que forma a fronteira natural da Itália. A rocha tem como característica uma coloração rosada que por seus cristais embutidos - e não visíveis - cria uma refração única dos raios solares colorindo as pistas nevadas e até os vales verdes mais longinquos.&lt;br /&gt;Foi lá, uma vez ,que admiramos o fenômeno de num pico nevado e ensolarado. No fim da tarde, surpreendentemente, nos foi negada a descida pelo teleférico. O encarregado explicou que havia sido divulgada há poucos minutos a chegada de uma tempestade de vento e neve que colocaria em perigo o trajeto.&lt;br /&gt;Chegaram mais dois casais com o mesmo problema e todos fomos encaminhados para uma "báita": este é o nome que se dá aos refúgios permanentemente espalhados em diversos pontos alpinos para todo tipo de emergências. O mais perto estaria a mais ou menos 150/200 metros de distância, detrás de um pico.&lt;br /&gt;Foi difícil chegar lá, pois todos tinhamos botas para neve, até com os pregos, mas não as raquetes necessárias para não afundar. Enfim, sim chegamos.&lt;br /&gt;Ao entrar tivemos que esperar que dois esquiadores saissem pela única porta escoltando um cachorro San-Bernardo com seu barrilzinho de conhaque no pescoço e um curioso brinco vermelho fincado numa das orelhas. Era a ronda obrigatória em busca de pessoas perdidas ou feridas. Ficamos todos apreensivos imaginando que, sim, afinal, alguém poderia ter ficado para trás.&lt;br /&gt;O interior da báita era quente, confortável, com pufes ao redor das paredes e ao lado da lareira onde, por uma corrente, estava suspenso um balde de cobre com água fervendo. A encarregada, uma velha senhora simpática, descartou com um grande gesto o gatão que estava dormindo no seu colo e que correu a aninhar-se junto de um Pastor-Alemão, que também dormia tranquilo num canto do salão perto de uma pilha de lenha.&lt;br /&gt;A velha senhora, pareceia uma pintura de Bruegel: aparentava mais do que seus 50/60 anos, pela pele queimada do sol, sulcos profundos mas um sorriso encorajador; malha grossa, calças enormes metidas dentro de longas botas peludas, cabelo no topo da cabeça amarrado com um chumaço de fitas coloridas.&lt;br /&gt;Ao distribuir canecas com saquinhos de chá para que nos servíssemos da água da lareira, falava algo lindo mas ininteligível: seguramente um dos dialetos locais, mistura de véneto, alemão da Áustria transalpina e do eslavo adriático.&lt;br /&gt;Canecas na mão, algumas encrementadas com doses de aguardente, começamos e conhecer-nos enquanto o vento uivava lá fora e a neve caia vagarosamente e de tempo em tempo, era varrida por grandes sopros silenciosos.&lt;br /&gt;Os holandeses, falando um inglês arranhado, eram fluoricultores em Keukenhoff, e o outro casal, velhos ingleses que á há alguns anos viviam na França, orgulhosamente confessaram-se exilados gastronômicos.&lt;br /&gt;O tempo passava sem que percebéssemos.&lt;br /&gt;Subitamente, gato e cachorro agitaram-se: orelhas em pé, patas em alerta. Na única janela, vimos os vidros congelados em desenhos cristalinos e pouca neve rodeando lá fora.&lt;br /&gt;O vento havia caido como por milagre e um silêncio se instalou no salão numa expectativa tensa. Antes que alguém pudesse falar, a porta se abriu: entrou o San-Bernardo com seu pelo rígido como estalactites, o sopro de sua fadiga saindo em pequenas fumaças intermitentes de seu bocão aberto.&lt;br /&gt;Foi naquele momento a aventura do imprevisto, a grande emoção que cortou a respiração de todos os presentes, menos a da velha senhora que continuou sorrindo como se soubesse o que aconteceria. O gatão malhado e o Pastoralemão encurralaram o San-Bernardo para o canto da sala, junto das lenhas e antes mesmo que a encarregada conseguisse retirar o barrilzinho do pescoço do cão quase congelado, os outros animais começaram a lambê-lo a partir dos olhos e das orelhas, no sentido do pelo até o rabo curto e rígido.&lt;br /&gt;O gato,  chegando ao rabo, voltava à cabeça passando por cima do cachorro já na metade do caminho, numa alternância rítmica e carinhosa.&lt;br /&gt;O silêncio foi absoluto durante muitos minutos e a imobilidade de todos foi interrompida pela senhora inglesa ao meu lado que, num gesto calmo e discreto, passou-me um lencinho amarrotado e já molhado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-7132150007070111992?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/7132150007070111992/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=7132150007070111992' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/7132150007070111992'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/7132150007070111992'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2011/01/cronicas-dolomiticas.html' title='CRÔNICAS DOLOMÍTICAS...'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-3240156828930260268</id><published>2010-12-19T14:05:00.000-08:00</published><updated>2010-12-19T14:43:15.800-08:00</updated><title type='text'>A MORTE DO GOURMET</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Autor : Muriel Barbery&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Título original: Une Gourmandise*&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Editora: Companhia das Letras&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;* Uma iguaria&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;O livro de Muriel Barbery é exatamente isso: uma "gourmandise" literária!&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Crítico gastronômico, temido, aclamado, bajulado e odiado, o Gourmet está morrendo de tanto experimentar, analisar, saborear, criticar, elogiar e...comer, comer, comer os pratos da mais alta cozinha francesa e internacional. Entretanto agora, no leito de morte, tenta obliterar os últimos sabores refinados, em busca do seu paladar original, juvenil, virgem.&lt;br /&gt;Em muitos capítulos ele nos fala dos devaneios, das lembranças, da gama de sensações com uma linguagem máscula, competente, veemente: delicia-se nos aromas, esconde ansiedades e camufla arrependimentos com alguma amargura, algum sarcasmo mas muitos, muitos, muitos sabores.&lt;br /&gt;Logo na página 15 nos deparamos com 14 linhas em que ele parece condensar de uma vez todas as experiências com os ingredientes novos da cozinha asiática, e com outros, para muitos inusitados, para sermos depois brindados nas páginas 34, 35 e 36 com uma verdadeira ode à sardinha. Os relatos que ele faz daquelas sensações tem sabor, aroma e salivação. Em todo o livro os adjetivos que ele encontra para a descrição dos paladares experimentados e relembrados, tem uma coerência específica não somente com cada prato, mas também com cada ingrediente.&lt;br /&gt;Muitas coisas inesperadas continuam aparecendo nessa autora revelação, jovem, surpreendente e eclética: Barbery se investe de muitos autores ao escrever esse livro singular. Ela alterna os capítulos de "autoria" do protagonista, com os de outras pessoas do seu entourage, como fossem depoimentos individuais, tanto que são todos escritos em primeira pessoa. Barbery tem a capacidade de atribuir àquelas pessoas voz própria como se fossem realmente escritos por elas: a autora some em favor de outros autores. Um estilo peculiar a cada personagem - a mulher, a filha, o médico, a empregada, os "chefs", os amigos...&lt;br /&gt;O Gourmet atravessa sua vida, fase por fase, sabor por sabor em busca "daquele". Há um capítulo especial onde retoma as afinidades gastronômica com o cachorro Rhett, em que o "escritor" parece estar construindo uma ante-sala do sabor final que está procurando como seu último desejo; algo tão simples, tão execrado em outras épocas , tão longe da premiada cozinha de um Leclerc, tão democraticamente banal, inconfessavelmente vergonhoso...&lt;br /&gt;Se Barbery nos surpreendeu no seu outro livro ("A elegância do ouriço") ao subverter o "lugar comum" de sua personagem principal, em "Gourmandise" ela nos garante grandes iguarias futuras.&lt;br /&gt;Que a Editora fique de olho para nos servir em baixelas de prata as próximas fornadas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-3240156828930260268?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/3240156828930260268/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=3240156828930260268' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/3240156828930260268'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/3240156828930260268'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2010/12/morte-do-gourmet.html' title='A MORTE DO GOURMET'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-1195746810481698891</id><published>2010-12-04T03:25:00.001-08:00</published><updated>2010-12-05T00:26:18.937-08:00</updated><title type='text'>UM ANO NOVO VEM AÍ........</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ZOcj9KIePcg/TPolhr_DCeI/AAAAAAAAAGk/TNudnwfBF7A/s1600/helio.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 137px; DISPLAY: block; HEIGHT: 166px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5546787151733262818" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_ZOcj9KIePcg/TPolhr_DCeI/AAAAAAAAAGk/TNudnwfBF7A/s320/helio.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Madeira, ferro batido, flores. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;E o silêncio.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Digno de um pátio andalúz.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas é só um recanto romântico&lt;/div&gt;&lt;div&gt;escondido numa cidade caótica como São Paulo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Saiam,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Caminhem,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Descubram...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;                                                            E tenham todos um ano feliz!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-1195746810481698891?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/1195746810481698891/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=1195746810481698891' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/1195746810481698891'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/1195746810481698891'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2010/12/um-anonovo-vem-ai.html' title='UM ANO NOVO VEM AÍ........'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ZOcj9KIePcg/TPolhr_DCeI/AAAAAAAAAGk/TNudnwfBF7A/s72-c/helio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-4249699594905624784</id><published>2010-11-25T05:32:00.001-08:00</published><updated>2010-12-06T12:24:39.265-08:00</updated><title type='text'>RUBENS SABOYA, escultor. Velho amigo</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ZOcj9KIePcg/TO5lwzHzKLI/AAAAAAAAAGU/TZVkT6aIMKs/s1600/GUERRE%257E1.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 215px; FLOAT: right; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5543480080370706610" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_ZOcj9KIePcg/TO5lwzHzKLI/AAAAAAAAAGU/TZVkT6aIMKs/s320/GUERRE%257E1.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ZOcj9KIePcg/TO5lkJ43lEI/AAAAAAAAAGM/n8EHwskIta8/s1600/ABSTRA%257E1.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 253px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5543479863143797826" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_ZOcj9KIePcg/TO5lkJ43lEI/AAAAAAAAAGM/n8EHwskIta8/s320/ABSTRA%257E1.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Escultor de deuses e heróis. Bronzes imponentes cujo peso do metal é menor do que a força de suas formas. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Amigo antigo, é sabedor da admiração que lhe tenho. E não só pela qualidade e importância de suas obras, mas principalmente pelo intrínseco que são os sentimentos dele que elas escondem: sensibilidade, contemplação, ascetismo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aqui a prova nas poucas linhas que me mandou por e-mail outro dia, assim como vieram:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Oi, Bruna! Você me deixa feliz quando nos falamos. Bom resumo, né? Sou meio troglodita com o pc e web; pra complicar minha conexão anda como um jabutí. Mas vou me virando. Mandei procê um arquivo, igual ao que tem a Rosana. Estou decidido a voltar pro Rio, a despeito daquele calor africano. Ainda tenho dúvidas do que fazer com meu sitio. O fato é que estou apaixonado pelo jardim, e jardim significa também pessegueiro cheio de frutos, filhote de passarinho cantando num ninho em cima da minha janela, pássaros (muitos, de todo tipo, coisa de louco), sapos, borboletas, pirilampos, céu estrelado, sol entrando na cama de manhã com direito a arco iris às trés e meia da tarde. Também o som que faz o bambuzal quando passa o vento: uma criatura de fazer inveja de tão bela e sonora. E o rumor do rio espremido entre as pedras...&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Não vou a São Paulo há dez anos, um absurdo. Quando for, iremos nos encontrar e tomar um café num lugar bacana com a Rosana. Tá legal?&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Vou mandar também um arquivo com vinte fotos via web prati. Esse "prati", que saiu sozinho por vontade própria, parece Tupy, né? Me avise se receber, pois tenho cá minhas dúvidas...&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Muitas saudades, beijos miiiiiiiiiiiiil !&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O que eu posso responder a tamanha maravilha? algo simples e talvés lacônico:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;no pc e web eu também sou troglodita, mas consegui tudo o que você mandou e tudo o que eu queria do seu curriculum e de seu espirito. O ponto alto do seu texto, além da poética, é a palavra "rumor", que ninguém usa mais e sempre substitue por aquele vazio "barulho" por que ninguém se dá conta de quão altissonante e onomatopáico o "rumor" é!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Até nosso proximo café por aqui. Beijos Bruna.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PS. Quis publicar também uma das fotos do seu sítio no fim de todo esse texto e não consegui! &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Vc viu? não é só vc ruim de computação...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-4249699594905624784?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/4249699594905624784/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=4249699594905624784' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/4249699594905624784'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/4249699594905624784'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2010/11/rubens-saboya-escultor-velho-amigo.html' title='RUBENS SABOYA, escultor. Velho amigo'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ZOcj9KIePcg/TO5lwzHzKLI/AAAAAAAAAGU/TZVkT6aIMKs/s72-c/GUERRE%257E1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-6552346019562912927</id><published>2010-11-22T03:30:00.000-08:00</published><updated>2010-11-27T12:20:37.743-08:00</updated><title type='text'>ENFIM, VIDA</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Para Cecilia: a serenidade em pessoa... &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;--Gosto muito de você, Martha, como uma irmã...&lt;br /&gt;--Então, André, por favor, não me dê mais carona quando me vê no ponto do ônibus; não me chame mais para consultar textos de arquitetura; não queira me levar para casa na saída da faculdade...nunca poderia ser sua irmã...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pé no chão, engolindo em seco. Eu sabia da Júlia, a namorada já de muito tempo do André. Até considerava-me melhor que ela em muitas coisas, mas não tinha por que agredir-me, anular-me, esperar mais.&lt;br /&gt;Havia aprendido com André a amar o mar e a vencer-lhe o medo; havia descoberto nele um homem aplicado, eficiente (...quem consegue trocar linda e limpamente um pneu em poucos minutos e ainda com um sorriso radioso?...); atencioso, sociável, generoso (...distribuir aos colegas de turma, com carinhoso tom de brincadeira, uns ovinhos despretenciosos junto com um abraço e votos de Boa Páscoa...); e quem esbanja na praia tamanho corpaço com tanta simplicidade e modéstica como fosse um atleta invisível?...&lt;br /&gt;Quantas vezes havia-me arrependido de ter cortado o contato para não sofrer. Quantas vezes havia esperado que ele se reaproximasse dando-me uma chance de conquistá-lo... Muitos meses e um sonho a ponto de ser jogado numa gaveta junto com as bijuterias passadas de moda.&lt;br /&gt;Bastou um telefonema.&lt;br /&gt;Aí é que a memória esconde-se nas águas mornas e placidas de um lago tão azul, tão sempre iluminado, que o arco-iris passou a ser paisagem permanente.&lt;br /&gt;Parece uma história tão simples, tão corriqueira. O sonho dourado de todo sonho de amor: conseguir e conquistar para sempre aquele que havíamos considerado inatingível, perdido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora, a caminho de nossa casa de praia, parados na estrada, com meu menorzinho no colo, dou um jeito de acariciar, no banco traseiro, a cabecinha morena de Tomás e, na reconstrução de uma cena longinqua mas ainda viva e vibrante, lhe digo:&lt;br /&gt;    "Vai lá Tomasinho, vai ver como um homem bacana como o papai consegue trocar um pneu sorrindo e quase sem sujar as mãos..."&lt;br /&gt;Ele vai e eu fico: a outra metade da família confiante.&lt;br /&gt;À noite estaremos todos em casa, só com o barulho do mar e o chiado da espuma contra o casco do barquinho.&lt;br /&gt;Amanhã é dia de catar conchas, de fazer castelos de areia, de aprender a remar.&lt;br /&gt;    De viver.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-6552346019562912927?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/6552346019562912927/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=6552346019562912927' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/6552346019562912927'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/6552346019562912927'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2010/11/enfim-vida.html' title='ENFIM, VIDA'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-6400514571647230444</id><published>2010-11-17T01:08:00.000-08:00</published><updated>2010-12-06T12:27:20.609-08:00</updated><title type='text'>PARA FLAVIA........</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;A NOVA NETINHA DA SANDRA, A QUEM DEDICO ESTE CONTO DE CRIANÇAS, QUE UM DIA A VOVÓ LERÁ PARA ELA E ACABARÁ FALANDO DE MIM....&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;"O narizinho de Clarinha"&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Clarinha está na frente da televisão: já fez a lição de casa e já arrumou os brinquedos no seu quarto. Acaricia o pelo encaracolado de Bilíu, o poodle cor de pêssego, acocorado no seu colo, focinho para cima, olhando para ela.&lt;br /&gt;Clarinha começa a correr os canáis procurando o desenho animado que vê todos os dias naquele horário. Seis anos de pura educação, obediência e tranquilidade.&lt;br /&gt;--"Clarinha, a gente não limpa o nariz com o dedo!"&lt;br /&gt;A mãe entra e sai da sala, arrumando coisas, regando plantas, sempre atarefada.&lt;br /&gt;--"Clarinha tira o dedo do nariz!"&lt;br /&gt;No vídeo, a princesa colhe flores.&lt;br /&gt;--"Clarinha, pelo amor de Deus, você sabe que isto não se faz. Será possível que todos os dias devo repetir dezenas de vezes tira o dedo do nariz? Pare de tirar melecas!"&lt;br /&gt;E Clarinha, enquanto a mãe sai da sala:&lt;br /&gt;--"Mas mãe, Bilíu adora..."&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-6400514571647230444?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/6400514571647230444/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=6400514571647230444' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/6400514571647230444'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/6400514571647230444'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2010/11/para-flavia.html' title='PARA FLAVIA........'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-8398194940420820366</id><published>2010-10-25T12:06:00.001-07:00</published><updated>2010-12-05T14:49:29.689-08:00</updated><title type='text'>"MIOSÓTIS"</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"MIOSÓTIS...&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na penumbra do bar, só a chama da vela. Palavras ao vento, átonas. Um leve deslizar de seus dedos debaixo dos meus e os meus começando a cobrir os dela. A surpresa do contato hermético do dorso de suas mãos na palma das minhas, a súbita irrefreável necessidade de uma aderência total, de peles e pelos, de contornos e de rugas. E de cheiros.&lt;br /&gt;Algo tão forte que não pôde ser negligenciado, nem perdido, nem adiado.&lt;br /&gt;No semitom de sua voz, um curto bemol: meu nome "Tom".&lt;br /&gt;Seu aroma tem encharcado meus dias, por meses. Ana, meu braço direito, minha interprete, meu apoio seguro na lida com jovens estagiários cujas ansiedades profissionais puseram frequentemente em xeque meu equilibrio didático.&lt;br /&gt;Agora minha missão acabou. Volto para casa...&lt;br /&gt;A poltrona do avião, o cinto de segurança, meu próximo destino: o frio de Chicago.&lt;br /&gt;Quero esquecer tudo mas não posso. Foi forte demais, definitivo demais.&lt;br /&gt;E tarde demais.&lt;br /&gt;Hoje de manhã a despedida. O vapor do chuveiro a envolver-nos, a exalar de novo o perfume que já era a própria Ana, e que agora tinha sabor.&lt;br /&gt;"O que é?"&lt;br /&gt;E sua voz abafada no escorrer do meu peito: "Wind".&lt;br /&gt;A sacola do freeshop me queima as mãos: a miniatura vermelha da Ferrari para Rick, a bonequinha em traje típico para Lilly. Mas a caixa dourada do Wind foi um erro.&lt;br /&gt;Ter comprado o perfume para Jenifer foi um erro. Sinto-me aviltado, desprezível, envergonhado...o que faço com isso...&lt;br /&gt;Sempre amei Jenifer, sua flexibilidade de atleta, seus orgasmos sussurrados para que não passassem das paredes, sua tranquilidade, seu rastro de alfazema que incorpora o cheiro dos mil abraços dos meus filhos, das gavetas arrumadas, dos lençois frescos de estampas campestres. E aquele seu "Tom" com um O infinito em dois tons, como se me chamasse sempre de longe...Sou um estúpido, um covarde...Não posso levar o Wind para ela...&lt;br /&gt;O que faço com isso...&lt;br /&gt;Vou largá-lo no avião, esquecido de propósito. Ou talvez o dê à aeromoça que me serve o drinque. Mostro-lhe o papelzinho enrolado que Ana deslizou no bolso de minha camisa no último abraço.&lt;br /&gt;"Conhece esta palavra? morei aqui só poucos meses..."&lt;br /&gt;Um sorriso quase maroto, mas a voz inalterada:&lt;br /&gt;"Miosótis? é uma florzinha azul pequenina, sem cheiro, vocês a chamam forget-me-not..."&lt;br /&gt;Foi como sorver minha última esperança de esquecer.&lt;br /&gt;Aqui, agora, perdido entre duas ausências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;...FADED AWAY"&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ontem, alguém: "Ana e seu sorriso?"&lt;br /&gt;Já passei pela fúria titânica de Medéia.&lt;br /&gt;Já me investi em Parcas a re-fiar e re-tecer sua vida e a minha.&lt;br /&gt;Em Penélope rebordei meus sonhos, aceitando a espera.&lt;br /&gt;As linhas estão perdendo a cor.&lt;br /&gt;Já faz muito tempo.&lt;br /&gt;Tempo demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até já ganhei uma promoção importante pelo tanto que aprendi aqui com você...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E você, Tom, me ligando ainda com seu desespero da ausência.&lt;br /&gt;Parece fazer questão de me trazer sua voz, e com ela nosso suor.&lt;br /&gt;Mas nunca me diz "venha".&lt;br /&gt;E nunca me diz "venho".&lt;br /&gt;A espera - e o esperar - mudam as pessoas.&lt;br /&gt;Se eu fosse, talvez você não fosse mais o mesmo.&lt;br /&gt;Se você viesse, talvez não me reconhecesse.&lt;br /&gt;A ansiedade da espera acaba com a realidade de projetos.&lt;br /&gt;E o tempo acaba com os projetos.&lt;br /&gt;Tenho em você um grande amor vivido.&lt;br /&gt;Não vou esquecer.&lt;br /&gt;Ainda tenho porquê viver.&lt;br /&gt;E quando Athropos cortar meu fio, terei de volta o sonho.&lt;br /&gt;Intácto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-8398194940420820366?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/8398194940420820366/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=8398194940420820366' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/8398194940420820366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/8398194940420820366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2010/10/e-agora.html' title='&quot;MIOSÓTIS&quot;'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-3036146995366744330</id><published>2010-09-12T07:05:00.000-07:00</published><updated>2010-09-19T16:51:38.348-07:00</updated><title type='text'>ALMA DE APETRECHO.....</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;UM CONTO DE ALGUMA FORMA INSPIRADO NO "TONHA'"&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;DE MARCELINO FREIRE&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nunca cheguei a saber como nasci, como e quem me fez. Só me dei conta que eu existia quando vi, ao meu lado, numa banca de feira, coisas parecidas comigo. Parecidas sim, mas não iguais. Tinham cabeças arredondadas, maiores ou menores, mas fundas e com cabos bem mais longos do que o meu. Só soube do meu uso depois que alguém me levou para casa, carregando-me em riste como um troféu. Agora eu sei quem sou e estou contente.&lt;br /&gt;Estou aprendendo a distinguir os sabores, os cheiros e o roteiro de minhas intervenções nas panelas desta tal Tônha a quem tanto se dirige a mulher sem nome que me comprou na feira.&lt;br /&gt;Sem nome ou muitos nomes? A criançada vem correndo pela cozinha roubando guloseimas e a chamam mãe, mamãe, manhêee. O único homem que raramente passa por aqui diz "querida" e ela atende. Mas um nome ela deve ter: quando fala com Antônia, Antônia responde sempre "simsenhora"; às vezes diz "Dona..." mas depois do Dona, fala alguma coisa incompreensível como se a própria Antônia não soubesse o que é, pois enrola a lingua e só pronuncia umas últimas letras,....rela...mela...gela, sei lá.&lt;br /&gt;É aquela senhora-querida-mãe-manhêe que passa pela grande vasilha de louça onde eu moro junto com espumadeiras, conchas e peneiras; me tira de lá, me recoloca, cabo adentro, cabeça para fora e reclama:&lt;br /&gt;"Tônha, essa não é uma colher de pau qualquer, é uma espátula de madeira!"&lt;br /&gt;"Simsenhora"&lt;br /&gt;"Tônha, já disse que se você coloca minha espátula com a cabeça para dentro da vasilha, ela nunca vai secar direito e acaba mofando justo na parte que entra na minha comida!"&lt;br /&gt;"Simsenhora - e bufa baixinho- chata".&lt;br /&gt;Mas eu gosto mesmo quando essa Dona-não-sei-o-que me usa para aquele mingau especial que só ela faz.&lt;br /&gt;Me pega com suas mãos leves: um jeito muito especial de me segurar com polegar e indicador na metade do meu cabo, unhas cravadas na palma da mão e os outros três dedos bem enrolado apertadinhos como fossem um tambor, que ele usa para, de vez em quando, dar um impulso mais enérgico ao meu rodopiar dentro da caçarola. E lá vou eu raspando o fundo com minha parte final, reta e mais fina do que o resto daquele retângulo lisinho e chado que forma minha cabeça. É muito quente esse mingau, mas pelo menos não tão irritante quanto o frigir dos refogados da Tônha. As laterais de minhas bordas catam e empurram para o centro o pouco de mingau que começa a grudar nas paredes: sempre no mesmo sentido, da direita para a esquerda até o centro, da direita para a esquerda até o centro e vai, e vai. Só de vez em quando ela inverte o meu caminho, mas só uma vez: é quando as bolhas do mingau crescem, se rompem e, bufando soltam o vapor "pppfffpppfff"..Eu não devo deixar que isso aconteça, e é por isso que me invertem o caminho. Se o vapor sai, o mingau engrossa antes da farinha estar cozida.&lt;br /&gt;É o meu chchctttchchcttt no fundo e chchtttchchttt nas paredes, que achatam as bolhas e as anulam. Eu não consigo ver o rosto daquela senhora-manhêe-querida, mas sei que quando isso acontece ela está feliz.&lt;br /&gt;Outra coisa que me agrada é que nesse mingau não tem sabores nem temperos diferentes: eles vão só naquilo que o meu mingau acompanhará. Assim me sinto mais limpa, inclusive por que a senhora-querida-manhêee, faz questão de me lavar, em muita água corrente: com poquíssimo detergente e uma escovinha macia, ela retira todo o grude e rapidamente esfrega minhas paredes e meus contornos com seus dedos delicados. É quase uma caricia.&lt;br /&gt;Ah, sim, muitas vezes antes de abrir a torneira ela me lambe e estala a língua.&lt;br /&gt;Um dia ela chegou a dizer: "É assim que se faz uma boa polenta".&lt;br /&gt;E tenho certeza que ela estava sorrindo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-3036146995366744330?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/3036146995366744330/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=3036146995366744330' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/3036146995366744330'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/3036146995366744330'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2010/09/alma-de-apetrecho.html' title='ALMA DE APETRECHO.....'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-980330748696404236</id><published>2010-09-06T14:32:00.000-07:00</published><updated>2010-09-06T15:44:08.425-07:00</updated><title type='text'>JÚLIO CORTÁZAR E SEU CONTO "AS LINHAS DA MÃO"</title><content type='html'>É a morte voluntária e sua corriqueira grande insignificância. Uma retrospectiva em que o autor percorre o caminho da vida de um desconhecido, caminho esse que parece ser só um trajeto físico e urbano. Ao mencionar um quadro de Boucher - pintor do século XVI de cenas predominantemente bucólicas - Cortázar confere certa serenidade à decisão final daquele ser anônimo que nos parece sorrir lembrando a mulher amada reclinada num sofá; ou sobressaltado pelo lampejar de raios; ou amargurado pela reminiscência das lindas pernas de uma loira que ele poderia ter abordado mas não o fez.&lt;br /&gt;A posição do autor é isenta, impessoal: respeita a decisão de quem escolheu sair da vida tão totalmente e anonimamente que perpetra o suicídio num navio, fora do núcleo onde viveu. E não importa quem ele fosse: marinheiro, ou amante rejeitado, ou exilado repudiado pelo próprio país. Nem importa a razão de sua decisão: qualquer que ela tenha sido, carta de abandono, aviso de extradição ou vaticínio de cartomante. É assim que o suicida, - que já ouve o apito da partida do navio e que já pode prever a gritaria das gaivotas na espuma da popa - tem certeza que só será achado no alto mar, aquele mar que será sua sepultura. O dito e o não-dito: amarga poesia.&lt;br /&gt;Na metáfora usada pela linha da vida que percorre casas e ruas, o autor apresenta como argumento complementar, a impermeabilidade de uma cidade que, apesar da tragedia em curso, continuará a ser a mesma cidade. Perderá um ser mas, sem emoção, continuará a renovar-se nos quadros das paredes, nas costas de uma mulher, nos tetos cobertos de antenas e para-raios, no trânsito das ruas, na má vontade dos conferentes alfandegários, nos navios chegando e noutros partindo levando seus floridos turistas. E, quem sabe...talvez mais um suicida a bordo.&lt;br /&gt;Júlio Cortázar, considerado pela Enciclopédia Larousse (edição 1977) um escritor que mescla realismo social e político à inspiração fantástica, foi definido, por seu amigo, o cineasta Antonioni, "un comunista all'acqua di rose" (comunista floreado idealista) por seu engajamento político sem todavia ter-se envolvido em luta armada, mas contando unicamente com a força de suas palavras. Apesar de sua tendência ao fantástico, ele frequentemente - como fez agora com Boucher - cita em seus contos, pintores das mais diversas escolas (Tiziano, Holbein, Magritte), comprovando assim estar confortável como pensador de qualquer tendência, do bucólico ao renascentista e do retratismo clássico ao mais ousado surrealismo.&lt;br /&gt;No conto "As linhas da mão", revela-se ao leitor como um autor essencialmente "concretista", de uma concisão muito peculiar e, ao mesmo tempo, com um sentido muito preciso de uma realidade viva sim, mas oculta. Por pesquisa, por instinto ou por sofrida experiência, Cortázar tem um profundo conhecimento do "pathos" humano, tanto de personagens quanto de leitores. A definição de "pathos" não é aqui somente a "paixão" humana, mas a inclusão intencional, e com alguma enfase, das confusões da alma e suas manifestações mais obscuras. Só que Cortázar não as descereve mas as deixa implícitas nas ações de seus personagens. Em seus contos eles são anônimos, sem nacionalidades, sem identidade, frequentemente sem nome. Tanto faz que eles se chamem João, estejam em Roma ou Paris, sejam argentinos, belgas ou escandinavos: eles se comportam como indivíduos sem bagagem histórica e não são afeitos a obediências ancestrais. São indivíduos na mais completa asserção da palavra: seres únicos naquele preciso momento, naquela precisa situação. E sem julgamento.&lt;br /&gt;Cortázar sabe destilar um sarcasmo quase jocoso, como fez no conto "Sábio com buraco na memória": tão forte quanto "As linhas da mão", aquele texto é ainda mais conciso, e torna-se sarcástico e folclórico, misturando casos históricos, citações populares, pequenos provérbios e frases feitas. Talvez justamente um dos textos mais representativos das qualidades que fizeram de Cortázar um dos escritores contemporâneos mais universais entre os autores latino-americanos.&lt;br /&gt;]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-980330748696404236?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/980330748696404236/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=980330748696404236' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/980330748696404236'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/980330748696404236'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2010/09/julio-cortazar-e-seu-conto-as-linhas-da.html' title='JÚLIO CORTÁZAR E SEU CONTO &quot;AS LINHAS DA MÃO&quot;'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-5841142875451745747</id><published>2010-08-24T13:10:00.000-07:00</published><updated>2010-09-27T14:04:04.726-07:00</updated><title type='text'>CLARICE LISPECTOR E O SEU  "POR ENQUANTO"</title><content type='html'>No conto "Por Enquanto" Clarice Lispector trata da solidão. E não só a de viver só, mas também a das horas que parecem não passar entre compromissos e afazeres, entre hábitos individuais e sociais, entre uma vontade e outra. O problema é que aqueles "por enquanto" são "entre-atos" que nos obrigam a achar o que fazer, onde colocar as mãos, onde sentar; enquanto esperamos o momento destinado a outras coisas, eles se transformam no perigo de sentir-nos não mais sozinhos, mas inúteis. E é aí que recorremos a coisas sem importância, como comer fora de hora sem necessidade e sem fome, só para tentar achar alguém ao nosso redor, nem que seja a cozinheira.&lt;br /&gt;Os "por enquanto", os "entre-atos" se transformam mais uma vez: em "para que". E os "para que" de Clarice são perigosos demais pois podem levar a respostas que não gostariamos de saber dar. Então ela, corajosamente, esforça-se para substituir os "para que" com os "por enquanto" de antes. O leitor pergunta-se: para que marcou uma visita para as oito horas? Arrependeu-se de te-la aceito? E quem será? E para que aquela visita? Ou a programou somente para que o dia das mães não terminasse com o almoço com o filho? Um filho que tem tão pouco volume na história, que, aguardando a hora de sair de casa para almoçar com a mãe, preenche o tempo indo fazer pipí. Esse filho que não mereceu nenhuma descrição outra que a de, obedientemente, ter deixado de levar presentes. Mas quem é ele, como é? Não sabemos.&lt;br /&gt;Entretanto Clarice passa detalhes do almoço: a carne, o vinho. E mais tarde nos da uma comovedora descrição da cozinheira: seu peso cheio de receitas e de sentimentos conflitantes, sua onipresença, seu rosto liso. Só estes detalhes são quase uma carícia. É ela a "não-solidão" de Clarice. É ela quem contribui a dissipar os seus "por enquanto", os "entre-atos", os "para que".&lt;br /&gt;O argumento complementar é a recusa implícita de admitir que aqueles lapsos de tempo podem acabar sendo tão grandes, tão frequentes e tão contínuos que arriscam de transformar-se em definitivas acomodações, em vácuos rotineiros, em assustadores "para sempre" no aguardo da ação final, passiva mas indefectível, que é a morte.&lt;br /&gt;É esse traço que reencontramos, desta vez bem assumido, no final de "A hora da estrela": &lt;em&gt;Meu Deus, só agora me lembrei que a gente morre. Eu também?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O estilo do conto "Por enquanto", - seus saltos repentinos de um argumento para outro, as idas e voltas, os interlúdios entre escrever para esperar, comer para esperar, trocar de roupa, ver televisão, tudo para esperar - parece leve, casual, só porquê é o dia-a-dia. Mas só parece. Ele é intencionalmente trabalhado para que suas frases curtas obriguem o leitor a pausas mais frequentes, enfatizando ainda mais a lentidão do passar do tempo, aumentando a angustia do relógio.&lt;br /&gt;Tudo isto distancia o incauto do estilo ofegante que a autora imprimiu à sua anterior "Água viva", onde ela nos atropela com um mar de palavras, adjetivos, e ansiedades: era o desespero da falta de inspiração de um artista. "Agua viva" foi o ante-parto da inspiração criativa de uma obra. Como numa medusa - tentacular mas translúcida -, dá para sentir as contrações quase vaginais de suas bainhas que impulsionam o animalzinho mar acima, em direção à luz, à claridade interior, esperando o surgir da idéia e sua realização. Confirmação e contraste: a inexistência temporária da criatividade artística, com a quase invisibilidade do celenterado.&lt;br /&gt;Mais contraste ainda é a Clarice de "A hora da estrela", pois numa tentativa de eximir-se da autoria do personagem Macabéa, ela inventa um narrador. Ato de modéstia, pois aquele personagem -a autora sabe - é roubado à realidade de mulheres patéticas e temerárias que se aventuram pelas metrópoles e são engolidas por elas.&lt;br /&gt;Esse contraste, entretanto, cai novamente nas últimas linhas daquela pequena obra prima na qual Clarice coloca, na boca do autor fictício, não somente o "me lembrei que a gente morre", mas - como uma reflexão tardia - um daqueles mesmos "por enquanto" tão seus:&lt;br /&gt;"...por enquanto é tempo de morangos"&lt;br /&gt;É a caleidoscópica Clarice, reconhecível ou não. E, quando irreconhecível, será sempre uma grata surpresa redescobri-la.&lt;br /&gt;Encaixa-se perfeitamente no conto "Por enquanto", uma dica de Cortázar, citada na contracapa do livro "Histórias de Cronópios e de Famas":&lt;br /&gt;"&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Pense nisto: quando dão a você de presente um relógio,&lt;br /&gt;estão dando um pequeno inferno enfeitado.&lt;br /&gt;Uma corrente de rosas&lt;br /&gt;Um calabouço de ar"&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-5841142875451745747?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/5841142875451745747/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=5841142875451745747' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/5841142875451745747'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/5841142875451745747'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2010/08/clarice-lispector-e-seu-conto-por.html' title='CLARICE LISPECTOR E O SEU  &quot;POR ENQUANTO&quot;'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-3411559136459794517</id><published>2010-08-20T11:18:00.000-07:00</published><updated>2010-08-22T13:05:45.814-07:00</updated><title type='text'>SOBRE LIVROS E LEITURAS</title><content type='html'>Já não me importo de ser criticada por não guardar livros. Considero que ler bem uma boa leitura é como tomar um remédio indispensável e, na maioria das vezes de gosto agradável. O organismo o absorbe e tira todo o proveito dele para sempre. Depois disso já não terá importância se a senhora Bovary se chamava Emma ou se o anti-heroi de Dostojewsky foi Piotr ou Istvan, visto que só me lembro do sobrenome Raskolnikov. Em setenta e seis anos de vida tomei muito remédio eficaz - a prova é que ainda estou viva - e não preciso guardar as embalagens. Mas tenho alguns livros na minha estante sim, muito especiais por alguma razão que frequentemente não lembro.&lt;br /&gt;Tenho, por exemplo, livros escritos ou dados por colegas e amigos:&lt;br /&gt;-"Um traço, um ponto, um poema, um conto" da minha querida Sandra Schamas. Uma confissão corajosa e bem humorada tão cuidadosamente elaborada que prosas e poemas se cruzam quase que dançando entre desenhos também de sua autoria.&lt;br /&gt;-"Poemas errados, dias tranquilos" do André Al.Braga que pouco aparece nos cursos mas cujos escritos são sempre reveladores.&lt;br /&gt;"Mosaico" - uma coletânea poética onde há um poema imperdível (Alfarrábios), do pouco assíduo mas surpreendente colega Luiz Antônio de Britto, poema esse que - vejam só - fala de livros.&lt;br /&gt;-"O cavaleiro inexistente" do Italo Calvino, presente inesperado e comovedor do colega Benedito de Oliveira Santos Jr., excelente escritor cujos textos ainda mistos de filosofia e de abstracionismo às vezes me cansam, ma sempre excitam minhas meninges. E é um livro tão importante para mim, visto que trata das aventuras e conjeturas de cavaleiros que lidam com alguém fechado numa armadura, na realidade, vazia! Metáfora desse invólucro em que escondemos nosso verdadeiro ser. E que tem tudo a ver com minha convicção antiga - que Bené sempre soube e que está aí mesmo ao lado, em letras verdinhas, no "quem sou eu"...- de que nós somos muito mais o que os outros acham que somos, do que aquilo que pensamos ser...&lt;br /&gt;E tenho outros livros de que não abro mão:&lt;br /&gt;-"Mistero Buffo" - Dario Fó (Nobel 97), ensaio definitivo sobre as origens do teatro popular de rua, desde quando foi estimulado pela Igreja Católica para que o povo aceitasse os dogmas sem questioná-los, até quando, pela mesma Igreja foi perseguido e excomungado, e até os tempos modernos em defesa e divulgação de idealismos sob forma de cultura.&lt;br /&gt;-"Centúria, Cem pequenos romances-rio" de Giorgio Manganelli, uma imperdível coletânea de perfis humanos revelados com a sutileza de um grande psicólogo.&lt;br /&gt;-"Homens e ratos" - uma saga de bóias-fria em que Steinbeck nos leva a compreender as mentes perturbadas, além de transformar um golpe de misericórdia em ato de amor.&lt;br /&gt;-"O velho e o mar" - a pequena jóia do Hemingway onde a vitória transcende toda a dor da perda.&lt;br /&gt;É assim que todos os livros vem, batem um papo com os definitivos, e vão para outras estantes. Também leio muitos emprestados que devolvo com o mesmo carinho e a mesma devoção com que os leio.&lt;br /&gt;Ah! ia esquecendo: durante muitos anos serviu-me de estímulo e desafio o "Ulysses" do James Joyce, numa velha edição de 1946, gasta e vinda de um sebo da Inglaterra. Desisti de lê-lo e já está do outro lado da minha estante, junto dos livros de arte. Mas seus "Contos Dublinenses", já se foram há muito tempo: se bem me lembro para a Wendy, uma simpática arquiteta que foi minha colega de curso no MAM, nos idos de 2004. Ela fazia o possível para não dizer que seu nome verdadeiro era o super-irlandês "Gwendolyn" da heroina do Rei Artú!&lt;br /&gt;Olá Wendy, desculpe ter revelado seu segredo! Você por acaso segue meu blog? Apareça! Inté...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-3411559136459794517?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/3411559136459794517/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=3411559136459794517' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/3411559136459794517'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/3411559136459794517'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2010/08/sobre-livros-e-leituras.html' title='SOBRE LIVROS E LEITURAS'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-3428550215133311119</id><published>2010-08-20T07:31:00.000-07:00</published><updated>2010-09-13T07:33:33.531-07:00</updated><title type='text'>LEITE DERRAMADO</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Resenha&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; do livro de Chico Buarque, editora Companhia das Letras, 2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente um romance em que Buarque deixa de escrever apenas o relato de uma história como aconteceu em seus livros anteriores, para mim quase irrelevantes.&lt;br /&gt;Em "Leite Derramado" nos deparamos com lembranças e raciocínios magistralmente implodidos na mente de um velho senhor já a caminho da esclerose e da senilidade. O protagonista reconstrói em flashes, nem sempre cronológicos, não somente a própria vida, mas a dos antepassados, desde a opulência das grandes fazendas, até a mais completa decadência moral e financeira do presente. Entretanto a saga daquela família nos chega perfeitamente compreensível e clara pelo cuidado com que o autor a enquadra em cada episódio, com a simplicidade impessoal de quem já perdeu a paixão.&lt;br /&gt;De grande importância é o momento em que o personagem vê pela primeira vez Matilde, o grande amor de sua vida. A imagem, que pontua toda a narrativa, é repetida em muitos capítulos como fosse um refrão: refrão recorrente a cada instante em que o velho parece estar escolhendo as recordações melhores para encaminhar-se ao inapelável final. É nesse final que Buarque coloca o personagem, já narrador que é de toda a história, como narrador também da própria morte. E isso não é para qualquer um.&lt;br /&gt;Em nenhum momento da leitura do texto, nos é impôsto o ritmo angustiante de uma "Construção" nem a monotonia rotineira do "Quotidiano". Buarque parece ter reencontrado sua linguagem poética com a releitura do seu poder de compositor. Afinal as boas canções não deixam de ser grandes monólogos, melhor, solilóquios musicados, e eis aí o Chico de volta como exímio letrista.&lt;br /&gt;E se é verdade que a poética de Chico Buarque transcende a poesia romântica dos Vinícius e dos Jobins, nesse livro ele a entrega ao leitor com condescendência, deixando que cada um arpeje os próprios acordes conforme o ponto em que se encontra sua trajetória de vida.&lt;br /&gt;Daremos aqui ao Chico Buarque de Hollanda as boas vindas ao rol dos Escritores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;PS-&lt;/span&gt; &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Fui investigada por alguns que me cobraram o que, afinal, esse livro significou para mim. Basicamente me indicou o caminho para reavaliar minha opinião sobre o Chico romancista.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Existe também o alerta - mas não acredito tenha sido esta a intenção do autor - de que as doenças do corpo se anunciam por sintomas, até mesmo sem dor, ou por restrições e limitações físicas. A falência da mente é inesperada, silenciosa, indolor; mas não elimina as dores das outras doenças próprias da idade avançada, nem elimina as veleidades e os desejos que nos acompanham durante a vida toda. Só as reveste de maior ansiedade e frequentemente de agressividade, o que é imperceptível ao paciente e deletério para seu entourage.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Estou tranquila: se acontecer comigo, não vou perceber, mas também não vou poder, lamentavelmente, compadecer os que convivem ao meu redor, do que desde já me penitencio.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;E seja o que Deus quiser...&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-3428550215133311119?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/3428550215133311119/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=3428550215133311119' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/3428550215133311119'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/3428550215133311119'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2010/08/leite-derramado.html' title='LEITE DERRAMADO'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-741908832081786034</id><published>2010-08-16T11:51:00.000-07:00</published><updated>2010-09-19T16:53:18.924-07:00</updated><title type='text'>A LINHA AMARELA</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;.......afinal, como é que ela é.....&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Um bebé aos primeiros pasos. Um único trecho. Imperdível.&lt;br /&gt;Foi já à sua entrada, na Rua da Consolação, que minhas antenas se aguçaram. Estava às portas de uma descoberta monumental: saguão belíssimo na sua simplicidade, amplo, claro, concreto a vista, revestimentos de qualidade, aços reluzentes, tudo imponente. Perfeito. Um pé direito altíssimo, detalhes inesperados em alturas aparentemente inúteis, sugerem previsão para ulterioridades.&lt;br /&gt;Um jovem guarda vem ao meu encontro, atencioso de minha canície. Gentilmente recuso o elevador a que ele quer me acompanhar: estou alí para conhecer, perambular. Ele insiste em me apontar, pelo menos, um parapeito no centro do saguão de onde se descortinam os pisos inferiores e depois me mostra o caminho para a descida. Cinco lances de escadas rolantes, bilhetes registrados eletronicamente, vidros temperados que se separam para abrir-me o passo.&lt;br /&gt;Observo detalhes da engenharia arquitetonicamente alçada a obra de arte. Minimalista sim, mas impactante.&lt;br /&gt;Durante a descida, a todos os níveis, posso observar as tubulações de sustentação que, pela posição e acabamento, por suas porcas, parafusos e roscas sextavadas, sugerem à minha ignorância que sirvam também como conduítes para fiações diversas. Talvez.&lt;br /&gt;Ao chegar à plataforma, poucas pessoas à espera, o que facilita a observação dos revestimentos das paredes e de parte dos túneis, com a mesma qualidade e o mesmo bom gosto.&lt;br /&gt;Quase de surpresa e sem estardalhaço, chega o trem. Ao entrar descubro, no vidro de suas portas, minha expressão de contentamento: o inesperado - ah! tão bonito - está desfilando à minha frente. O meu olhar se perde num vagão imenso, longo, ininterrupto e articulado que serpenteia sobre os trilhos com um ruído quase imperceptível. O desenho panorâmico das janelas, o branco leitoso dos bancos que parecem jorrar de tiras de aço escovado como pasta dental de uma bisnaga; os tecidos de revestimento dos assentos com suas cores amalgamadas num tweed de textura acolhedora mas sólida; o suave cinza dos biombos de vidro; um toque de amarelo vibrante aqui e ali. Lindo.&lt;br /&gt;Na tranquilidade do curto trajeto em fase experimental, poucas pessoas, muito espaço vazio para observações minuciosas. Esse longo vagão inteiriço é mais alto e mais largo do que os corriqueiros; vai facilitar a movimentação interna; vai eliminar, pelo menos visualmente, o aperto das horas do rush.&lt;br /&gt;E, lindo como é, vai inspirar o povo ao respeito. É interessante observar como, já nas outras linhas de metrô, as mesmas pessoas que jogariam pelas calçadas e pelas ruas os papeis dos sorvetes que acabam de sugar, o maço de cigarro vazio, as migalhas de biscoitos que roeram a caminho do trabalho, dentro do metrô, guardam aqueles detritos no bolso ou em sacolinhas para depositar nas lixeiras disponíveis às saídas. E é isto que faz com que o metrô paulista esteja entre os mais limpos do mundo! Se os nossos trens, de todas as outras linhas já inspiram os usuários ao comportamento desejável em todos os lugares públicos como se fossem suas próprias casas, seguramente a linha amarela contribuirá ainda mais a abrir o caminho definitivo para o civismo coletivo.&lt;br /&gt;Minha ida e volta Paulista-Faria Lima-Paulista, pareceu rápida demais. Ao sair de novo na Rua da Consolação, mas do outro lado da rua, o barulho da vida me engoliu. Fui para casa a pé, ansiosa por chegar e colocar essa experiência gratificante no papel e no blog. Mas durante o trajeto continuei tão invadida por avalanches de sensações que elas também foram parar aí mesmo, em baixo deste texto, com o título "O OCASO".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;PS: enquanto a linha amarela está assim, &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;com um único trecho&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;para conhecer, &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;vale lembrar o horário de funcionamento:&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;das 9 às 15, e só em dias de semana...&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;......e obrigada ao meu amigo Bené, &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;por ter-me falado dela,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;instigando-me a conhecê-la&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-741908832081786034?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/741908832081786034/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=741908832081786034' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/741908832081786034'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/741908832081786034'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2010/08/linha-amarela.html' title='A LINHA AMARELA'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-5507680693447170301</id><published>2010-08-07T12:59:00.000-07:00</published><updated>2010-09-19T16:57:34.669-07:00</updated><title type='text'>O   OCASO</title><content type='html'>ou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O CAMINHO DE VOLTA DA LINHA AMARELA&lt;br /&gt;PARA A MINHA CASA ......&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Não é grande distância, assim mesmo uma avalanche de sensações andaram invadindo minha mente.&lt;br /&gt;Foi assim também quando, mais de trinta anos atrás, entrei pela primeira vez no recém inaugurado terminal de Roissy. Aquelas escadas rolantes embutidas em túneis transparentes subiam e desciam entrelaçando-se no ar, verdadeiro espaço aéreo interno num pé direiro estratosférico. Naquela ocasião estranhei que eu não estivesse vestida à maneira de Barbarella, heroína cinematográfica que, em 1968, Roger Vadim colocou no século 41 de forma futurista-quase-erótica. As roupinhas incrivelmente bem comportadas, em termos de hoje, que Paco Rabanne criara para o filme, acabaram popularizadas nas mulheres do mundo inteiro, contanto que esbeltas e dinâmicas. E Roissy foi, naquela época, o "non-plus-ultra" da inovação em aeroportos.&lt;br /&gt;Foi assim também quando, naquela mesma época, sai de um cinema atordoada com espaçonaves que dançavam no firmamento ao som das valsas de Strauss, enquanto seus problemas internos, técnicos e humanos, venciam o suspense nas notas dramáticas de Khatchatourian. Quantas vezes depois daquele dia me reprometi investigar se Stanley Kubrick selecionou a suíte sinfônica quando idealizou o filme em 1968, ou se a encomendou ao musico russo especialmente para servir de fundo ao seu "2001: Uma odisséia no espaço". Nunca o fiz, mas sei que nenhum outro tema poderia substituir o som devastador de "Assim falou Zarathoustra". Se Zoroastro, como é mais conhecido aquele personagem mitológico, séculos antes de Cristo, conseguiu constituir a base religiosa do seu povo, ninguém melhor do que sua "voz" para trazer de volta à realidade, e à terra, uma aventura espacial do século XXI, como imaginada em 1968.&lt;br /&gt;Quem manda ruminar tantas coisas ao mesmo tempo...&lt;br /&gt;A minha cabeça agitada por tantos lampejos, num misto de passado e presente-imediato, de repente me forneceu um dado surpreendente: Kubrick, quando idealizou o filme em 1968, adiantou em 33 anos a realização de uma odisséia espacial de 2001. Trinta e três anos! Como a idade de Cristo!&lt;br /&gt;E isso tem importância? Certamente que não! Assim mesmo o raciocinio surgiu e de nada adiantou eu saber que Kubrick era judeu...&lt;br /&gt;E por que todos esses turbilhões...Por que tantas lembranças afloraram junto a sensações, raciocínios e reações surpreendentemente atualizadas, mas baseadas em recordações vindas de tão longe?&lt;br /&gt;Culpa da "Linha Amarela"!&lt;br /&gt;Foi desde minha primeira entrada naquela novíssima estação de metrô, que minhas antenas se aguçaram. E, à minha saída, sabia com certeza que tecnologia, criatividade, ousadia, arrojo e bom gosto haviam desfilado perante meus olhos. E eu estava feliz por mais essa surpresa na minha vida.&lt;br /&gt;Novamente a fantástica demonstração de que ela, a minha vida tão venturosa, sempre caminhou ao longo de descobertas, invenções e criações que, em sua trajetória, atravessando guerras e crises, escreveram o roteiro do futuro.&lt;br /&gt;Mas nenhum roteiro é definitivo: novos horizontes, novas soluções...mais descobertas, mais invenções...novas surpresas, novas criações...novas idéias...&lt;br /&gt;Novos futuros ainda virão. Tudo inaudito, inesperado, incrível, prodigioso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus meu, por que já tenho setenta e seis anos...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-5507680693447170301?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/5507680693447170301/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=5507680693447170301' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/5507680693447170301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/5507680693447170301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2010/08/o-ocaso.html' title='O   OCASO'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-9072384025482708763</id><published>2010-06-04T16:38:00.000-07:00</published><updated>2010-09-07T11:54:38.489-07:00</updated><title type='text'>PROSAS, POEMAS, POESIAS E TENDÊNCIAS SURPREENDENTES</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;curto ensaio sobre um assunto que pretendo aprofundar.....um dia.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;Pois é, Fabiana...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como falei para quem quisesse ouvir: não estou na sua oficina na Casa das Rosas para aprender a escrever poemas, mas para ver se crio o habito de lê-los. Por coincidência, as poucas aulas que já tivemos me levaram de volta a uns oito anos atrás quando assisti no MAM a uma rápida oficina ministrada por Jorge Montesino, membro de um grupo que apresentou como "Poetas Fronteiriços".&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Já ouviu falar?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Os poemas escritos por diversos autores que cresceram e vivem nas fronteiras onde se encontram de muito perto o Portugues, o Espanhol e o Guarani, se pontuam pelo uso livre dos três idiomas. Não lembro muito bem dos textos que lá foram apresentados, mas ficou bem gravada na memória a força que percebi neles, mesmo não tendo nenhuma familiaridade com a lingua indígena. Durante muito anos privei do convivio de diversos amigos argentinos, uruguaios e paraguaios. Aprendi com eles as peculiaridades dos sons, dos significados nem sempre idênticos de palavras idênticas, e de como a substituição de palavras de um idioma por outro pode enriquecer as imagens que se pretende transmitir. Daí o interesse que ficou não tanto no âmbito da poesia, mas no da poética.&lt;br /&gt;Não é de se estranhar portanto que a experiência daqueles poucos encontros no Ibirapuera tenha-me trazido a musicalidade, o ritmo e a sensação de que aquele novo filão literário estava longe de ser uma pesquisa em andamento, mas resultado instintivo de uma cultura que nasceu e se aprofundou com anos e anos de convívio diário dos povos fronteiriços.&lt;br /&gt;Durante as leituras que Montesino fez naquela ocasião, e depois delas, ruminando ainda os sons, as vezes largos, outras insistentes como máquinas, tive certeza de que qualquer um de nós, mesmo conhecendo academicamente os dois ou mesmo os três idiomas envolvidos, não teria a "cultura" necessária para se atrever a escrever um texto como aqueles que ouvi pelos "Poetas Fronteiriços". Aqueles textos não tinham nada de "macarrônico", pois o termo soa como pejorativo. O Koogan-Larousse define a palavra como:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"gênero irônico em que à lingua original se adicionam, na tentativa de parecer douto, palavras latinas ou de outros idiomas. Diz-se também de qualquer idioma escrito ou falado erroneamente na tentativa de fazer-se entender, ou burlescamente, para ironizar".&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;O que eu ouvi do poeta Montesino, foi literatura de qualidade onde se percebe que a escolha de uma palavra num idioma - comandada por um verbo de outro ou viceversa- é instintiva e provém de um convivio tão profundo e regular que garante ao autor, sem vacilar, a eficácia mais segura e mais vívida. O fronteiriço lida da manhã até a noite não só com as demais culturas, mas com sons de outros seres, de sua música, de sua expressão corporal, de seu gesticular; inclusive das reações a certas coisas que ele vê nos "outros", para as quais ele, o fronteiriço, reage de outra maneira ou não reage de todo. O fronteiriço incorpora até os cheiros e paladares de outras culinária, fazendo com que haverá momentos em que, estando em outro lugar, lhes farão falta certos sabores e certos temperos. Isto lhe traz a cultura alheia que ele fez sua; a intimidade do sentido de cada palavra fará com que - instintivamente - ele possa escolher o termo que melhor comunicará aos outros, e que seja mais apropriada para expressar-se até na propria língua.&lt;br /&gt;Ao final da oficina tive que elaborar um exercício em forma de poema, que intitulei "Saudades Fronteiriças". Sei que ele é uma fraude: os sentimentos que me levaram a relembrar meus amigos -a maior parte artistas com cujas obras convivo ainda - são legitimos e sinceros, mas a forma de meu texto é rebuscada do momento que tive que procurar, estudar, remanejar os "onde" e os "quando" misturar idiomas. Sem contar que não pude incluir o guarani de que não tenho realmente noção alguma.&lt;br /&gt;Para dar um exemplo, somente consegui usar a palavra "saudade" no título. O poeta fronteiriço saberia quando usar a palavra "saudade", abstrata mas tão doce e tocante; porém ela exige de quatro a cinco outras palavras para formar a frase que a expresse; eu recorri ao simples e incisivo "estrañar", mais dramático, visceral e seguramente mais compácto. A palavra saudade interromperia o ritmo que estava jorrando das minhas saudades românticas para as do papel. Por ser uma fraude, minha "Saudades Fronteiriças" é, sim, um texto macarrônico e se o achasse (sò Deus sabe que fim levou, pois ainda estou a procura daquela página...) e o mostrasse, todos perceberiam isto facilmente. Qualquer um adivinharia onde deixei uma palavra em portugues e onde a transformei em espanhol. Assim mesmo tive a coragem de ler na classe o meu "poema" (e eu que estava certa de nunca ter escrito poemas...) e Montesino seguramente me perdoou, pois até fez um "cafunê" no meu cabelo bem menos branco do que agora, e sorriu.&lt;br /&gt;Nunca mais ouvi falar dos poetas fronteiriços e, sob o ponto de vista cultural, lamento que eles não tenham tido uma divulgação mais ampla.&lt;br /&gt;É provável que ao longo dos tempos venha realmente a ser criado um idioma comum àqueles três, e adotado em toda a América Latina. Foi dessa maneira que criou-se - por exemplo - o Papeamento, língua oficial das Antilhas Holandesas, baseada no Holandês, Espanhol, Portugues e Inglês. Tem gramática e regras próprias, é ensinada, escrita e falada por cerca de um milhão de habitantes das Ilhas Bonaire, Curaçao, Aruba e até do pequeno arquipélago das Ilhas de Roque, recentemente transferido geográfica e politicamente à Venezuela, onde não sei se agora o novo idioma permanecerá. Em Oranjestaad (Aruba) e Willemstaad (Curaçao) existem bilbiotecas em formação para abrigar a produção literária em Papeamento, ainda pequena por ser idioma tão recente.&lt;br /&gt;Papeamento não é o único exemplo de idioma "fronteiriço" originado da fusão de outros. A Suissa tem quatro idiomas oficiais: alemão, frances, italiano e romanche, mas em todos os Cantões fala-se correntemente o Switzerdutch, que incorporou os quatro. Na África do Sul, o Africaans nasceu da fusão do Holandês, Inglês e diversas linguas tribais. O Africaans e o Inglês são hoje linguas oficiais: o ensino é feito nas duas e a programação de rádio e televisão é transmitida alternadamente.&lt;br /&gt;Tudo isto já está acontecendo no mundo sem que quase se perceba. Com a globalização, e a evolução do sistema de comunicação e locomoção pelo mundo, mais e mais vezes estes exemplos se multiplicarão. O Continente Americano é solo fértil para isto: a latinidade, a sempre crescente miscigenação até no hemisfério norte, o convívio harmônico com os remanescentes povos indigenas, o estreitamento das relações comerciais e culturais agora em andamento; tudo isto solidificará a criação de uma proximidade linguística mais forte e - um dia - definitiva.&lt;br /&gt;O que vi, ouvi e apreciei de Jorge Montesino é o começo consciente, portanto instintivo e espontâneo, daquilo que poderá vir a ser uma realidade. Para ser aceito no mundo literário universal, deverá cair, como está começando a cair, a rigidez das fronteiras, fazendo com que os povos sejam amalgamados numa harmonia que um dia possamos chamar paz.&lt;br /&gt;Utopia?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-9072384025482708763?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/9072384025482708763/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=9072384025482708763' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/9072384025482708763'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/9072384025482708763'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2010/06/prosas-poemas-poesias-e-tendencias.html' title='PROSAS, POEMAS, POESIAS E TENDÊNCIAS SURPREENDENTES'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-8248313328549329797</id><published>2010-05-31T07:26:00.000-07:00</published><updated>2010-05-31T10:53:10.265-07:00</updated><title type='text'>TOMATES SENTADOS</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;HOJE HELGA JANTA COMIGO.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Esse texto de 2008 entra pela primeira vez no&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;meu blog em homenagem&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;a ela. É o prato que vou&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;fazer para ela experimentar&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;e ela tem os mesmos &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;27 anos&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;que minha filha tinha quando eu exumei &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;a receita&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;de meus arquivos sensoriais. As duas,&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Helga e minha filha Andrea, são pessoas&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; &lt;em&gt;&lt;strong&gt;muito especiais. &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Ohiyo é uma japonesa dos seus cinquenta anos, cuja banca de feira frequento há muito tempo. Ela traz sempre pouca quantidade de cada tipo de verduras, só verduras, mas tudo é fresquinho, limpo e bem arrumado. Como bonus entre as várias tonalidades de verde, seu sorriso acolhedor. Quando me vê, sua primeira pergunta é sempre a mesma: "Hoje vai querer tomates sentados?" Tudo isto desde quando notou que -nem sempre mas bastante frequentemente - eu selecionava os tomates colocando-os, um de cada vez, na palma bem esticada de minha mão. Até o dia em que ela não aguentou e perguntou a razão. Expliquei:&lt;br /&gt;"Quando compro tomates para fazê-los recheados eles precisam ser maduros mas firmes e, o mais importante, é que eles devem poder ficar bem sentados".&lt;br /&gt;Ela perdeu o sorriso e arregalou os olhos:&lt;br /&gt;"Como é?"&lt;br /&gt;Descrevi:&lt;br /&gt;"Quando os coloco na assadeira, eles devem sentar bem, estar bem equilibrados se não o recheio cai durante o cozimento. Por isso eles devem ser redondos mas com a parte inferior ligeiramente achatada. Aqueles ovais nunca ficam em pé: só servem para saladas ou molhos".&lt;br /&gt;Agora ela sempre tem uma meia duzia que guarda para mim e nunca fica chateada se, justo naquele dia, eu não preciso de tomate nenhum. Mas quase sempre os compro, mesmo se para outros fins, e ela sempre agradece sorrindo, sem desconfiar.&lt;br /&gt;Voltando para casa com minha cestinha cheia fico calculando se fazer os tomates recheados só para mim ou convidar alguém. Se fizer só para mim penso feliz que não precisarei fazer almoço por dois dias pois esse prato, mesmo frio, sempre aguça minha gulodice; se quero convidar alguém preciso escolher quem: ou quem já conheça e aprecie, ou quem possa ser apresentado com sucesso a esse prato que é único em todos os sentidos. Único por dispensar carnes, peixes e outras proteinas - mas frio serve maravilhosamente bem, no verão, para acompanhar rosbifes - e único por não comparecer nos menus de restaurantes de nenhum tipo, cinco estrela, cantina, trattoria, buffet ou "peso".&lt;br /&gt;Para a crônica: após tê-la esquecido durante muito tempo, desenterrei a receita de minha memória por ocasião do festejo de um aniversário muito especial: o meu é por volta de duas semanas antes do de minha filha e, naquele ano, quando ela completaria 27 anos eu estaria com exatamente o dobro da idade dela e ela com a metade da minha. Um aniversário único na vida das duas. Os "tomates sentados" foram muito festejados no meio de saladas estranhas como a de champignon crus com maionese de mango chutney, a de laranja fatiada com azeitonas pretas e a de folhas verdes temperada com um molho quente de bacon frito e crocante. Por muito tempo havia acreditado que fosse uma receita de família muito exclusiva, mas nas minhas andanças pelo mundo andei descobrindo a presença dos "tomates sentados" em praticamente todos os paises mediterrâneos, principalmente nas aldeias a beira mar, e como comida essencialmente caseira. Sempre porém com pequenas substituições de tempero: na Italia, orégano; na Grécia, açafrão; na Turquia e Libano zátar; no Marrocos, endro; na Espanha, raspa de limão; na França o "pistou" que nada mais é que manjericão. Até em Malta, que por quase duzentos anos amargou a influência da insossa cozinha inglesa, descobri uma bodega em que os proprietários espanhois tinham o prato como especialidade da casa.&lt;br /&gt;"Tomates sentados" é o nome que surgiu de minhas conversas com Ohiyo, mas na minha familia sempre foi "Pomodori Ripieni" ou seja, puros e simples tomades recheados. Quando se especifica o "do que" é que as pessoas se assustam pois ninguém acredita que arroz CRU possa cozinhar dentro do tomate, no forno.&lt;br /&gt;Para fazer o prato para o jantar de hoje, ontem tive que ir à feira onde Ohiyo tem banca em outra rua da que normalmente frequento. Ela me olhou assustada.&lt;br /&gt;"Oh, hoje não trouxe os tomades sentados".&lt;br /&gt;Sorri:&lt;br /&gt;"Não faz mal, eu mesma escolho. Mas você pode escolher para mim a melhor rúcula precoce e os espinafres mais tenros".&lt;br /&gt;Ainda bastante triste ela insistiu: "Ah, se eu soubesse....." e surpreendentemente acrescentou:&lt;br /&gt;"O que eu não faço para uma freguesa como você?"&lt;br /&gt;Não sei o que deu em mim, mas me ouvi retrucar:&lt;br /&gt;"Você faz tudo por mim, mas sempre se recusa a vender-me as ramas do nabo, sem o nabo".&lt;br /&gt;Ela abaixou a cabeça, olhos envergonhados:&lt;br /&gt;"Desculpe, já expliquei. Se corto as folhas, ninguém vai comprar o nabo nu".&lt;br /&gt;Quase caí na gargalhada: ainda não tinha descoberto que ela tinha sentido de humor.&lt;br /&gt;Ohiyo sabe que nabos sem ramas amargam em pouco tempo. E sabe que seis nabos são muita coisa mesmo para uma família grande. Mas não tem idéia que as ramas de seis nabos dão um prato fabuloso só suficiente para duas pessoas gulosas como eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, mas isso já seria outra receita.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-8248313328549329797?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/8248313328549329797/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=8248313328549329797' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/8248313328549329797'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/8248313328549329797'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2010/05/tomates-sentados.html' title='TOMATES SENTADOS'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-6767519241815618483</id><published>2010-05-27T10:39:00.000-07:00</published><updated>2010-05-31T14:43:43.694-07:00</updated><title type='text'>NÃO POR ACASO, Resenha do Filme</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Brasil 2007&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Diretor: Philippe Barcinski&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Atores: Leonardo Medeiros, Rodrigo Santoro, Rita Batata,&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Blanca Messina, Letícia Sabatella&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Recentemente descobri que Kely Cristina S.Felicio, comentou no meu blog, que o meu conto "O Espelho" lá publicado, teria-lhe lembrado o filme "Não por acaso". Já havia visto esse filme, havia gostado muito e, apesar de não ver muita atinência entre ele e minha estória, e justamente por isso, fiz questão de voltar a vê-lo. Continuo não conseguindo seguir o raciocínio da Kely (tão gentil e carinhosa...) mas o filme me impressionou mais ainda. Lembrei de, na ápoca, ter achado estranho que um filme tão bom tivesse ficado tão pouco tempo em cartaz. Agora, num ímpeto publicitário (!), faço questão de divulgar minha resenha para que, quem sabe, alguém se interese em exuma-lo...&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis aí um filme pra lá de minimalista. Personagens enxutas, ações simples, instintivas, lógicas dentro da logica de cada personagem, diálogos econômicos, tomadas de exteriores de grande impacto visual. Tudo privilegia o aflorar de sentimentos sem que ninguém os mencione. Cada ação é uma descoberta, cada reação é reveladora, cada pequena decisão repentina parece ser o obvio sem sê-lo. Tudo com muita parcimônia, muita delicadeza, sem pieguice.&lt;br /&gt;Num acidente de trânsito morrem duas mulheres que não se conhecem e esta tragedia atinge dois homens que, também, não se conhecem, não se encontrarão jamais e não tem, nem terão, nada em comum.&lt;br /&gt;O filme acompanha as reações e a evolução dos temperamentos dos dois homens cujo comportamento e atitude - e só comportamento e atitude - revelam ao espectador o caráter e o perfil deles. Nenhum deles fala de si mesmo para ninguém, não há dialogos que adiantem pistas nem acontecimentos surpreendentes que lhes arranque "identidade" reveladora.&lt;br /&gt;É uma história simples: a ex-mulher de um solitário controlador de trânsito atropela uma moça matando as duas.&lt;br /&gt;A morte propiciará ao ex-marido a aproximação com a filha adolescente. O namorado da moça atropelada, continuará a excercer suas atividades de artesão de mesas de sinuca, com a mesma paixão tranquila, com o sentimentalismo romântico que lhe é intrínseco e, eventualmente, transferindo tudo isso para uma nova mulher, não à procura de uma substituição, não por ela ser algo novo e especial, (que ela realmente é), mas para dar continuidade àquilo que ele é e sempre será.&lt;br /&gt;O elo importantíssimo das duas estória é a cidade de São Paulo, pictoricamente lindíssima, mas analiticamente fria. Seus viadutos, seus cruzamentos, seus pontos nevralgicos, assustadores.&lt;br /&gt;A ausência do contato entre as personagens das duas estórias pareceu-nos o grande "achado" de Barcinski que teve uma fuga saudável da "coincidência" cinematografica que entrelaça estórias paralelas. Se em "Crash" foi usada magistralmente, por outro lado prejudicou o resultado de "Babel" apesar do excelente Iñarritu. Já não era sem tempo que alguém se despisse daquela formula já bastante gasta e, de qualquer forma, muito difícil de não parecer forçada.&lt;br /&gt;Rodrigo Santoro tem um desempenho primoroso: seu contido comportamento perante a tragedia que o abalou, transcende as parcas lágrimas que ele derrama silenciosamente sobre a madeira que trabalha com expressivo carinho e leveza apesar das mãos pesadas de calos e colas. Sua naturalidade em repetir, para com outra mulher, os gestos e movimentos habituais no trato da namorada morta, trasborda a simplicidade que moldou sua vida desde sempre e deixa aflorar a dedicação humana que será sempre o "leitmotiv" de sua vida. O roteirista deu à sua personagem um final surpreendente cuja força, aí sim reveladora, dá enfase ao gesto que o ator consegue magistralmente demonstrar espontâneo: na frente da porta do apartamento da nova mulher, ele ajeita no chão, com toalinha e tudo, o café da manhã que falhou em preparar quando ela o pedira. Uma pena a escolha de Leticia Sabatella no papel. A câmara e o som na televisão são mais complacentes e menos delatores do que no cinema.&lt;br /&gt;Agradável surpresa foi a maturidade da jovem Rita Batata no papel da filha do controlador de trânsito, um Leonardo Medeiros convincente. De solidão dilacerante, sua descoberta em poder dividí-la com uma filha que mal conhece, transforma-se em determinação. O final, no passeio de bicicleta a dois no viaduto liberado para o lazer nos fins de semana, resgata a humanidade de uma cidade árida que, a partir daí, passará a ser vista por ele, até no seu caótico monitor, com olhos de uma nova esperança.&lt;br /&gt;Há muito não se via no cinema nacional um filme tão despretencioso, tão singelo e tão sincero.&lt;br /&gt;Justamente por isso tão significativo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-6767519241815618483?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/6767519241815618483/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=6767519241815618483' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/6767519241815618483'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/6767519241815618483'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2010/05/nao-por-acaso-resenha-do-filme.html' title='NÃO POR ACASO, Resenha do Filme'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-5699059578338380070</id><published>2010-05-27T05:41:00.000-07:00</published><updated>2010-05-27T08:59:09.787-07:00</updated><title type='text'>MACABÉA - A hora da estrela</title><content type='html'>&lt;strong&gt;RESENHA DO FILME&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorte minha: anteontem passou na televisão e o re-vi com muito interesse pois, fazia algum tempo, vinha pensando nesse filme já velho de quase vinte anos (ou mais?) . Já não tenho na memória grandes detalhes da ficha técnica, mas a maioria de minhas reações e daquilo que mais me marcou, havia ficado.&lt;br /&gt;O filme não envelheceu. Eu, público, amadureci. A fotografia, bem escolhida nas tomadas, continua de má qualidade. O acompanhamento musical, continua lamentável: o silêncio tera sido mais eloquente, já que o filme realmente é um gritante grande silêncio ...&lt;br /&gt;Mas hoje posso aceitar que o filme seja tão primário quanto sua personagem título. E se esta primariedade, como a vejo agora e como espero tenha sido concebida, foi intencional, aplausos para Suzana Amaral.&lt;br /&gt;Primeiro, por que a diretora soube de imediato que Marcélia Cataxo já nascera Macabéa. Marcélia é a insignificância personificada: rosto, corpo, mãos de joão-ninguém, tudo nela é impessoal. Lembra os atores do neo-realismo italiano, todos desconhecidos, todos intérpretes de um filme só. Se Cataxo seguiu sua carreira de atriz depois de Macabéa, não sei. Se sim, espero que tenha-se transformado radicalmente e que hoje ninguém mais reconheça nela a eterna Macabéa.&lt;br /&gt;Segundo por que Suzana Amaral fez dela a personagem padrão com todos os requintes pictóricos exteriores e interiores, ao gosto de sua inefável criadora, Clarice Lispector.&lt;br /&gt;Macabéa é feiosa, desengonçada, constrangedoramente tímida, e ao mesmo tempo cheia de sonhos imediatistas: ao sentir-se observada, já imagina ter feito uma conquista. Simplória e ignorante é ao mesmo tempo sedenta de um "conhecer" de que ela desconhece o significado.&lt;br /&gt;Emigrante numa São Paulo periférica e cinzenta, deslumbra-se com o mêtro, com os elevados e até com jardins decadentes onde fotógrafos ambulantes fornecem roupas a seus clientes para que sejam retradados "decentemente vestidos". Clientes esses, todos Macabeos e Macabéas como ela.&lt;br /&gt;Uma Macabéa que consegue emprego num depósito onde gatos saboreiam os ratos ao mesmo tempo que ela roe seu cachorro quente, lambusando seu trabalho de datilografia.&lt;br /&gt;É lá onde aprende de uma colega para lá de desinibida a mentir em próprio benefício mas entra&lt;br /&gt;sempre com um eterno pedido de desculpas por qualquer coisa que peça, faça ou consiga.&lt;br /&gt;Sua lista de palávras difíceis que ouve na Rádio-relógio, é fonte de perguntas que coloca a um Olímpicus, smplório, desengonçado e ignorante como ela, que porém se posiciona num patamar de "já evoluido", vislumbrando riqueza na política. O discurso dele ao pé de uma estátua do Ipiranga é a sintese das ambições de muitos, haja visto a aprovação da única espectadora alí presente, outra velha Macabéa.&lt;br /&gt;Uma das perguntas mais patéticas e tocantes : "Ser feliz, serve pra que?"&lt;br /&gt;Ela descobre a resposta nas predições mentirosas e ilusórias de uma vidente oportunista, que a levam à transformação exterior, num vestido azul, ricamente chinfrim, cabelo solto, e seu primeiro sorriso. Correr à procura de um hipotético principe azul, em ruas repentinamente arborizadas, em bairros que nunca conhecerá, é sua despedida da vida.&lt;br /&gt;Atropelada, no chão de uma esquina, numa posição, minha cara Suzana Amaral, pouquíssimo plausível e para lá de improvável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que bom que vi de novo. E fiquei, mais uma vez comovida. Tem em DVD?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-5699059578338380070?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/5699059578338380070/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=5699059578338380070' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/5699059578338380070'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/5699059578338380070'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2010/05/macabea-hora-da-estrela.html' title='MACABÉA - A hora da estrela'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-3512858030695700936</id><published>2010-05-21T08:16:00.000-07:00</published><updated>2010-05-21T09:51:10.939-07:00</updated><title type='text'>A ELEGÂNCIA DO OURIÇO,  RESENHA DO LIVRO</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Autor: Muriel Barbery&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Título Original: L'Élégance du hérisson&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Edição: Companhia das Letras 2008&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Tradução: Rosa Freire d'Aguiar&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A autora Muriel Barbery nasceu em Bayeux, pequena cidade medieval da Normandia, de origem galo-românica, que conserva, e cultua, marcos de grande valor histórico, arquitetônico e artístico. Não é de se estranhar que Barbery tenha desenvolvido lá a virtude - e o vicio - da observação profunda a que foi estimulada desde seu nascimento. Uma catedral de 900 anos, os majestosos "remparts", o ferro batido nos portões, nas janelas, nos pequenos palácios e castelos ainda existentes; tudo deve ter aguçado e gravado em seus olhos o material riquíssimo que lhe permitiu identificar os clichês que personagens, hábitos e peculiaridades ainda identificam a França.&lt;br /&gt;Mas Barbery escolheu subverter aqueles clichês numa história repleta de casos e atitudes que, no começo, parecem inusitadas ao leitor, mas que ao longo do livro, resultam na reconstrução harmônica e otimista de personagens, hábitos e peculiaridades, sem tirar-lhes nem minimizar-lhes as raízes.&lt;br /&gt;Rénée, "concierge" (zeladora),de um elegante, classudo e super-clássico edificio residencial de Paris, não é bronca, metida, bisbilhoteira e nem fofoqueira como a tradição manda. Ao contrário, ela pensa e respira clássicos da música e da literatura como se tivesse-se formado na Sorbonne;&lt;br /&gt;exteriormente, entretanto, se comporta como esperam dela os moradores, esnobes e exigentes.&lt;br /&gt;E a pequena Paloma, há doze anos caçula de uma família vip, não é -apesar dos esforços de todos os membros- nem mimada nem consumista, ao contrário: é crítica do mundo que a sustenta e, para sair dele, rumina as mil maneira com que poderá, sem causar danos materiais à propria casa e à dos vizinhos, suicidar-se quando cumprir treze anos.&lt;br /&gt;O interessante da construção do livro está também no cuidado com que a autora escreve em primeira pessoa o que sai da cabeça das duas personagens principais. Ela utiliza caracteres gráficos bem distintos para cada uma. Rénée chega-nos em capítulos com titulos pertinentes aos acontecimentos, impressos em letras normais. Já a pequena e inquieta Paloma nos vem em negrito, e com capítulos intitulados "pensamentos profundos" numerados. Parece ter sido intenção de Burbery chamar a atenção para a profunda diferência de dois cérebros (um maduro e outro em formação) para que o leitor possa, a cada capítulo quase sempre alternados, compara-los transportando-se na personagem da vez.&lt;br /&gt;Tanto Rénée como Paloma estão "mal a l'aise" no mundo onde vivem: Rénée disfarça adotando o clichê - só aparente - que é devido à sua profissão. Paloma assume sua intolerância não com rebeldia mas com apatia. Até o nome Paloma que lhe foi imposto ao nascer, parece obrigá-la a um comportamento modernoso, sofisticado e dispendioso adotado pelo resto da família onde o pai, alto funcionário público que a menina desconfia corrupto, vive no mundo dos políticos, a irmã é uma consumista a espera de um marido rico e a mãe -apesar da escolaridade elitista - tem, no fundo no fundo, a bisbilhotice de uma "concierge".&lt;br /&gt;Tudo corre paralelamente: as duas vidas entremeadas de pequenos acontecimentos nos outros apartamentos, pontuados pela passagem sistemática de uma Manuela, faxineira portuguesa, ela também clichê do dia a dia parisiense. Ela trabalha, um ou dois dias por semana, na casa de quase todos os moradores e acaba, no fim da tarde, parando na da Rénée para tomar chá.&lt;br /&gt;Uma faxineira estrangeira tomando chá, de xicara e de sabedoria, com uma zeladora inusitada.&lt;br /&gt;Não bastasse a escapadela de Paloma em refugiar-se na cultura japonesa - popular ou não -, no meio do livro aparece um novo proprietário e morador: Kakuro Ozu. Seu olho de tradição milenar parece identificar de imediato que Rénée não é o que parece e que a pequena Paloma e sua melhor amiga nigeriana são personalidades inquitantes para um maduro senhor japonês que ostenta uma vastíssima cultura internacional mas depara-se coma a adolescência ocidental interessada na oriental antes mesmo de conhecê-lo.&lt;br /&gt;Aí está um cruzamento de olhares, cada personagem debruçando-se e identifcando-se com os outros: encontros para chá, curiosidades inesperadas, afinidades a flor da pele e finalmente uma provável esperança amorosa entre os dois seres que, finalmente, descartadas as barreiras sociais, poderiam compartilhar prazerosamente suas velhices.&lt;br /&gt;Mas Barbery não se atreve ao final feliz: a reconstrução interior de uma adolescente que aprende com dois adultos estranhos a amar a vida, é o final feliz do livro. E o do leitor: ao vencer as estreanhezas que lhe causam os capítulos iniciais, o leitor é empurrado a conjeturas curiosas e frequentemente bem humoradas: &lt;em&gt;&lt;strong&gt;...se as pessoas que conheço não fossem aquilo que elas aparentam, quanto mais caloroso poderia ser nosso convívio...]&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;E aí está um desconcertante e lindo romance filosófico.&lt;br /&gt;Bayeux, a pequena cidade da autora, ostenta, entre seus marcos históricos, a famosa tapeçaria da Rainha Mathilde**, do século XI, em que algumas das figuras são tão estilizadas e naif que parecem modernas: descobri lá um grupo de quatro cavaleiros com silhuetas, atitudes e posturas que remetem - pasmem - aos "The Beatles". E se não fossem eles soldados, mas músicos ou saltimbancos no séquito das tropas de Guilherme I a caminho da conquista da Inglaterra?&lt;br /&gt;Barbery, ao criar o livro, manteve presente no inconsciente aquela sequência do bordado com todas as dúvidas que ele carrega: pessoas e coisas abrigam e acalentam as mais raras, surpreendentes e maravilhosas surpresas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;** A tapeçaria representa Guilherme I de Aquitânia (Duca de Normandia, dito inicialmente "O Bastardo" e depois "O Conquistador") com seu exército, a caminho da Inglaterra que ele conquistou em 1006 AD.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;O bordado de lã sobre lã crua, é atribuida à sua esposa Mathilde de Flandres e teria sido iniciada quando as tropas sairam para a guerra, ilustrando as etapas que os mensageiros traziam à rainha. Estudiosos pretendem que ela tenha sido executada numa oficina artesanal por encomenda de um primo de Guilherme I, bispo de Bayeux, o que não lhe tira a importância histórica.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Recentemente pesquisadores consideraram que essa tapeçaria (58 cenas em 70 métros de cumprimento por 0.50 de altura) é obra precursora da "Banda Desenhada", hoje dita "Histórias em Quadrinhos".&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-3512858030695700936?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/3512858030695700936/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=3512858030695700936' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/3512858030695700936'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/3512858030695700936'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2010/05/elegancia-do-ourico-resenha-do-livro.html' title='A ELEGÂNCIA DO OURIÇO,  RESENHA DO LIVRO'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-7726936731694994655</id><published>2010-05-14T10:36:00.000-07:00</published><updated>2010-05-31T07:23:28.149-07:00</updated><title type='text'>SEDA</title><content type='html'>Mal abro a gaveta, ela imanta-se ao meu corpo. Transforma-se na penugem invisível de minha pele. É quente, macia, natural. E é animal: nasceu de outro ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ela tem perfume. Não sei se é o dela ou é o meu que ela nina feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que algo dela está sempre comigo. É a feminilidade que minha idade não descartou. É a sensação de que, da mesma forma em que ela nasceu, ela me envolve num casulo que me protege, me acarinha, que não me deixa esquecer o gostoso farfalhar de seu toque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pobres dos homens que, quando muito, a tem debaixo de um colarinho, em cima de uma camisa.&lt;br /&gt;Busquem, achem, provem aquela sensação de convite, de aconchego e de delirio que ela sussurra do outro lado de outra pele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          Os homens de minha vida, sabem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-7726936731694994655?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/7726936731694994655/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=7726936731694994655' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/7726936731694994655'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/7726936731694994655'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2010/05/seda.html' title='SEDA'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-5999765315307688258</id><published>2010-04-23T03:33:00.000-07:00</published><updated>2010-04-23T03:55:04.072-07:00</updated><title type='text'>CORRUPÇÃO.....e etc...</title><content type='html'>&lt;strong&gt;CRÔNICA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Conheci Marta num avião: eu voltando de visitar uma amiga em Filadelfia, ela saindo de Orlando com os três filhos. Mil pacotes e sacolas na cabine, as crianças cobertas de apetrechos Disney: orelhas, bonês, camisetas e pendurucalhos vários. Muito falante, Marta não hesitou em me passar o entusiasmo, seu e dos meninos, por aquela excursão tão esperada que resultou, finalmente, maravilhosa. Minha poltrona de corredor na fileira do meio do avião, ela sentada ao meu lado e as crianças ocupando o resto dos assentos com fácil saída do outro lado para as indefectíveis debandadas durante o vôo.&lt;br /&gt;Para mim foi difícil fechar o livro de suspense comprado no aeroporto, tanto quanto foi fácil para ela introduzir-se definitivamente no restante das minhas horas de vôo. Só faltou me dizer sua idade: o resto foi tudo. O colégio de renome onde as crianças estavam matriculadas me indicou que morávamos no mesmo bairro. Aí foi impossível deixar de participar da vida deles com muito mais detalhes: a academia da moda para ela, mesmo mais distante de outras excelentes no bairro, a casinha na praia para as férias de verão, o carro que ganhou no Natal, só para ela.&lt;br /&gt;-" Sabe, Oscar é maravilhoso para mim e para os filhos. Tem um pequeno escritório de advocacia só com dois estagiários e trabalha muuuito. Gosta do que faz e faz muito bem. Mas muito bem mesmo! imagine que conseguiu colocar na cadeia um fiscal da prefeitura que estava extorquindo dinheiro da loja da minha mãe só por um pequeno detalhe no alvará".&lt;br /&gt;-" Certo, disse eu, se todos fizessem assim, haveria menos corrupção, não é?"&lt;br /&gt;Fui apresentada ao Oscar, na chegada: engravatado num sábado de manhã, Rolex de aço no pulso, chaveiro de carro rodeando no dedo. Estranhei ele estar perto da esteira da bagagem: é permitido a não viajantes entrar naquele recinto?&lt;br /&gt;A primeira mala da Marta saiu logo; faltavam ainda quatro dela quando chegou a minha, única.&lt;br /&gt;Saí antes de todos, arrastando minha bagagem como uma aeromoça, frasqueira na mão, livro debaixo do braço, com marcador ainda nas primeiras páginas.&lt;br /&gt;Acabei encontrando algumas vezes Marta no supoermercado do bairro, uma única vez na livraria da esquina. Por mais que ela insistisse, evitei aceitar visitar o apartamento recém inaugurado, não longe do meu. Parecia uma família bacana, entretanto, na idade que eu já tinha, um tanto fora do meu circuito habitual. Mas desejo que sejam felizes, pois creio que Marta e Oscar se gostem de verdade.&lt;br /&gt;Ah! Esqueci de contar: eles nunca se casaram. Ela se beneficia da lei que garante às filhas solteiras de militar a perpetuação de sua aposentadoria. O pai dela foi coronel, ela me disse com muito orgulho. Em moeda atual o coronel ainda deve render algo em torno de setemiloitocentos reais por mês.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-5999765315307688258?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/5999765315307688258/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=5999765315307688258' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/5999765315307688258'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/5999765315307688258'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2010/04/corrupcaoe-etc.html' title='CORRUPÇÃO.....e etc...'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-5357426303736390605</id><published>2010-04-22T11:53:00.000-07:00</published><updated>2010-04-22T12:41:15.639-07:00</updated><title type='text'>BLACK-OUT, Um espetáculo iluminado</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;RESENHA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Pouco se dá&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;atenção ao teatro amador. Vamos com alguma condescendência incentivar os sonhos dos jovens que ambicionam, um dia, ser profissionais aplaudidos. E tão concentrados nos atores, nossos filhos ou filhos dos nossos amigos, que poucas vezes atentamos aos detalhes e, pior, aos desconhecidos que, atrás dos bastidores, criam o sempre muito necessário para que os atores tenham a atmosfera certa para manter-se nas personagens, para não esquecer as falas, para cumprir com as marcações.&lt;br /&gt;Em BLACK-OUT - apresentado por poucos dias no teatro da Cultura Inglesa de Pinheiros - nada pôde passar desapercebido: o esmerado cuidado dos envolvidos no espetáculo saltou de imediato aos olhos desde a primeira cena.&lt;br /&gt;O dramaturgo escocês Davey Anderson costuma abordar temas politico-sociais mesmo nos textos - que são sua maioria - idealizados e escritos para o teatro e atores infanto-juveniis. O tradutor Marco Aurélio Nunes, nos trouxe com muita propriedade uma adaptação verbal clara e muito congruente com nossa realidade. O idealismo exacerbado dos jovens cria  desentendimentos no âmbito familiar, especialmente com as mães.&lt;br /&gt;Ou seriam as diferências pais-filhos que impulsionam os jovens para a aceitação e a prática de idealismos de que mal entendem os conceitos?&lt;br /&gt;Anderson escolheu a reincidência do Hitlerismo como exemplo do que poderia ter sido a visão escocesa dos infindáveis levantes irlandeses; ou o crescimento tardio de um novo peronismo na Argentina, ou o ressurgimento de algum esquerdismo em algum país da america latina.&lt;br /&gt;Ao passo que o mundo se renova, ele também se repete em módulos variados mas reincidentes, diferentes sim, mas novamente perniciosos.&lt;br /&gt;Impecável a direção de Rafael Masini, jovem de olhar maduro, pontuada de movimentação cênica harmoniosa e, ao mesmo tempo impactante; a música de Rafael Zenorini permitiu ao diretor "solfeja-la" com mestria nos momentos mais oportunos e mais sublinhados.&lt;br /&gt;Os atores tem, um bom preparo de expressão corporal e vozes trabalhadas para chegar claramente ao espectador, cuspindo emoções, silenciando medos. Um deles especialmente (Arthur Oliveira) ostenta uma invejável projeção vocal aliada a um agradável tom"redondo" e a uma rara articulação. Muitos atores de carreira, até consagrados, ainda pecam por isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim um&lt;span style="font-size:130%;"&gt; BLACK-OUT &lt;/span&gt;mais que iluminado. Obrigada Benê, por ter-me levado&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-5357426303736390605?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/5357426303736390605/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=5357426303736390605' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/5357426303736390605'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/5357426303736390605'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2010/04/black-out-um-espetaculo-iluminado.html' title='BLACK-OUT, Um espetáculo iluminado'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-616920203268605594</id><published>2010-03-22T11:38:00.000-07:00</published><updated>2010-07-10T07:03:07.589-07:00</updated><title type='text'>MANGANELLI E EU</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ZOcj9KIePcg/TDh9hmpRkhI/AAAAAAAAAD8/9mjMaaWMmEY/s1600/castelinho.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 221px; DISPLAY: block; HEIGHT: 166px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5492277761841140242" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_ZOcj9KIePcg/TDh9hmpRkhI/AAAAAAAAAD8/9mjMaaWMmEY/s320/castelinho.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;*** &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Hoje levei meu amigo Giorgio Manganelli a um passeio pela cidade e, no fim da tarde, ao cinema assistir "Fogo e Paixão" dos arquitetos Isay Weinfeld e Marcio Kogan. Giorgio não conhece suficientemente a cidade para apreciar o filme, mas me agradeceu: conhecia um dos panoramas&lt;/strong&gt;.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;É perigoso caminhar pelo elevado, além de proibido. Mas o castelinho está lá. Feio e ruim de proporções, como se saído só de lembranças infantis. Continua lá, desde sempre. O homem não sabe há quantos anos o viu pela primeira vez, mas ainda sente o ímpeto de cancelar de seus olhos aquela construção horripilante.&lt;br /&gt;Impossível: ele não só o vê, ele o olha! Do alto do viaduto, descobre mais um detalhe de decadência, mais um requadro de vidro trincado no janelão que abre sobre o terraço; mais sujeira de pombos no parapeito, mais lácrimas empretecidas pela fuligem, escorridas pelas paredes externas já sem cor, entre labirintos de mofo. Continua cenário de fábula, de conto de fadas gasto, regasto, rançoso, embalsamado...&lt;br /&gt;Seus olhos recebem a untuosidade do tempo e as narinas as lembranças de pratos abandonados na mesa, com ossos escalpelados, talheres cruzados, guardanapos amassados. Ainda lê neles as espectativas não alcançadas.&lt;br /&gt;Ele sabe por que acaba voltando. Já não quer surpreender-se com o aparecimento da moça, quase uma fada ...-ou seria a Branca de Neve...- que saisse ao balcão procurando-o com olhos, sorriso e mãos de arpista. Mas acaba voltando e olhando. Agora a figura da mulher, que atravessou o tempo e as esperanças, não mais passa pela porta-janela para alcançar o parapeito. Ele só veria suas rugas, o olhar parado, pálpebras caidas como os seios dentro do decote, sua roupagem de conto de fadas, desbotada e enrugada, a gola branca engomada em arco a emoldurar o penteado rebuscado, gasto, regasto, embalsamado...&lt;br /&gt;E o homem volta, olha e contempla. Começa a tirar disso sua paz. É pouco o que lhe sobrou, mas é sólido, pois cada vez que sobe ao viaduto, debruçado no elevado, arranca, e recolhe, uma pedra, um caco, uma trave. Até o dia em que finalmente, dará por encerradas aquelas tolas aspirações idas, gastas, regastas, rançosas, embalsamadas...&lt;br /&gt;Continua indo para tocar só com os olhos, a certeza de ter conseguido fugir a tempo da ilusão. Uma ratoeira. Uma trapaça. Como a arquitetura do castelinho, como a mulher do parapeito, como as fendas dos muros erguidos sobre aquele nada, irremediavelmente cinzento.&lt;br /&gt;Hoje, quase apaziguado, duvidou: seria o castelinho uma real construção de um mau arquiteto, ou só a miragem de um horizonte gasto, regasto, rançoso, embalsamado......&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;img class="gl_bold" border="0" alt="Negrito" src="http://www.blogger.com/img/blank.gif" /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-616920203268605594?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/616920203268605594/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=616920203268605594' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/616920203268605594'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/616920203268605594'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2010/03/manganelli-e-eu.html' title='MANGANELLI E EU'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ZOcj9KIePcg/TDh9hmpRkhI/AAAAAAAAAD8/9mjMaaWMmEY/s72-c/castelinho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-708300151925874749</id><published>2010-01-29T05:02:00.000-08:00</published><updated>2010-02-28T08:30:16.216-08:00</updated><title type='text'>AVENIDA HIGIENÓPOLIS - UM BAIRRO, QUASE UM PARQUE</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ZOcj9KIePcg/S3a1NVB5zII/AAAAAAAAAD0/5XQplXvqPPQ/s1600-h/cacipore.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5437732840684506242" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 206px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_ZOcj9KIePcg/S3a1NVB5zII/AAAAAAAAAD0/5XQplXvqPPQ/s320/cacipore.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Crônica&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de cinquenta anos - e elas só florescem a cada cinquenta anos - as palmeiras de Burle Marx floresceram no aterro do Flamengo. Burle Marx sabia o que estava fazendo e plantou o que tinha certeza que vingaria para sempre.&lt;br /&gt;Não há raridades intencionais nos parques de São Paulo mas a exuberância do verde perene da vegetação tropical está em toda parte.&lt;br /&gt;Aquela Avenida Higienópolis – provavelmente uma das mais bonitas da cidade – é um exemplo. Com sua gama compacta de árvores que se encontram no ar ela é o túnel que protege do sol, onde o verde atravessa as estações.&lt;br /&gt;A avenida vai fluindo lentamente até debruçar-se sobre o vale do Pacaembu admirando os tetos dos casarões antigos transformados em showroom. No inverno aspira o multicolorido das azaléias como se elas exalassem aroma e conversa com as casas que escalaram, atrevidas, as encostas de Perdizes. Em dia de jogo, observa benévola as hordas que desfilam, rítmicas, como exércitos de saúvas.&lt;br /&gt;Mas sinto falta, depois de alguns anos que mudei de bairro, daquelas enormes vértebras de aço, soldadas uma em cima da outra, a retratar a espinha dorsal que o escultor Caciporé Torres , criou para definir o porte e a alma da Avenida Higienópolis. Estavam em frente de uma antiga casa que durante muitos anos abrigou um Banco de cujo nome já não lembro. A elegante senhora a quem perguntei sobre o paradeiro de banco e escultura, respondeu que também não sabia, enquanto seu poodle se atirava à arvore mais próxima.&lt;br /&gt;Todos esquecemos rapidamente. Mas é um pouco adiante da avenida que meu pisar crocante sobre folhas palmadas e enrugadas me leva a lembranças mais distantes ainda. Não foi Burle Marx que plantou – só Deus sabe há quanta gerações – aqueles plátanos, de tronco em manchas cinzentas, estranhos ao clima da cidade. Ele saberia que a longo prazo acabariam abastardados, quase irreconhecíveis. Ainda assim, aqueles plátanos descolorem suas folhas no outono, e as perdem no inverno; as repõem na primavera e criam seus frutos no verão: pequenas bolas espinhosas, mas vazias. Plátanos são castanhos selvagens e, mesmo sem frutos, ainda estão lá no trecho que leva a dois colégios. Frondes, barulhos e caminhos: tudo idêntico ao que eu, criança, pisava ao ir à minha escola, em outro continente.&lt;br /&gt;Não há esquecimentos em São Paulo sem frestas de lembranças: a cidade está cheia delas.&lt;br /&gt;Já houve choupos plantados inutilmente na inauguração da 23 de Maio. Não duraram seis meses. E já houve um carvalho em frente à escadaria do “Les Oiseaux” na Rua Caio Prado. Não voltei depois que o colégio foi desativado. O seu terreno já virou mil coisas: de circo a estacionamento e agora vai ser mais um parque para os pulmões e as crianças da cidade. Provavelmente aquela árvore inusitada não estará mais lá.&lt;br /&gt;Tudo continua porém na memória dos que escolheram fazer do bairro - e da cidade - sua casa acolhedora, guardando no sótão um baú de recordações. Pieguice.....&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-708300151925874749?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/708300151925874749/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=708300151925874749' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/708300151925874749'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/708300151925874749'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2010/01/avenida-higienopolis-um-bairro-quase-um.html' title='AVENIDA HIGIENÓPOLIS - UM BAIRRO, QUASE UM PARQUE'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ZOcj9KIePcg/S3a1NVB5zII/AAAAAAAAAD0/5XQplXvqPPQ/s72-c/cacipore.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-4463261694093214283</id><published>2010-01-06T07:49:00.000-08:00</published><updated>2010-01-17T11:45:02.502-08:00</updated><title type='text'>O PRIMEIRO BAILE</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;CONTO&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro vestido de baile, o primeiro discretíssimo perfume, a primeira maquillage suave, os primeiros dezesseis anos de vida, cheios de ansiedades. O salão cheio de sedas e tules: branco, rosa, algum amarelo. O de Clara, o único verde. Muitas flores, flores e mais flores, nas mesas, em volta da pista, nas cinturas, nos decotes. Uma margarida branca numa fita dourada em volta do pescoço, sem jóias. Clara não tinha. E as danças, nos braços do mesmo jovem, sem trégua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não me deixe sentar, não quero dançar com outro....&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ele não tem namorada. Ele convidou a mim para seu baile de formatura.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ele é o irmão mais velho de minha melhor amiga.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Em breve irá à França estudar arqueologia.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;.......Será ele meu primeiro namorado.....&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;.......Dele meu primeiro beijo.....&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Clara vinha sonhando com ele, desde o dia em que foram em bando ao cinema, onde ele fizera questão de sentar ao lado dela, segurando-lhe a mão.&lt;br /&gt;Era bom dançar com ele, seguro, bonito mesmo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Quase tão bonito como papai.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Um vinho branco suave, coqueteis de frutas, tortas pequeninas, salgadas e doces, em pratos com um escudo pintado num canto, como escudo de uma realeza. Porque não? Ela sentia-se mesmo uma rainha, merecia tudo o que estava acontecendo.&lt;br /&gt;Foi aí, na volta da festa, no portão entreaberto da casa de Clara: as duas mão em concha a levantar-lhe o queixo e um beijo nos lábios. Ela tinha estado esperando aquele momento....Meu Deus, e agora?...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;....Vou emporcarlhá-lo com o meu batom! &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E se manchar também a lapela do summer jacket?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mas é tão doce, tão novo, tão emocionante, mais do que beijo normal. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A saliva dele&lt;/em&gt; &lt;em&gt;tem gosto de vinho branco.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;E a minha será que tem o do coquetel de morango?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Como tenho tanto tempo para pensar em tudo isso?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Um beijo é assim mesmo, dura tanto?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Devagar, estão entrando portão adentro, como para esconder-se de quem por acaso passasse, e, de súbito, impulsivo, ele se afasta enrijecido, como alguém que, de repente, está com medo. De que?&lt;br /&gt;"É tarde. Amanhã te ligo e venho te buscar para ir à praia" -um curto silêncio, quase envergonhado, olhos baixos - e depois:" Eu gosto muito de você, muito mesmo, sabia?"&lt;br /&gt;E sem esperar resposta, com a mão na maçaneta, ele puxou-a para si e a porta fechou-se, calada, sobre o silêncio de Clara&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-4463261694093214283?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/4463261694093214283/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=4463261694093214283' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/4463261694093214283'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/4463261694093214283'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2010/01/o-primeiro-baile-de-clara.html' title='O PRIMEIRO BAILE'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-2685933944118085003</id><published>2009-12-20T02:07:00.000-08:00</published><updated>2009-12-25T03:41:28.776-08:00</updated><title type='text'>MÁRCIA PERGUNTOU........</title><content type='html'>Muitos pensam que eu escrevo porquê não tenho o que fazer. Outros já se desculparam por isto. A verdade é que escrevo desde criança.&lt;br /&gt;Tive a sorte -durante alguns anos escolares- de ter sido obrigada a aprender resumindo as lições marcadas nos meus livros. História? resumir de pagina tal a tal. Literatura? Texto de fulano: resumir de página tal a tal. Portanto aprendi a escrever resumindo, gosto até hoje e escrevo "curto". Mas foi só há pouco tempo que percebi que precisava escrever para que os outros me interpretassem corretamente. Em discussão eu não convencia. Colocando tudo preto no branco, até consigo ganhar a parada.&lt;br /&gt;Hoje, ao publicar algo no meu blog, basta sentir-me satisfeita em clareza e sinceridade, o que considero essencial para que o leitor entenda o espirito com que o concebi e tire disto algum prazer. Não tenho projetos mirabolantes, não quero escrever romances, não quero ser best-seller. Um livro de contos? Talvez.&lt;br /&gt;Eles nascem de imagens, que me vêm de experiências pessoais, realizadas ou não, ganhas, ou não. Em cada época marcante de vida, devo ter resumido as imagens mais vibrantes arquivando-as no subconsciente. Frequentemente confusas, são elas, aquelas cores, aqueles sabores, aqueles arrepios, que se transformam em fantasias, que crescem, incham e recheiam as lembranças com os desejos não realizados e, finalmente criam meus textos. Mas preciso que alguém me dê um tema, um título. E aí elas surgem, de repente, às vezes imperativas; outras, do nada absoluto, ou de algo tão longinquo que já perdeu-se na memória, mas estão aí, presentes, aos gritos.&lt;br /&gt;Recentemente tomei um café com um escritor. Generoso que é, deu-me algumas páginas para ler, lá mesmo na mesa do bar. Estilo um tanto angustiante mas incisivo e seguro. Corria os olhos naquelas páginas e, de improviso, algo intrometeu-se. Não foi nenhuma menina vendendo amendoim na marginal, mas a tal epifania apareceu em forma de uma frase.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“este momento não vai ficar, pois vida não é obra de arte”.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei onde a li, quem a escreveu, quem a pronunciou, e sei com certeza que não é minha. Só durante a longa caminhada que me levava para casa, percebi que, no texto do escritor, não havia um único artigo. Nessa frase também não.&lt;br /&gt;Ela poderá ser tema, ou título, do meu próximo conto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-2685933944118085003?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/2685933944118085003/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=2685933944118085003' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/2685933944118085003'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/2685933944118085003'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2009/12/marcia-perguntou-eu-respondi.html' title='MÁRCIA PERGUNTOU........'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-2680066554119937050</id><published>2009-11-20T05:12:00.000-08:00</published><updated>2009-12-12T03:41:17.804-08:00</updated><title type='text'>BOAS FESTAS COM TODO O CARINHO</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ZOcj9KIePcg/SwaV8Vhm9hI/AAAAAAAAADQ/irrG-KA63Xw/s1600/bruna2009.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 292px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5406173266507658770" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_ZOcj9KIePcg/SwaV8Vhm9hI/AAAAAAAAADQ/irrG-KA63Xw/s320/bruna2009.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Uma torrente, uma velha casa de pedra.&lt;br /&gt;Num vale perdido da Toscana.&lt;br /&gt;Lugarejo anônimo que, em época de caos,&lt;br /&gt;Protegeu minha infância.&lt;br /&gt;Compartilhar emoções é uma das&lt;br /&gt;Melhores formas de ser feliz.&lt;br /&gt;Seja&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-2680066554119937050?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/2680066554119937050/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=2680066554119937050' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/2680066554119937050'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/2680066554119937050'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2009/11/boas-festas-com-todo-o-carinho.html' title='BOAS FESTAS COM TODO O CARINHO'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ZOcj9KIePcg/SwaV8Vhm9hI/AAAAAAAAADQ/irrG-KA63Xw/s72-c/bruna2009.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-7935431053941688793</id><published>2009-11-15T02:07:00.000-08:00</published><updated>2009-12-08T04:05:14.276-08:00</updated><title type='text'>......E HORIZONTES</title><content type='html'>O horizonte sumiu.&lt;br /&gt;A bruma sobe, mistura-se com as nuvens, desce até a mim; quente na japona e cachecol, cabelos empastado de umidade salgada, iodada, ondulada. Mas meus pés nus brincam com os grânulos que chiam entre os dedos; seu encolher-se e alongar-se empurram os calcanhares para baixo, mais baixo, afundando mais, enquanto eu olho a poucos passos, a borda mas escura, molhada, achatada pelo rolar encaracolado da espuma que vem devagar, volta encrespada para um pouco mais longe, engrossa de novo, cresce de novo e cai suavementer na minha direção.&lt;br /&gt;Este é o caminho extremo da ressaca que vem para descansar.&lt;br /&gt;Faz frio.&lt;br /&gt;Mas hoje ele não está furioso, não me agride com os estrondos dos dias anteriores. Desde que cheguei anteontem, fiquei esperando por este mediterrâneo de inverno: escuro, cinzento, mas tranquilo. Eu precisava de seu desenrolar silencioso na praia, queria ver a espuma fraca, apenas esboçada, apagar-se na respiração da areia e as pequenas bolhas que surgem a revelar o raso abismo das conchas. Fugi do outro lado da ilha cheia de falésias, onde eu teria o constante frangir das ondas contra os rochedos; onde os marouços me levariam de volta àquele impácto dolorido. Aqui, sem porto nem barcos, some o choro das gaivotas e com ele o lamento de minha dor.&lt;br /&gt;Já consegui exorcizar minha única boneca. E é aqui, agora que tenho que arrancar, uma por uma, as camadas lívidas de minha pele, seus roxos, sua flacidez.&lt;br /&gt;Para tentar ficar, finalmente e de novo, nua.&lt;br /&gt;E, quem sabe um dia tropeçar em alguém tão especial com que eu possa, também, ficar em silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;DIÁLOGOS E SILÊNCIOS&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(EPÍLOGO)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Posso entrar?&lt;br /&gt;---Como se eu pudesse dizer não: você sempre entrou sem perguntar. Estou aqui nesse atelier há quase dez anos e sabia que a qualquer momento você voltaria a aparecer. Tropeço em você desde que nasci.&lt;br /&gt;---Não reclame, se não fosse por mim você nem existiria.&lt;br /&gt;---E eu existo? Com a desculpa de ser obrigado a escrever minha estória em primeira pessoa, você nem nome me deu.&lt;br /&gt;---Mas eu só queria saber se, afinal, você gostou. Eu não a tratei bem? No lhe dei nenhuma conotação de vítima passiva: fiz com que você achasse força, estrutura e espinha dorsal para decidir seu caminho de cabeça erguida.&lt;br /&gt;---Bem então, e agora?&lt;br /&gt;---Agora vim verificar com meus próprios olhos que você tenha recuperado a quase totalidade de seus braços e mãos, que você finalmente conseguiu pintar com sucesso e queria saber como você se sente às vésperas do vernissage.&lt;br /&gt;---Olha, estou muuuito feliz. Consegui um marchand que realmente gosta do meu trabalho.&lt;br /&gt;---Eu percebi: ontem eu o ouvi dizer que suas pinturas, apesar de abstratas, tem cor e cheiro de mar.&lt;br /&gt;---Mas isto ele deve a você, por que foi você, no terceiro capítulo, que me colocou em frente ao mar com meus silêncios.&lt;br /&gt;---É, e por falar nos teus silêncios, não esqueça que ele aprendeu a ouvi-los. E se você quer mesmo saber, está se separando da mulher e está muito de olho em você, pode crer.&lt;br /&gt;---Você vai esticar minha estória até o pieguismo de um romance?&lt;br /&gt;---Piegas....acha que a estória que escrevi para você foi piegas?&lt;br /&gt;---Não, não, desculpe....Quis dizer que...não sei o que quis dizer...&lt;br /&gt;---Então eu tenho a dizer que não gosto de matar minhas personagens, por isso desde o começo usei metáforas e fugi das autópsias, necrópsias, dissecações exigidas, entrando na tua carne pelo acidente de que fiz você escapar vivva. Para mim bastou a morte de sua boneca para dar pathos ao fim do segundo capítulo.&lt;br /&gt;---Miiiinha boneca?...&lt;br /&gt;---Desculpe, na verdade era a minha. Mas, que diabos, se a gente não puder lançar mão das próprias experiências, então para que serve um escritor....&lt;br /&gt;---Então, agora você vai escrever do meu sucesso na exposição, e que mais....&lt;br /&gt;---Nada, não vou mais escrever nada. Até esse diálogo fica entre nós. Ponto e parágrafo, para mim a estória terminou a beira mar, lembra?&lt;br /&gt;---E eu vou continuar descalça naquela praia de inverno até quando?&lt;br /&gt;---Se alguém se propuser a continuar tua estória, que o faça, mas não deixe que ele lhe mude personalidade, força de vontade, nem seu brilho. Isso tudo é obra minha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Esse conto que começou com o título "De armários e.....portas" é produto da oficina estimulante e criativa que Márcia Tiburi deu na Casa das Rosas nos meses de Outubro/Novembro. Não somente a ela devo inúmeras horas de aprendizado e cultura, mas também à minha querida amiga Sandra Schamas, que - generosamente - adotou a personagem criada por mim e deu-lhe em grande estilo, um final glorioso. Sandra, obrigada!&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-7935431053941688793?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/7935431053941688793/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=7935431053941688793' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/7935431053941688793'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/7935431053941688793'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2009/11/e-horizontes.html' title='......E HORIZONTES'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-8733719181170039850</id><published>2009-11-08T03:02:00.000-08:00</published><updated>2009-11-09T08:30:03.994-08:00</updated><title type='text'>".......DE ARMÁRIOS E PORTAS"</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;UM CONTO&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--"Augusto, por favor. Você já me ligou três vezes hoje. O carregador acaba de levar as malas e meu avião sai daqui a três horas". --&lt;br /&gt;Ele continua, insiste. O espelho da porta aberta do armário me reflete sentada nesta cama anônima de hotel: telefone na mão, meio encolhida entre a beira do colchão e os travesseiros que me acolheram nessa última noite. O único cabide ainda pendurado naquele mar de madeira escura, parece querer atirar-me cachecol e capa de chuva.&lt;br /&gt;--"Sei, entendo, eu também gosto muito de você. Um dia seremos bons amigos, você vai ver." --&lt;br /&gt;Faculdade de Belas Artes juntos, dois anos de estágio nesta cidade no meio dos Alpes. Parece uma vida inteira. Mas quando aconteceu o acidente, já estávamos a caminho do fim. Eu sei, ele também sabe, mas prefere não admitir. Se defende. Insiste. Me ama.&lt;br /&gt;--"Augusto: o museu daqui tem muuuitas obras para você restaurar e isto é um grande começo para a sua carreira. Mas meu negocio é pintar. E assim que puder mexer-me direito, também quer fazer escultura. Quero granitos rosa, quero mármores. E quero mar. Mar, ouviu?"--&lt;br /&gt;Tenho vontade de atirar o telefone à parede. Ouço até seu estrondo; mas pouso o microfone no gancho com delicadeza para que ele não perceba a raiva de minha exaustão. Visto a capa e cachecol com alguma dificuldade; ao fechar o armário, o telefone toca de novo. Sei que é ele. Volta minha vontade de berrar, de repetir que ele não me deve nada, que a culpa não foi dele. Que eu não quero, não queeero ser seu remorso pelo resto de minha vida. Quero só mar, mesmo se com a chuva e o frio daqui. Só o mar por algum tempo; o mar, seu cheiro, seu movimento, sua evaporação. Mar! Só mar! è só isso que eu quero agora.&lt;br /&gt;Depois é depois.&lt;br /&gt;Ao entrar no saguão do aeroporto, um deslizar suave e a porta fecha-se atrás de mim. Com ela, todas as outras.&lt;br /&gt;Check-in rápido, sala de embarque superlotada. Nos janelões sobre um céu de chumbo, a neve, vagarosa, começa a flanar. Deve ser por isso que anunciaram o atraso de uma hora para o meu vôo. O super aquecimento me obriga ao lento e sofrido despir de casaco, gorro e cachecol; até a curta suéter sobre a camisa de seda. Ando em círculo pelas paredes beirando as vitrines: jornaleiro, bombonniére, boutiques, últimos redutos para compras e souvenires. Se pelo menos achasse uma poltrona livre para descarregar minhas coisas. O que tirei do corpo agora é muito pesado para eu carregar. Parece toneladas de latas, vidros e ferros a apertar meus braços, a lacerar minha carne, a contorcer meus ossos. O zunido de aviões lá fora e os alto-falantes aqui dentro me jogam naquela escuridão em que fui atirada por alguma droga que abafou minha dor, mas não a consciência do britar dos pinos, da penosa introdução dos enxertos, do retesar das suturas. Meus braços não alcançavam minha mãe; minha boca não urrava de medo. Não lembro se eu respirava, se meu corpo ainda estava comigo. Estava correndo atrás de minhas entranhas que eu recolhia com uma mão e recolocava no ventre rasgado que eu segurava com a outra.&lt;br /&gt;Meu corpo todo volta a doer. De novo faz calor. Muito calor.&lt;br /&gt;Ouço chamarem meu vôo e já estou em direção à fila. Na porta de embarque, a boneca no colo de uma menina ao meu lado, me olha. No rostinho de plástico, o sorriso é pintado como para não sair do lugar. Os olhos também: sem nuances de luz. Fixos.&lt;br /&gt;Como ficaram quando lhes enfiei um lápis para ver o que tinham que os fazia mexer, abri e fechar. Eu não devia tê-la abandonado, quase morta, braços esmagados e semi-nua, entre os escombros da casa onde nunca mais voltei a morar.&lt;br /&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-8733719181170039850?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/8733719181170039850/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=8733719181170039850' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/8733719181170039850'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/8733719181170039850'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2009/11/de-armariose-portas-conto.html' title='&quot;.......DE ARMÁRIOS E PORTAS&quot;'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-7726883362302055989</id><published>2009-11-06T08:53:00.000-08:00</published><updated>2009-11-06T09:00:11.618-08:00</updated><title type='text'>SONO E SONHOS, um conto de crianças....</title><content type='html'>-”Manheee, não estou com sono...”&lt;br /&gt;-”Vamos Clarinha, já e tarde e amanhã é dia de escola, esqueceu?”&lt;br /&gt;-”Mas eu não estou com sono!”&lt;br /&gt;-”Olhe seu irmão: Tonico já dormiu. Está escutando? Até ronca!...”&lt;br /&gt;-”Ah, mãe, então conta carneirinhos comigo”&lt;br /&gt;-”Um carneirinho, dois carneirinhos, três carneirinhos.....”&lt;br /&gt;A mãe contando e olhando o relojo: louça para lavar, uniformes para passar, lancheiras para organizar. E a mesa para o café da manhã. ....Quinze, dezesseis, dezessete carneirinhos,....e já foi a Clarinha, pestanas se encontrando, lábios se afastando num respiro tranquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Lá está ela. Correndo no campo verde, gramado cheio de margaridinhas; a cerca pintada de branco serve de obstáculo para carneirinho pular, um atrás do outro: branquinhos, orelhinhas rosadas, ovelha-mãe, gorda e pesada tentando alcançá-los. Mas olha aí um pretinho, o menor, o mais lerdo, pernas ainda trêmulas, como se tivesse acabado de nascer. Clarinha corre, pega-o com os dois braços e aperta o bichinho ao peito tentando carrega-lo. Mas lá vem Tonico correndo:&lt;br /&gt;-“Deixa Clarinha, ele é muito pesado para você, deixa que eu levo.”&lt;br /&gt;Levam até a cozinha da fazenda, dão leite, tentam lavá-lo com um pano úmido, e o bicho miando que nem gatinho.&lt;br /&gt;-“Será que mamãe vai me deixar levá-lo para casa?”&lt;br /&gt;-“Vamos perguntar para ela, Clarinha. Não vai dar trabalho, nós mesmos podemos cuidar dele...”&lt;br /&gt;-“Eu. Eu quero cuidar dele, o carneirinho é meu, eu achei!” &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Barulho de chinelos, beijo carinhoso de mãe na testa de cada um.&lt;br /&gt;-“Vamos crianças. Já está na hora. Banho rápido, aí estão os uniformes e podem descer que o café da manhã está na mesa”.&lt;br /&gt;-“Mas manheee, eu ainda tenho sono....”&lt;br /&gt;-“Pois é, mas a escola não espera...Vamos, rápido os dois!”&lt;br /&gt;Em pouco menos de quinze minutos estão os dois famintos. Pão com manteiga, polenguinhos, mamão e suco de laranja enquanto esperam o leite. Lá vêm as jarras da mamãe: chocolate quente numa, leite na outra.&lt;br /&gt;E é o Tonico a falar.&lt;br /&gt;-“Mãe, eu sonhei que estava roubando leite da sua jarra para amamentar um carneirinho preto que a Clarinha achou no pasto...”&lt;br /&gt;Pão preso na mordida dos dentes, Clarinha arregala os olhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-7726883362302055989?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/7726883362302055989/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=7726883362302055989' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/7726883362302055989'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/7726883362302055989'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2009/11/e-um-conto-de-criancas.html' title='SONO E SONHOS, um conto de crianças....'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-9040129762006525975</id><published>2009-10-24T15:44:00.000-07:00</published><updated>2009-11-20T05:27:10.766-08:00</updated><title type='text'>A LOJA DE BRINQUEDOS   -     Conto</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ZOcj9KIePcg/SwaY__w2hlI/AAAAAAAAADY/orx6A1qhIh4/s1600/vitrine.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 227px; DISPLAY: block; HEIGHT: 228px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5406176627920373330" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_ZOcj9KIePcg/SwaY__w2hlI/AAAAAAAAADY/orx6A1qhIh4/s320/vitrine.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; Os cavalinhos de rodinhas estavam alvoroçados.&lt;br /&gt;-Como alguém poderá escolher se eles se diferenciam só pela cor.....&lt;br /&gt;-E aqueles pinos de boliche que tem cores diferentes sim, mas também tamanhos diferentes, e estão tão mal expostos que se confundem com peças de xadrez.&lt;br /&gt;Mas o que mais enraivecia os cavalinhos era aquela boneca.&lt;br /&gt;-Porque ela é tão grande, tão maior do qualquer outro brinquedo: não parece ser nem brinquedo nem boneca.....&lt;br /&gt;-E olha aquela mulher que vê tudo do lado de fora e não se decide a entrar.&lt;br /&gt;-Porque não entra e escolhe de uma vez...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A boneca é grande demais, cabelos lisos demais, sedosos demais e compridos demais; a boca vermelha demais. E parece estar quase sem roupa. A velha senhora do lado de lá da vitrine, está intrigada e pensativa. Intrigada pela estranheza da posição da boneca; pensativa por sua memoria estar sendo posta a prova. A boneca tem um sorriso parado, quase feliz; como se estivesse pensando numa cena romântica, num salão todo vermelho, onde ela, esguia e leve, dança no futuro, abraçada a um cavalheiro desconhecido, esguio e leve.&lt;br /&gt;Sim, o sorriso parece feliz mas é fixo, pintado e desenhado como para não sair do lugar. E o olhar também é fixo, sem nuances de luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;............Era como se a boneca fosse tão grande por ter crescido junto às lembranças da velha senhora. Olhos fixos, parados, como os da Titti, depois que a menina lhe enfiara um lápis, para ver o que tinham atrás que os fazia mexer, abrir e fechar.&lt;br /&gt;E fechados ficaram, quando a abandonou, como morta, bracinhos esmagados e semi-nua, entre os escombros da casa onde nunca mais voltaria a morar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-9040129762006525975?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/9040129762006525975/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=9040129762006525975' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/9040129762006525975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/9040129762006525975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2009/10/loja-de-brinquedos-conto.html' title='A LOJA DE BRINQUEDOS   -     Conto'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ZOcj9KIePcg/SwaY__w2hlI/AAAAAAAAADY/orx6A1qhIh4/s72-c/vitrine.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-2899149447648580436</id><published>2009-10-13T08:55:00.000-07:00</published><updated>2009-10-14T03:56:57.808-07:00</updated><title type='text'>EDUARDO E MÔNICA (O homem do conserto não vem?)</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;CONTO&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;"-Eduardo, não acredito que tudo voltou como há seis anos atrás. Ahi, Edu, Edu, queria tanto que a gente não se largasse mais..."&lt;br /&gt;Beijos e arranhões, umidades, lençois atrapalhando e travesseiros no chão.&lt;br /&gt;"-Mônica, minha Momô...quem falou em largar..."&lt;br /&gt;Risadas, gritinhos, palavras gemidas acelerando os corpos. Nos intervalos pacatos, respirações profundas, restos de drinques por toda parte. Lembranças da joventude e pequenos relatos de vidas interrompidas.&lt;br /&gt;"-A gente pensava que o Renato fez aquela música só pra nós"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;em&gt;um dia se encontraram sem querer e conversaram muito pra tentar se conhecer...quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"-&lt;/em&gt;E assim você casou com a Marcia; lembro dela, sempre deu em cima de você..Mas você nunca conheceu  o Fonseca, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;...não tó legal, não aguento mais birita...e ela riu e quis saber um pouco mais sobre o boyzinho que tentava impressionar...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;"-Casei com ele porque voce se mandou pros Estados Unidos estudar matemática quântica...Que coisa....."&lt;br /&gt;"-E ele é bom pra você?"&lt;br /&gt;"-É, é sim; é fácil lidar com ele. Gosta de quase tudo o que eu gosto e, o que ele não gosta, posso fazer sozinha quando ele viaja. Agora, vê? Foi pra Proto Alegre semana passada e só volta depois de amanhã.."&lt;br /&gt;"-Que bom a gente pode ser ver muuuito...Vem cá Momô, mais um pouquinho....Mas cadê o cara que o seu porteiro chamou pra resolver o problema da porta? Nunca vi apartamento como esse não ter entrada de serviço..."&lt;br /&gt;"-Paciência, Edu, tudo vai dar certo..."&lt;br /&gt;Mais um beijo e, com ele todo o resto, com fúria...&lt;br /&gt;Boca ainda grudada nos lábios de Eduardo, Mônica retoma fôlego.&lt;br /&gt;"-Olha nem sei como aconteceu: quando você chegou eu tranquei a porta e a chave não saiu mais. De tanto forçar acabou quebrando lá dentro..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;.....Eduardo abriu os olhos, mas não quis se levantar ficou deitado e viu que horas eram enquanto Mônica tomava um conhaque....&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;"-Já são cinco e meia...Ciiiinco e meeia! O tal de Manoel não falou que o cara viria até as quatro?"&lt;br /&gt;Descalça, acariciando os seios ainda quentes de outro corpo, Mônica vai calmamente até a cozinha. O telefone interno tem seu cheiro de fêmea.&lt;br /&gt;"-Seu Manoel, o homem do conserto não vem?"&lt;br /&gt;-"Já está aqui, Dona Mônica. Vou subir com ele, também para ajudar seu marido com as malas: ele acaba de chegar".&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-2899149447648580436?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/2899149447648580436/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=2899149447648580436' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/2899149447648580436'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/2899149447648580436'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2009/10/eduardo-e-monica-o-homem-do-conserto.html' title='EDUARDO E MÔNICA (O homem do conserto não vem?)'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-870152976563252253</id><published>2009-10-11T19:24:00.000-07:00</published><updated>2009-10-17T17:23:11.134-07:00</updated><title type='text'>CARTA DE UM SUICIDA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu sei por que. E não tenho a quem dizer.&lt;br /&gt;Ao mandar-lhe esta carta pelo correio, estou tendo a coragem de assumir publicamente o compromisso do meu suicídio, para não ter, na última hora, a covardia de desistir.&lt;br /&gt;Meu navio sai amanhã cedo: esperarei o barulho do porto e o garrir das gaivotas desaparecerem. Quando só o ruido das turbinas orquestrar meus pensamentos, é que acabarei com esta minha vida tão diária que aos poucos me encolheu, me apagou.&lt;br /&gt;E acabará assim: eu só, com a minha Beretta.&lt;br /&gt;Não haverá velório, nem enterro, nem flores, nem o silêncio dos abraços de praxe. Estes rituais fariam muita gente sentir de ter cumprido deveres, apagando remorsos.&lt;br /&gt;Ao retomar posse do apartamento, o senhor pode dispor de tudo, como quiser.&lt;br /&gt;O quadro campestre na parede da sala, acima do divã, será suficiente para cobrir a multa pela quebra contratual do aluguel que encerrarei antes do vencimento. É um Boucher autêntico apesar de parecer esquálido por ter-me eu alimentado de suas cores durante meus anos em preto e branco.&lt;br /&gt;Desejo-lhe que, à beira mar, o senhor continue vendo sempre, no horizonte claro e bem definido, os prenúncios de bons augúrios. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desculpe tê-lo usado para dizer adeus.&lt;br /&gt;E obrigado. &lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;N.A. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;agradeço a Cortázar de quem roubei o suicida &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;por ele esboçado em "A linha da mão"&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-870152976563252253?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/870152976563252253/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=870152976563252253' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/870152976563252253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/870152976563252253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2009/10/carta-de-um-suicida.html' title='CARTA DE UM SUICIDA'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-8665931331999146584</id><published>2009-10-10T14:59:00.000-07:00</published><updated>2009-10-12T10:03:53.530-07:00</updated><title type='text'>CRONICA NORDESTINA, no mesmo dia, mesma pousada...</title><content type='html'>Pois é .&lt;br /&gt;Não devo mesmo ser nordestina de raiz .&lt;br /&gt;Não consegui ter a mesma sabedoria da Biú.&lt;br /&gt;O filhote morreu nas minhas mãos hoje de tarde , ninguém sabe porquê .&lt;br /&gt;Talvez estivesse já muito fraco quando o Edson achou.&lt;br /&gt;Mas eu fiquei muito triste e não fui capaz de alegrar meu coração.&lt;br /&gt;A Biú , como a maioria das pessoas daqui, sabem viver os momentos .&lt;br /&gt;Como é dificil conseguir absorver essa sabedoria .&lt;br /&gt;Mas, mãe, fiquei muito feliz e lisonjeada de ter sido publicada ......&lt;br /&gt;depois, abri o e-mail e meus clientes ingleses anularam a vinda.&lt;br /&gt;Vou deitar , rapidamente , com um livro.&lt;br /&gt;Quem sabe o que o dia de amanhã trará .... apesar de eu " odiar " essa fala da Scarlet OHara.&lt;br /&gt;Beijos pra você. Andrea .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Minha querida...Há muita diferença na intenção entre "quem sabe o que o dia de amanhã trará"&lt;/em&gt; &lt;em&gt;e a frase original da Scarlet O'Hara "Tomorrow is another day". Na primeira há dúvida, na segunda, confiança. Você é minha filha: escolha a segunda.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-8665931331999146584?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/8665931331999146584/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=8665931331999146584' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/8665931331999146584'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/8665931331999146584'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2009/10/cronica-nordestina-no-mesmo-dia-numa.html' title='CRONICA NORDESTINA, no mesmo dia, mesma pousada...'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-8635225732650072285</id><published>2009-10-10T04:21:00.001-07:00</published><updated>2009-10-11T03:29:17.429-07:00</updated><title type='text'>CRONICA NORDESTINA, relato de uma emoção</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ZOcj9KIePcg/StCeZayZp3I/AAAAAAAAACw/43Q1MiXLR10/s1600-h/matraca_001.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5390982913487120242" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_ZOcj9KIePcg/StCeZayZp3I/AAAAAAAAACw/43Q1MiXLR10/s320/matraca_001.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Pois é . Ainda meio dormindo, como me é peculiar pela manhã, desço do meu quarto , pego o Ralph e vou ver onde está o Edson . Está na horta , aguando ainda no sol fraco , a couve , as berinjelas , a beterraba , a hortelã de folha miúda , o coentro e o manjericão. Logo me diz que encontrou um pelanco de martim pescador à sombra da casa de caseiro, pelo chão. Sorrio e acordo de vez .&lt;br /&gt;Vamos lá ver o bebê que o Edson havia guardado na lavanderia .... por conta da presença felina do Baghera .&lt;br /&gt;Eu nunca cuidei de filhote de passarinho. Ajeitamos o bicho numa caixa e lá vou eu pra internet . O bico já tem uns 5 cm e me preocupo em achar uma vasilha que corresponda a seu bico, de maneira que ele possa beber água. Como nada é por acaso na vida , me lembro da presença em meu freezer de uns peixinhos e umas ovas de peixe que meu afilhado Mickael e seu amigo Caio haviam tirado da água num dia de pescaria em julho, enquanto estavam de férias por aqui. Assim , decido batizar o filhote de Miko . Que é como madrinha chama afilhado....&lt;br /&gt;Beijos a todos e bom dia ! Andrea&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;PS. Ao receber, faz poucos minutos, esta perola de espontaneidade, ganhei meu dia! E, agradecida, publico para que todos sorriam e arregacem as mangas.....&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(Marcelino Freire teria aprovado)&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-8635225732650072285?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/8635225732650072285/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=8635225732650072285' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/8635225732650072285'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/8635225732650072285'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2009/10/cronica-nordestina.html' title='CRONICA NORDESTINA, relato de uma emoção'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ZOcj9KIePcg/StCeZayZp3I/AAAAAAAAACw/43Q1MiXLR10/s72-c/matraca_001.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-5026332901067850286</id><published>2009-09-29T12:40:00.000-07:00</published><updated>2009-09-29T20:37:04.880-07:00</updated><title type='text'>DIA DOS AMIGOS ON LINE.....quem inventa....</title><content type='html'>.........não sei, mas sei que recebo mensagens amistosas, carinhosas e, muito frequentemente reveladoras...&lt;br /&gt;A todos os amigos e amigas, que sejam, ou não, on line, meu abraço sincero, &lt;span style="font-size:180%;"&gt;ON LIFE&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-5026332901067850286?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/5026332901067850286/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=5026332901067850286' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/5026332901067850286'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/5026332901067850286'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2009/09/dia-dos-amigos-on-linequem-inventa.html' title='DIA DOS AMIGOS ON LINE.....quem inventa....'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-5150237425013626024</id><published>2009-09-28T13:07:00.000-07:00</published><updated>2009-09-28T13:11:43.789-07:00</updated><title type='text'>CARTA A UMA AMIGA</title><content type='html'>Querida Karen,&lt;br /&gt;hoje me dei conta de que faz pouco mais de um ano que recebi de presente, de você, o meu blog! E que desde então, já estão lá quase sessenta títulos. Quanto devo a você?&lt;br /&gt;Muuuuuuito, quase tudo.  E porquê não tudo?&lt;br /&gt;Por que me aventurei em outras oficinas, obedeci outros raciocínios, quis apanhar com outras críticas, e outros críticos. É como se, inconscientemente, eu estivesse grudando em mi mesma, com cera virgem e à moda de Ícaro, asas de pássaros inauditos, diferentes, vindos de outros continentes.&lt;br /&gt;Se soubesse cantar, eu diria que seria uma vocalista que larga a banda, de quem muito aprendeu , para lançar-se em carreira solo. Mas não é bem assim:  ainda tenho um longo caminho a percorrer, antes de me sentir segura para conversar sozinha e sozinha aprovar minha assinatura.&lt;br /&gt;Mas sei que você acompanha meus textos e estou certa de que, mesmo em momentos de crítica atroz, você saberá ouvir minha voz, como agora. &lt;br /&gt;Portanto, obrigada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-5150237425013626024?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/5150237425013626024/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=5150237425013626024' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/5150237425013626024'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/5150237425013626024'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2009/09/carta-uma-amiga.html' title='CARTA A UMA AMIGA'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-1237566895984782621</id><published>2009-09-24T03:40:00.000-07:00</published><updated>2009-09-24T03:45:34.622-07:00</updated><title type='text'>JANTAR COM MIMI</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Miniconto&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com deferência, o segurança abre a porta; a vendedora, um sorriso. Mulher classuda aquela: grifes da cabeça aos pés, porte de rainha.&lt;br /&gt;Um “Caleche”, por favor...não, não, extrato...Obrigada! Ah, sim, posso ver o fular da vitrine?” Seda preciosíssima, desenho exclusivo. Mil e quinhentos no cartão. A sacolinha é um luxo.&lt;br /&gt;A caminho de casa, entre mais vitrines convidativas, calcula mentalmente o saldo negativo do banco e dos cartões. Até Augusto, ontem, se mandou de vez...que fazer! Há dias não fala com o filho Antonio em Curitiba. Ele poderia mandar algum...&lt;br /&gt;Agora, em frente à geladeira vazia, um miado e o pelo macio acariciando seu tornozelo. “Vamos fofinha, nosso leite dá para dois”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-1237566895984782621?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/1237566895984782621/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=1237566895984782621' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/1237566895984782621'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/1237566895984782621'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2009/09/jantar-com-mimi.html' title='JANTAR COM MIMI'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-2718680354688399826</id><published>2009-09-17T09:38:00.000-07:00</published><updated>2009-09-21T03:45:44.263-07:00</updated><title type='text'>BRIOS      --  Microconto</title><content type='html'>Tarde gelada, halitos visíveis, echarpes ao vento. As pessoas que passam por ela fingem não notá-la. Mas Júlia sabe.&lt;br /&gt;Vê-se refletida na vitrine da confeitaria, cabelos livres, olhar seguro.&lt;br /&gt;Apesar da cicatriz que lhe deforma o rosto numa perene careta de escarnio, sente-se linda: a coragem de ter sido ela a dizer adeus, fizera toda a diferença.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-2718680354688399826?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/2718680354688399826/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=2718680354688399826' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/2718680354688399826'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/2718680354688399826'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2009/09/dane-se-microconto.html' title='BRIOS      --  Microconto'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-326233970652918925</id><published>2009-09-17T09:34:00.000-07:00</published><updated>2009-11-11T01:31:42.161-08:00</updated><title type='text'>FODA-SE    --  Miniconto</title><content type='html'>“Posso sentar-me à sua mesa?”&lt;br /&gt;Foi assim que se conheceram. Uma química veloz os reúne sempre no mesmo café. Ela, sóbria e elegante, entre entrevistas, a procura de emprego. Ele, esportivo, corrente de prata sobre relógio vistoso, aparentemente sempre a toa.&lt;br /&gt;Ela Marta, ele Domingos. Que nome antiquado, suburbano...mas tem o olhar sempre em busca de uma fresta de decote e um jeito especial de tocar em xícaras e croissant. Mais do que uma vez, Marta sentiu os mamilos, veementes, debaixo da seda.&lt;br /&gt;Indefectível, um dia veio o convite. “Faço um omelete imbatível. Janta comigo?”&lt;br /&gt;Carro um tanto velho mas limpo e incrementado. Estaciona num supermercado: “Um vinhozinho...Me espera um instante?”&lt;br /&gt;No porta-luva aberto uma revista a convida, e lá está seu horoscopo: “Ótimas perspectivas de contratação às quartas. Cautela aos sábados. Domingos perigosos”.&lt;br /&gt;Assustada, hesita. Mas lá vem ele com aquele sorriso. A seda lhe aperta querendo estourar a camisa. Ela, decisa, com uma mão atira a revista ao banco de traz e com a outra, vagarosamente, começa a soltar os primeiros botões num gesto definitivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;PS- já mudei o título duas vezes: fica este mesmo, que era o original, apesar do espanto de muita gente&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-326233970652918925?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/326233970652918925/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=326233970652918925' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/326233970652918925'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/326233970652918925'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2009/09/dane-se-miniconto.html' title='FODA-SE    --  Miniconto'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-8655857332735232460</id><published>2009-09-10T13:36:00.000-07:00</published><updated>2009-09-11T05:04:20.725-07:00</updated><title type='text'>EPILÉTICO, conto criado para a oficina de Marcelino Freire</title><content type='html'>-disto se morre?&lt;br /&gt;-Tomando remédios, posso sentar e escrever bastante mesmo depois da lição de casa?&lt;br /&gt;-meus colegas da escola vão ter que saber?&lt;br /&gt;Sentado à escrivaninha, o menino estava angustiado. Na escola percebia que o achavam diferente por preferir estudar do que brincar e zombavam de sua cultura precoce.&lt;br /&gt;O médico havia tentado tranquilizar a mãe que estava apavorada. Mas tinha receitado muitos remédios, e feito mil recomendações. Estar alerta quando começasse a sentir comichões e zumbidos. Seria normal, em hora de crise, ver sumir as cores ao seu redor. E seria bom que tivesse alguém por perto naqueles momentos. Mas também tinha dito que muita gente famosa sofria disto e, “se ficou famosa é porque viveu bastante, não é meu garoto?”&lt;br /&gt;Agora, enquanto a pena continuava tropeçando e espirrando tinta em volta das palavras que lhe surgiam incontroláveis, tentou lembrar os nomes dos escritores que o médico havia mencionado. Será? correu às enciclopédias e, sim, realmente Dostoievski e Flaubert tinham morrido aos sessenta anos. Sessenta anos é uma idade respeitável.&lt;br /&gt;-posso escrever muito até ter sessenta anos!&lt;br /&gt;A pena acelerou suas ranhuras sobre o papel rústico: linhas e mais linhas a criar cenas, personagens, conflitos. Rápido. Pois sabia que a qualquer momento poderia ser interrompido. Foi justo então: o rosto triste da mãe aparecer na porta.&lt;br /&gt;-Venha Joaquim: o almoço está na mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;PS ---- Conto surrealista: propositalmente quis induzir o leitor a imaginar tratar-se de Machado de Assis criança, quando isto é impossível: os três escritores foram todos epiléticos mas praticamente coetâneos.&lt;br /&gt;Dostoievski -1821-1881&lt;br /&gt;Flaubert -1821.1880&lt;br /&gt;Machado de Assis - 1839-1908&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-8655857332735232460?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/8655857332735232460/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=8655857332735232460' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/8655857332735232460'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/8655857332735232460'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2009/09/epiletico-conto-criado-para-oficina-de.html' title='EPILÉTICO, conto criado para a oficina de Marcelino Freire'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-173419698122052974</id><published>2009-08-29T03:51:00.000-07:00</published><updated>2009-08-30T03:37:31.350-07:00</updated><title type='text'>O LADO ENSOLARADO DA COLINA</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Conto. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Para Lucimar Bello com quem, finalmente, conquistei a liberdade para "inventar" palavras....&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhava pelas ladeiras aconchegantes, paralelepípedos limpos, telhas de ardosia, floreiras nas janelas. Câmara a tiracolo, Otávio sabia o que queria. Desde que saíra do ônibus de turismo, seu anseio era poder cristalizar de forma arrojada e definitiva a história desta colina. Dois versantes, duas estórias. Duas história.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;WEIMAR&lt;/strong&gt;, que o sol ilumina desde sempre, berço de uma cultura parida, amamentada e ninada por filósofos e pensadores, lá reunidos em volta de gênios como Goethe: o lado ensolarado da colina. Horizontes abertos, o infinito. Um véu de fina seda dourada deixando transparecer os campos verdes do futuro.&lt;br /&gt;Jovens, muitos jovens: estudantes discutindo politica e sociologia nas mesas de calçada das cervejaria; garçonetes, servindo, sorrindo dos gracejos. Todos alegres, confiantes na construção de futuros promissores, anseios de carreiras, sucessos. Mesmo os feios, transpiram beleza.&lt;br /&gt;Perto da igreja, um casal de velhos, bem velhos, está sentado nos degraus, mãos dadas, olhar perdido. Quantos anos? Setenta? Oitenta?&lt;br /&gt;Quando o vêem, quebra-se a harmonia. A velhinha cobre o rosto, o homem estica o braço, planta da mão aberta veementemente na direção de Otávio: é um alto imperioso, e Otávio obedece. Calcula retroativamente os anos e entende.&lt;br /&gt;Eles devem ser dos poucos que sobraram para ter um sentimento penoso de desonra. Porque viram, sim. Devem lembrar as sorrateiras construções do lado obscuro da colina. O outro lado, onde o sol nunca penetra, pois as rochas da cadeia montanhosa são tão rasantes que só deixam passar o vento, o gelo, a desesperança.&lt;br /&gt;Otávio acabara de vir de lá: sinistro museu a céu aberto onde houve por anos, a desolação dos olhares opacos espiando entre as frestas das paredes de madeira. Mesmo supérstite, cada ser ali pisoteado, foi transformado em museu individual e ambulante até a morte, cada um classificado, registrado e arquivado por números tatuados. Em cada ser, os devaneios vagos e improváveis tentando cancelar da memória o que os olhos não conseguiriam obliterar.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;BUCHENWALD&lt;/strong&gt;, o lado tetro da colina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sorte temos nós, que ao abrigo de nossa paz, podemos só ter um olhar penoso sobre barbáries de todo tipo. Ver surgir os "Capri", arranhacéus residenciais, irremediáveis e assustadores perante nossas janelas, escondendo segredos, penas, risos, esperanças e medos. Os mesmos segredos, penas, risos, esperanças e medos escondidos nas palafitas dos alagados, nos paus-a-pique dos sertões, nas tristes favelas urbanas onde as vasas serpenteiam entre as barracas e devagarinho descem até nossas calçadas a lembrar-nos, de novo, de nossos próprios segredos, nossas penas, nossos risos, nossas esperanças e nossos medos.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-173419698122052974?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/173419698122052974/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=173419698122052974' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/173419698122052974'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/173419698122052974'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2009/08/o-lado-ensolaradoda-colina-para-lucimar.html' title='O LADO ENSOLARADO DA COLINA'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-4275046807156068793</id><published>2009-07-30T13:04:00.000-07:00</published><updated>2012-01-29T06:52:59.502-08:00</updated><title type='text'>A CADUQUICE DO MUNDO</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;.....Obrigada à Hilda Hilst por emprestar-me o título....&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Na volta do cemitério, Marta estava cansada. Ao entrar em casa, chutou os sapatos, jogou a bolsa no sofá e foi direto à cozinha. Uma xícara de café e uma fruta seriam o suficiente para encerrar o dia, exaustivo física e emocionalmente. Não é fácil enterrar uma mãe. Bem cuidada numa casa de repouso, continuou até o fim reclamona, agressiva e sarcástica, mas lúcida apesar de centenária.&lt;br /&gt;Sentada agora na sua poltrona preferida, bandeja no colo, Marta ligou a televisão. Quem sabe algo corriqueiro aliviaria o estresse, antes da hora de deitar. Nem se preocupou em procurar um canal específico: ficou olhando as imagens que corriam na sua frente, sem rumo nem sentido. Nem havia-se dado conta que não acionara o som.&lt;br /&gt;De alguma forma sentiu que aquelas imagens a levariam de volta ao momento que, durante todo o dia, havia tentado identificar. Qual foi a primeira lembrança que tinha da sua própria mãe? Como era seu corpo, seu rosto, seu comportamento, sua voz quando Marta era criança? Foi só na adolescência que suas descobertas da vida, seus gostos repentinos e imperativos haviam começado a fazê-la olhar para a mãe como um livro didático que lhe indicava os rumos da vida, de uma vida que não era a que ela, Marta, estava finalmente vendo com seus próprios olhos.&lt;br /&gt;As reproduções das pinturas de Picasso que ela levava para seu quarto, pregando na parede com tachinhas coloridas.&lt;br /&gt;-"Onde já se viu os dois olhos no mesmo lado, parece um linguado! E chamam isto de arte? O mundo está acabando!!"&lt;br /&gt;Enquanto o mundo dela parecia estar caducando, o da Marta era uma revelação diária: a emancipação da mulher, a revolução sexual, o homem na lua!&lt;br /&gt;-"Para que meu Deus, com tanta fome no mundo! pra que gastar tanto dinheiro....Esta gente está louca!"&lt;br /&gt;A progressiva erradicação do racismo, a sempre crescente tolerância ao antigo condenável, o telex que estava virando fax, os supersônicos a cruzarem os céus. E o tampax! a trazer um conforto quase orgástico nos dias mais incômodos.&lt;br /&gt;-"Eu ehn, não é natural andar com um troço aí dentro o dia inteiro. Este mundo está completamente caduco!!"&lt;br /&gt;-"Uma vergonha esses gays por aí!"&lt;br /&gt;-"Já não se pode andar na rua sem ser assaltado!!"&lt;br /&gt;-"Com todos os impostos que pagamos, os caras lá em cima ganham fortunas e ainda roubam!!"&lt;br /&gt;As imagens continuavam correndo no vídeo colorido e Marta, xícara vazia na mão, tinha um nome martelando em seu cérebro, algo reminiscente de seus estudos, um pequeno livro de muitos contos, todos com os mesmos personagens: estórias picarescas de dois jovens foragidos vivendo, observando e participando dos podres de todos, dos ricos, dos pobres, dos vagabundos como eles. Traições, latrocínios, homicídios, adultérios, pedofilia, glutonice, extorsões, avareza, dissipação, desperdício. Todos os exageros e todas as licenciosidades: tudo, tudo estava lá. Tudo já estava lá. Mas onde?&lt;br /&gt;Talvez amanhã, descansada e mais serena, ela procuraria aquele livrinho, se é que ainda o tinha.&lt;br /&gt;Um bom banho, um pijama quente, uma última oração.&lt;br /&gt;Ao apagar a luz, sua mente inesperadamente trouxe-lhe o nome: "Satiricon" escrito por Petrônio no "Ano I - DC".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-4275046807156068793?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/4275046807156068793/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=4275046807156068793' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/4275046807156068793'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/4275046807156068793'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2009/07/caduquice-do-mundo.html' title='A CADUQUICE DO MUNDO'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-4927006748264759355</id><published>2009-07-23T12:52:00.000-07:00</published><updated>2009-09-28T12:43:22.957-07:00</updated><title type='text'>PRECISO MORRER.....</title><content type='html'>Preciso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Precisou sim, Cristo, na cruz, para ressurgir e redimir os pecados do mundo.&lt;br /&gt;---Precisou sim, Júlio César para que Marco Antônio, ao honrá-lo, levasse de volta o Senado Romano à sua antiga magnificência.&lt;br /&gt;---Precisou sim, Jean D'Arc para instigar a França a livrar-se da invasão inglesa.&lt;br /&gt;---Precisaram sim , milhares de João Ninguém do Dakota à Louisiana e do Nevada ao Massachusetts, para que, aos pés das falésias da Normandia, extirpassem um psicopata da face da terra.&lt;br /&gt;---Precisou sim, um estadista, decadente em moral e popularidade,&lt;br /&gt;para sair da vida e entrar na História.&lt;br /&gt;---Precisou sim, Martin Luther King para ver sua sonhada utopia ser realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PRECISO?&lt;br /&gt;Já escapei mais do que uma vez. Atravessei guerra, continente e oceano, já morri de medo, de fome, de frio, de ciume de tristeza de inveja de pobreza e de riqueza de ternura de ansiedade de pena de vergonha de orgulho de ódio de solidão de raiva de sucessos de fracassos de feridas de derrotas de vitórias.&lt;br /&gt;E de amores e de prazeres e de risos. Muitos risos.&lt;br /&gt;Mas, sem escolha, e como todos, serei um dia mais uma fossa na terra, deixando lágrimas, saudades, anedotas. Quem sabe algum exemplo. E depois, o esquecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PRECISO?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-4927006748264759355?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/4927006748264759355/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=4927006748264759355' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/4927006748264759355'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/4927006748264759355'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2009/07/preciso-morrer.html' title='PRECISO MORRER.....'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-7963302016320765384</id><published>2009-07-01T12:54:00.000-07:00</published><updated>2009-07-01T12:59:51.947-07:00</updated><title type='text'>AGRADECIMENTOS</title><content type='html'>A qualidade dos mediadores dos cursos e oficinas é, seguramente, o fator primordial para o prazer, o sucesso e o aprendizado dos participantes.&lt;br /&gt;Graças a Gabriela e Livia, "Mascaras, Rostos e Personas" foi uma fonte inesgotável de criatividade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-7963302016320765384?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/7963302016320765384/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=7963302016320765384' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/7963302016320765384'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/7963302016320765384'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2009/07/agradecimentos.html' title='AGRADECIMENTOS'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-8449790960833805256</id><published>2009-07-01T12:21:00.000-07:00</published><updated>2009-07-01T12:51:16.575-07:00</updated><title type='text'>MINHA CASA-MEU QUARTO-MEU ESPAÇO-MEU MUNDO</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;....o mundo muda mais a gente do que a gente muda o mundo (Maria Telles Ribeiro)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;E o mundo nunca é como queriamos que ele fosse... Mas o meu é.&lt;br /&gt;Meu mundo é anti-convencional porquê não tenho que respeitar as convenções de ninguém já que meu espaço é só para mim e toda minha casa é como se fosse só meu quarto e meu quarto é como se fosse toda minha casa, e tudo isto é meu mundo. Quem entra nele aceita minhas convenções.&lt;br /&gt;Sim, sim: pode entrar! Não faz mal, entre, pode entrar, sim, pode pisar sim, assim mesmo! Está chovendo?&lt;br /&gt;Não tem importância, entre assim mesmo! Entre, vamos, use esta porta pois é a única da casa! Não tenho portas a não ser a da entrada.&lt;br /&gt;Ah, não, desculpe: há a da cozinha. A da cozinha só está lá para que eu, ao acordar, não tenha a visão prosáica de uma geladeira. E la na cozinha, tudo é tão prático que, na mesma posição, uso o fogão com a mão esquerda, pia e geladeira com a direita e vários armários no alto; uma ligeira torção do tronco e tenho a despensa ao meu alcance.&lt;br /&gt;Venha, venha para a sala, pode pisar, insisto, já disse que não tem importância; olhe: esta é minha mesa de jardim, este meu sofazinho, aquela gama toda de cores alinhada nos braços, são as que brotam das minhas mãos quando me dá na telha.&lt;br /&gt;Minha estante de livros é pequena, não é? Eu guardo pucos livros, mas...Ah! meus livros...&lt;br /&gt;Você pouco vê das paredes, não é? Mas meus quadros...Ah! meus quadros...&lt;br /&gt;E minhas esculturas pelo chão...Ah! minhas esculturas...&lt;br /&gt;Mas a estória toda não devia ser meu quarto como a Maria Telles Ribeiro mandou?&lt;br /&gt;Pois então,você já está lá! Continue andando, pisando, sim pode, claro que pode, deve!&lt;br /&gt;Uma guinadinha para a esquerda e lá está minha cama branca e o resto é a continuação do resto: meus quadros e minhas esculturas e meus objetos...Ah! meus objetos...&lt;br /&gt;E, sim: há também meus girassois...Ah! meus girassois...&lt;br /&gt;E meu tamancos...Ah! meus tamancos brancos...&lt;br /&gt;Eles podem estar em qualquer lugar, a qualquer hora, meus tamancos brancos...&lt;br /&gt;É verdade,eles também são brancos, como as paredes que quase não se vêm, assim como todo, todo o chão em que você está pisando...&lt;br /&gt;Acabou o espaço: você está saindo e levando, dentro dos seus olhos, todo aquele branco em que você, indo para a sua casa, reverá todas as cores da minha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-8449790960833805256?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/8449790960833805256/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=8449790960833805256' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/8449790960833805256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/8449790960833805256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2009/07/minha-casa-meu-quarto-meu-espaco-meu.html' title='MINHA CASA-MEU QUARTO-MEU ESPAÇO-MEU MUNDO'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-2881760379816251539</id><published>2009-06-03T14:04:00.000-07:00</published><updated>2009-06-22T13:01:31.188-07:00</updated><title type='text'>HOMBRIDADE</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;conto&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A oferta da emissora do Rio, ainda está de pé?”&lt;br /&gt;A resposta foi um alívio. De improviso, uma pergunta do outro lado da linha leva Augusto a outra realidade.&lt;br /&gt;“Você tem certeza de que quer trocar o teatro pela televisão? Pense bem: a longo prazo pode ganhar mais, ter popularidade, mas televisão é televisão e teatro é aquilo que você sempre quis e onde você já é alguém. Quer pensar mais uns dias?”&lt;br /&gt;Qualquer atraso em sua decisão poderia custar-lhe mais do que a carreira.&lt;br /&gt;“Não,tudo bem. Preciso mudar de vida, ficar longe de arrependimentos. Tudo bem, mande os contratos que eu assino”.&lt;br /&gt;La fora, pela janela, apesar do transito, do barulho, do caos de sempre, vê um dia parado, amorfo, como se não tivesse data, nem hora. Ombro apoiado à vidraça, vê a poluição aproximar-se, velozmente, a envolvê-lo em nuvens escuras, ameaçadoras e inadiáveis.&lt;br /&gt;Nem procurando entre as falas mais retóricas e batidas dos personagens que já viveu, acha algo decente para usar como trincheira. Esconder-se atrás de literatura: não é assim que se faz, não é seu estilo. Ele quer ser sincero, só sincero. A vista daquela janela que conhece as horas que ali dividiu com Júlia, começa a escurecer, as luzes pipocam aqui e ali.&lt;br /&gt;Tem que ser hoje.&lt;br /&gt;É hoje. Amanhã a noticia pode ter se espalhado.&lt;br /&gt;É agora.&lt;br /&gt;A ida a pé até o teatro infundiu-lhe coragem. Agora, em  frente ao espelho do seu camarim, durante a transformação física para a personagem do palco, ele não consegue disfarçar sua angústia.&lt;br /&gt;Já à porta da Júlia, um suspiro, um curto golpe e lá está o sorriso dela, um cílio postiço no dedo, um gesto para que ele entre. Ao voltar para a bancada, ela mostra o puf onde frequentemente estica as pernas entre atos e ele senta, joelhos no queixo.&lt;br /&gt;Um silêncio rápido e a voz finalmente sai:&lt;br /&gt;-Júlia, não sei o que você pretende fazer, mas.....&lt;br /&gt;-Ainda não sei......-&lt;br /&gt;É a Júlia, objetiva, pé no chão, segura. Jovem demais, mas madura.&lt;br /&gt;-Eu ajudo em tudo, prometo Júlia, naquilo que você decidir...-&lt;br /&gt;Silêncio pesado, o cílio no lugar.&lt;br /&gt;-Eu não posso Júlia.......-&lt;br /&gt;Ele quer ouvir claramente sua própria voz, antes de continuar:&lt;br /&gt;-Na verdade, Júlia..eu não quero..&lt;br /&gt;O arrastar-se da cadeira e a Júlia de pé. Tira o roupão, entra pelos pés no costume da Leila, caminha até Augusto e junta as pontas do decote, virando de costas:&lt;br /&gt;-Por favor...&lt;br /&gt;O sibilar do zíper, um encolher de ombros à mordida do fecho em sua carne.&lt;br /&gt;Ao virar-se de novo para ele, Júlia coloca as duas mãos naqueles grandes braços agora relaxados. De repente ele parece mais baixo mas, apesar de mesto, seu olhar conserva a dignidade de sempre.&lt;br /&gt;- Eu sei, Augusto. Eu sei. Sem rancor...”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-2881760379816251539?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/2881760379816251539/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=2881760379816251539' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/2881760379816251539'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/2881760379816251539'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2009/06/hombridade.html' title='HOMBRIDADE'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-8140882663154154855</id><published>2009-05-28T08:13:00.000-07:00</published><updated>2009-05-28T08:39:36.572-07:00</updated><title type='text'>VENUSES   ou  BOTTICELLI x WARHAOL</title><content type='html'>A Vénus colorida, cabelos ao vento, mesto olhar para o infinito, imagem repetida, e repetida, e repetida através dos espelhos que também refletem a luz, muita luz, todas as luzes feéricas do salão. Numa única parede, uma só Vénus: a de fundo violeta que realça o mecheado quase invisível tão na moda desde as “luzes” de Vidal Sassoon. Aquele violeta pastoso que combina – melhor do que a Vénus de fundo azul claro - com o turquesa das poltronas giratórias, com o verde água dos aventais das manicures, com o laqueado ocre das bancadas.&lt;br /&gt;Como são despojados esses modernos: não tem mais os dourados nem os veludos da época em que me penduravam, casta, branca, ascética e intocável, nos salões onde minha nudez acariciada por minhas próprias mãos, contrastava com as lingeries pretas detrás dos biombos, escondendo volúpias e transgressões.&lt;br /&gt;Aqui, nem pareço eu. Essas mulheres com madeixas arrumadas, são mais magras, usam roupas, tem cabelinhos curtos feito franjas irregulares sobre os olhos; será fácil afastá-los com um sopro do canto da boca? E olha essa mulher estonteante que entra agora, esguia, altera, cheia de si, émula de rainhas, dona completa do espaço.&lt;br /&gt;Não aguarda recepcionista, senta na frente de um espelho, relaxada: sabe que Alexandre correrá até ela. E ele vem, olha para ela no espelho e, sorriso afetado, investiga:&lt;br /&gt;--É hoje o grande dia?&lt;br /&gt;--É.&lt;br /&gt;--Que roupa vai usar?&lt;br /&gt;--A roupa não tem nenhuma importância, o cabelo sim.&lt;br /&gt;Silenciosa surpresa.&lt;br /&gt;--É, é o cabelo: quero solto, desorganizado, emaranhado, muito.....assim como se eu acabasse de&lt;br /&gt;sair de uma cama depois de umas horas de amor bem louco.&lt;br /&gt;Alexandre agora suspira, escova em riste, mão deslumbrada:&lt;br /&gt;--Meu bem, você vai a um casamento, não a uma sessão de fotos!&lt;br /&gt;É aí que Verônica monta um sorriso modesto, mas com saboroso olhar de cumplicidade arremata:&lt;br /&gt;--Quem sabe assim alguém vai perceber com quem o noivo passa certas tardes...&lt;br /&gt;Há um empalidecimento progressivo do violeta nas refrações repetidas nos espelhos, mas&lt;br /&gt;Verônica sabe que é impossível um poster piscar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-8140882663154154855?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/8140882663154154855/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=8140882663154154855' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/8140882663154154855'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/8140882663154154855'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2009/05/venuses-ou-botticelli-x-warhaol.html' title='VENUSES   ou  BOTTICELLI x WARHAOL'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-526136538105518803</id><published>2009-05-20T08:48:00.000-07:00</published><updated>2010-02-24T02:27:07.248-08:00</updated><title type='text'>BLASÉE</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Miniconto inspirado no microconto de Adriana Falcão:&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;"Alí deitada, divagou:&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;se fosse eu,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;teria escolhido lírios&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Adorada, sim.&lt;br /&gt;Roupas espalhadas pelo chão, estojo Tiffany numa mesinha de cabeceira; garrafa de champagne brut emborcada no balde de gelo; uma taça intacta num criado mudo, a segunda no chão, junto do escarpin de seda molhada, numa poça espumosa sobre o carpete marfim.&lt;br /&gt;Ele, num ronco suave, deitado sobre um ombro, a mão sobre o mamilo dela ainda rijo.&lt;br /&gt;E aquele mundaréu de rosas, duzias e duzias, em dezenas de vasos espalhados pelo quarto apagado.&lt;br /&gt;Adorada, sim.&lt;br /&gt;Seu corpo nu reage a um inesperado calafrio: narinas tremulas, bochechas ligeiramente infladas a soprar o excesso daquele aroma invasivo, tingido de carmim.&lt;br /&gt;No teto branco, única claridade visível, busca uma imagem de sua infância: flores brancas, pétalas recortadas desvendando pistilos amarelados, no altar da santa a quem, vez por outra, dedicava suas comunhões.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-526136538105518803?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/526136538105518803/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=526136538105518803' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/526136538105518803'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/526136538105518803'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2009/05/blase.html' title='BLASÉE'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-1391670190515421413</id><published>2009-05-20T08:21:00.000-07:00</published><updated>2009-05-20T11:15:26.942-07:00</updated><title type='text'>"FORMANTE INICIAL" (Galáxias de Haroldo de Campos) e a INTERTEXTUALIDADE</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Considerações pessoais&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;No texto abordado a intertextualidade revela-se em facetas diferentes: na constante perseguição das palavras, no entrelaçamento de sílabas criando outras palavras, no alcançar novas palavras, e novos significados, por associação de idéias. É a intertextualidade cerebral, teórica, prática, literária mas também matemática e mecânica. Quase um exercício acrobático que, como toda acrobacia requer ritmo, cálculo, precisão e concentração impecáveis.&lt;br /&gt;Uma formula inteligente, criativa, rebuscada e ao mesmo tempo lúdica, divertida. E trabalhosa, muito trabalhosa. Quase tão trabalhosa quanto a leitura do texto que, se feita com paciência e dedicação, faz sentido e revela consistência. Poderia ser um compacto de estórias diferentes cuja ligação vem da faceta “associação de idéias”.&lt;br /&gt;A formula, mais do que prosa, corre paralela, mas bem rente, à poesia pelo compasso e pela volatilidade, que são mais próprias, mais frequêntes e até mais aceitas no gênero poético. Pareceu-me um ensaio, um estudo inovador de construções literárias e poéticas; assim mesmo, um ensaio. Apesar de arrojado, não creio que Haroldo de Campos, viesse a adotar esse estilo de forma permanente e contínua, mesmo que ele não substituísse nem renegasse o de sua obra anterior.&lt;br /&gt;Alias é possível que essa formula pertença a uma fase mundial de renovação, um movimento novo mas não definitivo e nem substitutivo, assim como houve o "descontrucionismo" na pintura, escultura e arquitetura que, porém, não obliterou a existência, com louvor, dos estilos tradicionais anteriores. Mas nada foi como antes.&lt;br /&gt;É certo, porém, que do movimento que Haroldo de Campos fundou na nossa literatura, nasceram questionamentos viscerais e alterações poéticas ainda em progresso.&lt;br /&gt;A estrutura do texto, por uma questão de ousadia, de riqueza de palavras, de alusões, sinônimos e antônimos, remeteu-me àquilo que considero uma obra prima da musica brasileira, erudita ou não – mas nesse caso específico considero fortemente erudita – que é a “Construção”, de Chico Buarque de Holanda. Não somente as imagens descritas, palavras e versos tem intertextualidade entre si, mas elas interagem com a composição musical que, por sua orquestração primorosa no ritmo de mercado persa, nos empurra à realidade do caos, do trânsito, dos ecos, da vida – e da morte – das metrópoles.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-1391670190515421413?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/1391670190515421413/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=1391670190515421413' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/1391670190515421413'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/1391670190515421413'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2009/05/formante-inicial-galaxias-de-haroldo-de.html' title='&quot;FORMANTE INICIAL&quot; (Galáxias de Haroldo de Campos) e a INTERTEXTUALIDADE'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-2485410103501113165</id><published>2009-05-05T10:57:00.001-07:00</published><updated>2009-05-28T08:42:18.011-07:00</updated><title type='text'>DIREITOS  E  ABUSOS.  E O  BOM SENSO? ...</title><content type='html'>CRÔNICA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca foi tão fácil comprar. Cheques, cheque especial, cartões de crédito, internet, débito automático; mil e umas prestações, mil e umas facilidades. A propaganda direta é tão bem praticada que candidatos a alguma coisa se instalam em nossos computadores, e até em nossos telefones, de tal maneira que enquanto não terminarem a mensagem não adianta nem desligar, pois a linha fica presa. Ligamos a televisão e recebemos dentro de nossa casa dezenas de aliciamentos. Atendemos ao telefone e sempre tem alguém querendo nos vender alguma coisa. Comprem, comprem, comprem.&lt;br /&gt;Já há algum tempo precisava comprar uma impressora para o meu “laptop”, mas não havia como dispensar certas despesas fixas, importantes, inadiáveis. Ontem finalmente, após mil contas e verificações, abracadabra: posso dar-me esse luxo!&lt;br /&gt;Entrei na loja disposta e voltar para casa carregando a caixa de papelão: não tenho mais carro mas da loja até minha casa seria um passeio prazeroso trazer para minha prateleira, finalmente, a comodidade que me permitiria eliminar minhas idas à mais próxima “lan-house'', carregando meu “pen-drive” para imprimir meus trabalhos. Levei algum tempo para escolher algo que estivesse dentro de minha disponibilidade financeira, e que eu fosse capaz de operar com alguma facilidade visto que seria minha primeira impressora. Na minha idade não tenho a habilidade dos garotos de 8, 10 anos que sabem fazer isso antes de saber declinar corretamente o verbo “assoar”. Já repararam quantos adultos ainda não sabem?...&lt;br /&gt;O rapaz que me atendeu e meu ajudou na escolha: um amor de atencioso, prestativo, competente. Acompanhou-me até um dos caixas carregando a finalmente MINHA IMPRESSORA. Sorridente, abro a bolsa e tiro meu talão de cheques: pagamento à vista com um pequeno desconto de 2%.&lt;br /&gt;Enquanto a moça coloca habilmente o volume em uma enorme sacola (ela aprendeu não colocar a “coisa” na sacola, mas a sacola na “coisa”, como fosse um capuz), sorri para mim e, com a naturalidade de quem o faz centenas de vezes por dia, há meses e- quem sabe – há anos, recita:&lt;br /&gt;--Identidade, cpf, comprovante de residência.&lt;br /&gt;Pensei não ter entendido direito:&lt;br /&gt;-- Identidade, cpf e o quê?&lt;br /&gt;A resposta confirma que, apesar de minha surdez, meus aparelhos auditivos ainda funcionam bem:&lt;br /&gt;--Comprovante de residência.&lt;br /&gt;Tive que segurar meu queixo com a palma da mão: um absurdo! Mandei chamar o gerente.&lt;br /&gt;--Por favor, qual a lei que lhe permite exigir um comprovante de residência,além&lt;br /&gt;dos documentos regulamentares?&lt;br /&gt;--A Senhora tem que entender que...&lt;br /&gt;--Desculpe: não quero entender as suas razões por exigir-me comprovante de residência;&lt;br /&gt;mas saber qual é a lei, o regulamento, ou portaria que lhe autoriza fazer-me essa exigência.&lt;br /&gt;--Não sei se tem tudo disso, mas eu estou cumprindo ordens da firma.&lt;br /&gt;--Quer dizer que a próxima vez que vier fazer compras aqui, eu devo supor que, quem sabe, o senhor poderá exigir-me o original da escritura de compra do meu apartamento?&lt;br /&gt;Silêncio. Insisto:&lt;br /&gt;--Quando o senhor sai de casa costuma carregar consigo uma conta da Eletropaulo, da&lt;br /&gt;Congas ou da Telefonica?&lt;br /&gt;Surpresa no olhar do moço enquanto balbucia:&lt;br /&gt;--Não senhora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saio feliz SEM a impressora, convencida de que outras lojas seguramente aceitariam – como aceitaram - o cheque (modestos duzentos reais) de uma velha senhora apenas mediante as identificações de praxe.&lt;br /&gt;À noite convidei uma amiga para festejar minha aquisição. O gerente do restaurante, veio ao nosso encontro, sugeriu a melhor mesa disponível; na hora de pagar a conta, preenchi meu cheque e quando quis apresentar minha identidade, com um gesto elegante e um sorriso, ele a dispensou. Se meu cheque resultasse sem fundos, ninguém mais poderia confiscar os pratos de alta gastronomia, e muito menos os dois “Kir Royale”, consumidos como aperitivo.&lt;br /&gt;Mas minha impressora está aqui, em perfeito estado, à disposição de quem tivesse que exigi-la legalmente por inadimplência.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-2485410103501113165?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/2485410103501113165/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=2485410103501113165' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/2485410103501113165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/2485410103501113165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2009/05/blog-post.html' title='DIREITOS  E  ABUSOS.  E O  BOM SENSO? ...'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-6240168500094120807</id><published>2009-04-17T14:18:00.000-07:00</published><updated>2009-04-17T14:25:39.888-07:00</updated><title type='text'>.....E LÁ SE FOI MAIS UM MÓDULO....</title><content type='html'>....e, para a turma do fundão, lá vai o meu "ATÉ MAIO"!!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-6240168500094120807?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/6240168500094120807/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=6240168500094120807' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/6240168500094120807'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/6240168500094120807'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2009/04/e-la-se-foi-mais-um-modulo.html' title='.....E LÁ SE FOI MAIS UM MÓDULO....'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-509048990260341543</id><published>2009-04-08T11:33:00.000-07:00</published><updated>2009-05-11T17:53:58.000-07:00</updated><title type='text'>PEDRO E A ZIBELINA</title><content type='html'>PARA PEDRO 'CLASH' A QUEM, EM CLASSE, NÃO CONSEGUI DIZER O ABAIXO:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Animalzinho melindroso das florestas russas, a Zibelina começou a ser usado como ornamento de vestimentas desde a época carolíngia. Carnívoro, sua composição física, pernas curtas e corpo alongado, já sugere seu andar quase rastejante para não ser visto por predadores maiores, e para surpreender os menores, de que se alimenta.&lt;br /&gt;Parece estranho Zibelina representar o “ser imaginário” de alguém como Pedro?&lt;br /&gt;Os textos de Pedro sempre me surpreendem. Não deveriam, pois já conheço de alguns módulos de “escrevivendo” a lucidês do seu raciocínio, sua capacidade de enquadrar idéias com distinção e força apesar da simplicidade com que as coloca. E meu primeiro pensamento ao ouví-lo ler seu texto foi o último item de minha própria lista inicial de seres imaginários, que, porém, não me atrevi a desenvolver: Deus.&lt;br /&gt;O fato de Zibelina ser “ausência” reforça ainda mais sua presença. A onipotência de Deus, um dos atributos mais cantados, enquadra outro que pouco mencionamos para não soar como uma ameaça. Não é, mas é tão real que nunca o percebemos: Sua “oni-presença”.&lt;br /&gt;A Zibelina de Pedro tem os dois.&lt;br /&gt;Se Zibelina chega sorrateiramente e se instala nos momentos de crises, qualquer crise, é porquê nosso inconsciente a percebe e a ela apela como quem necessita de um calor macio em volta de seus ombros e sua alma. O depoimento de Pedro é até um alerta contra a ingratidão. Resolvido o problema, Zibelina se vá. Devíamos nós, agora, acarinhá-la, acalentá-la em nosso colo, alimentar-lhe a alma com a nossa. Só os realmente religiosos – de qualquer religião – os ascetas, os penitentes, os místicos lhe dedicam constante homenagem.&lt;br /&gt;Zibelina resolve, mas some: sua ausência dá vida à consciência do necessitado que, com sua própria força e ajuda espiritual, tem capacidade, sim, de resolver suas crises e as aceita, por que elas fazem parte de nosso saber e não-saber.&lt;br /&gt;O texto do Pedro mereceria um fundo musical. Eu não sei compor mas poderia sorver da composição de Prokofiev, os sons didáticos e descritivos que usou para sua fabula de Pedro e o Lobo. Talvez com a adição de algumas discretíssima colunas de órgão, ou, quem sabe, melhor um saxofone barítono a acariciar-lhe o pelo macio que já não abastece os régios ornamentos, mas só aquece os recursos íntimos dos seres humanos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-509048990260341543?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/509048990260341543/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=509048990260341543' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/509048990260341543'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/509048990260341543'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2009/04/pedro-e-zibelina.html' title='PEDRO E A ZIBELINA'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-8052126411670667306</id><published>2009-04-07T14:49:00.001-07:00</published><updated>2009-04-07T15:15:26.758-07:00</updated><title type='text'>HOMENAGEM A PHILIP ROTH E A SEU OLHAR  LÚCIDO  SOBRE A JUVENTUDE / VELHICE E VIDA/MORTE</title><content type='html'>TRECHO SELECIONADO DO SEU LIVRO "THE DYING ANIMAL"&lt;br /&gt;(tradução de Paulo Henriques Britto)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Você pode imaginar o que é velhice? É claro que não. Eu não podia. Nunca consegui. Não fazia idéia do que era. Não tinha nem mesmo uma imagem falsa, não tinha imagem nenhuma... Ninguém quer encarar a velhice antes de ser obrigado a encará-la...Por motivos óbvios, é impossível imaginar uma etapa de vida posterior àquela em que estamos. Às vezes já chegamos na metade da fase seguinte quando nos damos conta de que já estamos nela. Além disso, as primeiras etapas da velhice tém lá suas vantagens.&lt;br /&gt;   Mesmo assim, as intermediárias são ameaçadoras para muita gente. Mas e a etapa final? Curioso: é a primeira vez na vida que você consegue ficar completamente por fora da situação que você está vivendo. Observar a decadência do próprio corpo de um ponto de vista externo, permite que a gente se sinta, graças à vitalidade que continua a ter, a uma distância razoável dessa decadência - às vezes dá até para sentir-se orgulhosamente independente dela...&lt;br /&gt;   É importante traçar uma distinção entre morrer e a morte. O morrer não é um processo ininterrupto. Se a gente tem saúde e se sente bem, é um processo invisível. O final, que é uma certeza, nem sempre se anuncia de maneira espalhafatosa. Não você não consegue entender. A única coisa que você entende a respeito dos velhos quando você não é velho, é que eles foram marcados pelo tempo. Mas compreender isso só tem o efeito de fixá-los no tempo deles, e assim você não compreende nada.&lt;br /&gt;   Para aqueles que ainda não são velhos, ser velho significa TER SIDO. Porém ser velho significa também que, apesar e além de ter sido, você continua sendo. Esse ter sido ainda está cheio de vida. Você continua sendo, e a consciência de continuar sendo é tão avassaladora quanto a consciência de ter sido.&lt;br /&gt;   Eis uma maneira de encarar a velhice: é a época da vida em que a consciência de que sua vida está em jogo é apenas um fato cotidiano. É impossível não saber o fim que o aguarda em breve. O silêncio em que você vai mergulhar para sempre. Fora isso, tudo é tal como antes. Fora isso, você continua sendo imortal enquante vive.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-8052126411670667306?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/8052126411670667306/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=8052126411670667306' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/8052126411670667306'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/8052126411670667306'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2009/04/homenagem-philip-roth-e-seu-olhar_07.html' title='HOMENAGEM A PHILIP ROTH E A SEU OLHAR  LÚCIDO  SOBRE A JUVENTUDE / VELHICE E VIDA/MORTE'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-4209358709705993161</id><published>2009-03-23T09:25:00.000-07:00</published><updated>2009-04-07T14:45:24.247-07:00</updated><title type='text'>....e mais SERES IMAGINÁRIOS</title><content type='html'>CONTO&lt;br /&gt;Carol Samuelson era minha grande amiga: íamos sempre juntas à praia, ao cinema, às festinhas – os arrastapés, como eram chamados, na época, os bailinhos de tarde na casa de alguém da turma, onde as moças levavam salgadinhos e os rapazes, o rum e as coca-colas. A casa dela era a mais frequentemente usada. Grande, espaçosa, os pais acolhedores mas presentes demais. Uma família linda: escandinavos loiros, lindos, olhos azuis ou verdes, altos e esbeltos. Carol, uma verdadeira sílfide, como diria Littré, era a mais moça das três irmãs e do Sven, o irmão mais velho que já era oficial instrutor da marinha.&lt;br /&gt;“Você deveria conhecer Sven, Bruna, é uma pena que suas licenças são curtíssimas e imprevisíveis. Ele é tão diferente de todos nós que Você nunca iria maginar, nem de longe, que ele é meu irmão. Você iria gostar muito dele e ele iria amá-la. Vocês são almas gémeas.”&lt;br /&gt;Carol ganhou uma bolsa de estudos e lá foi-se ela numa tarde de sábado, num navio da McCormack, em direção aos Estados Unidos.&lt;br /&gt;“Venha à despedida no cais, até Sven prometeu ir. Eu falo tanto em você que ele sempre me pergunta  e quer conhecê-la.”&lt;br /&gt;Fui. Sven não apareceu e todos choramos muito, abanando lenços e beijos.&lt;br /&gt;Por muito muito tempo, não vi mais Carol. Conseguiu estender sua bolsa de estudos e acabou ficando na Faculdade de Seattle até se formar. Nisso, eu me casei, mudei-me para São Paulo e recebia noticias dela pelo telefone dos pais. Quando voltou começou a escrever-me cartas cada vez mais frequentes. Estava apaixonadíssima por um Ronaldo no inicio de uma brilhante carreira diplomática, já à beira de um posto no exterior. Eu estava feliz por ela.&lt;br /&gt;Ao voltar de uma longa viagem de negócios, achei o convite do casamento já celebrado há duas semanas. Liguei angustiada; sua irmã Christa, explicou-me que os noivos já haviam embarcado para o Peru, seu primeiro posto como segundo secretário de Consulado. E, assim, começou nossa correspondência de muitos anos. Carol, cada vez mais apaixonada pelo seu Ronaldo, andara por Colômbia, Chile, Guatemala e, na Grécia, ele já era Adido Cultural da Embaixada. Sempre que pensava nela, eu a imaginava lindíssima como sempre foi, ao braço de um Ronaldo moreno (pelo sobrenome devia ser bem brasileiro) e sarado como os rapazes que admirávamos juntas na praia.&lt;br /&gt;Em cada carta, falava de seu imenso amor por esse marido, para mim desconhecido, mas que seguramente merecia aquela Carol maravilhosa que eu sempre admirara. Acompanhei de longe sua primeira gravidez, o nascimento de Sofia, seu batizado, suas dificuldades em mudar de idioma e de escola a cada dois ou três anos. Suas cartas continuavam alimentando minha idealização de um casal de beleza incomum circulando entre os mais refinados e exclusivos ambientes internacionais: seguramente o mais bonito casal diplomático da década.&lt;br /&gt;Um dia, o toque do telefone e a voz inconfundível de Carol:&lt;br /&gt;“Bruna, estamos por poucos dias no Rio. Sofia vai fazer a primeira comunhão depois de amanhã, e não posso admitir que isto aconteça sem sua presença. Vire-se mas venha, não vou aceitar desculpas nem problemas. Quero que você conheça o meu Ronaldo. Estamos cada dia mais apaixonados e depois de tantos anos agora eu sei, com certeza, que ele é, e será sempre, o homem da minha vida. Ah! E venha sim, pois finalmente Sven também estará aqui.”&lt;br /&gt;Minha vida a galope. Minha filha em colégio interno na França. Meu casamento em frangalhos. Nem sei como consegui conciliar tudo. Cheguei no salão da festa horas depois da comunhão. Ao descer os degraus do salão, onde dezenas de mesas acolhiam os convidados, percebi que um telão estava projetando fotos de Sofia, e só de Sofia, desde o nascimento até o momento da hóstia sagrada.&lt;br /&gt;Fiquei na escadaria aguardando que terminasse e logo percebi um homem chegar lentamente até a mim. Pequeno, olhos mornos, um imperceptível estrabismo, grande orelhas, calvície para lá de avançada e um sorriso aberto, branquíssimo, quase uma gargalhada repreendida. Num ligeiro inclinar do rosto, pegou minhas duas mãos nas suas: “Você é a Bruna, sim?”&lt;br /&gt;Desci os últimos dois degraus para diminuir mais um pouco nossa diferença de altura e abri meu sorriso prazeroso, numa súbita adivinhação: “Sven?”&lt;br /&gt;O barulho dos saltos de Carol destolheu minha atenção e lá veio ela, arrastando Sofia, no seu vestido longo e branco, que corria segurando com a mão livre a tiara de margaridinhas nos cachos loiros.&lt;br /&gt;Carol me abraça com tanta força que fiquei torta, numa posição estranha, com o tronco entre os braços dela, minhas mãos nas mãos de Sven, e a beira do meu vestido puxado pela mão de Sofia. “Você veio, você veio!” Livre das torções físicas daquele abraço maravilhoso, mal percebi Sofia infiltrar-se entre eu e o Sven, perguntando surpresa: “Papai, nem você conhecia a Bruna?”&lt;br /&gt;Não consigo lembrar minha reação nem qualquer coisa que tenha feito ou dito na meia hora seguinte, tamanho foi meu embaraço. Quando fui, finalmente, apresentada ao Sven deparei-me com um gigante rubicundo, uma vasta cabeleira ruiva encobrindo as orelhas, enormes mãos segurando um cachimbo apagado, mas seu sorriso sim era o sorriso da família mais bonita que eu jamais conheci.&lt;br /&gt;Seres imaginários?&lt;br /&gt;Sim, foram dois, e completamente errados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-4209358709705993161?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/4209358709705993161/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=4209358709705993161' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/4209358709705993161'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/4209358709705993161'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2009/03/e-mais-seres-imaginarios.html' title='....e mais SERES IMAGINÁRIOS'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-3687089890363546818</id><published>2009-03-10T12:58:00.000-07:00</published><updated>2009-04-07T14:48:31.799-07:00</updated><title type='text'>SERES IMAGINÁRIOS:  NÃO, NÃO É IDÉIA FIXA, NEM MANÍA, NEM PSICOSE!  É TEMA DE CURSO (março/abril2009) NA CASA DAS ROSAS...</title><content type='html'>É lá que nos reunimos para conhecer alguns  dos seres imaginários criados por mitos, religões, fábulas, contos de fada, escritores, cineastas, pintores e até por nós mesmos. Os seres imaginários não são somente aqueles que quase toda criança inventa para ter com quem conversar e brincar escondido, a quem confiar seus segredinhos. Não são somente os que vemos em revistas em quadrinhos, filmes de horror ou ficção científica, nem os que sobram de nossos pesadêlos. E nem sempre são esdrúxulos, feios ou apavorantes, pois quase sempre o que imaginamos é estritamente ligado aos nossos desejos, mesmo que ainda não captados. Muito dos personagens de livros sérios e importantes, foram frutos da imaginação de seus autores; certas vezes eles correspondem a algum ser humano de características interessantes que passou pela vida do romancista, mas ao construir-lhe uma história, forçosamente aparecerão outros seres ao seu redor que serão imaginários.&lt;br /&gt;Cada um dos participantes do curso pode ter seu ser imaginário a apresentar, a discutir, a defender, a proteger e - se for de todo necessário - a sepultar em ocultas memórias.&lt;br /&gt;É bom, é gratificante, especialmente quando descobrimos, com ou sem surpresas, quão mais geniais e criativos são os nossos colegas...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-3687089890363546818?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/3687089890363546818/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=3687089890363546818' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/3687089890363546818'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/3687089890363546818'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2009/03/seres-imaginarios-nao-nao-e-ideia-fixa.html' title='SERES IMAGINÁRIOS:  NÃO, NÃO É IDÉIA FIXA, NEM MANÍA, NEM PSICOSE!  É TEMA DE CURSO (março/abril2009) NA CASA DAS ROSAS...'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-2489955583457726940</id><published>2009-03-10T12:40:00.000-07:00</published><updated>2009-03-10T12:56:54.199-07:00</updated><title type='text'>SER OU NÃO SER -- TER OU NÃO TER SERES IMAGINÁRIOS</title><content type='html'>Eu sei que ele existe, mas não consigo imaginá-lo. É o ser que vive a espreita, em algum canto de minha vida. Houve tempos em que eu me perguntava: a espreita do que? Será que a presença dele me serve para alguma coisa como serviu-me o ser imaginário que criei anteriormente e que, acoplado ao de uma colega, acabou resultando numa quase parábola com moral e tudo?&lt;br /&gt;Sem precisar,  passei a fechar a porta do banheiro, pois sua presença é tão real como se houvesse uma pessoa de carne e osso na minha frente. Ela não está, mas ele sim, esse ser inconsistente, ao mesmo tempo pesado e agitado. Me pergunto como é possível que ele não faça barulho.&lt;br /&gt;De uns tempos para cá, noto instantes específicos - especialmente durante as refeições, em casa ou fora, quando é maior minha descontração e tranquilidade - em que parece que até os aromas e os sabores são desviados para ele como se esse ser invasivo quisesse refastelar-se como eles. Será que ele tem boca, lingua, dentes, quem nem nós? Se sim, porquê não dar-lhe um nome? Mas como dar nome a alguém que não tem forma nem rosto...&lt;br /&gt;Recentemente passei a perceber que sua presença, no fim da tarde e no começo da noite, começa a esvanecer, a parecer-me um pouco mais alheia, menos interessada. Na noite passada acordei de sobressalto com a revelação: tinha certeza de que ele estaria lá fora deitado à minha porta, aguardando o dia chegar e o meu acordar. É isto: ele existe para sugar meus dias, todos os dias, um de cada vez; ele espera que eu os viva para engulir minha energia, minhas atividades em movimento, para alimentar-se delas, apropriar-se delas, deglutí-las, saboreá-las, digerí-las.&lt;br /&gt;Essa espreita que tanto me incomodava, transformou-se em algo positivo: tenho todo o interesse em alimentá-lo esse ser imaginário: quanto mais energia eu produza, quando mais  ações, mais movimentos, mais realizações ele consumir, mais dias terei eu para voltar a produzi-los para que eu mesma possa saborear minhas novas vitórias.&lt;br /&gt;Contra a inutilidade de que eu o acusava e a invasão de privacidade que lhe atribuia, agora me beneficio de sua presença: é mais um desafio contra o tempo e a favor daquelas minhas parcas, mas sempre muito minhas realizações.&lt;br /&gt;Bem-vindo seja.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-2489955583457726940?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/2489955583457726940/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=2489955583457726940' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/2489955583457726940'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/2489955583457726940'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2009/03/ser-ou-nao-ser-ter-ou-nao-ter-seres.html' title='SER OU NÃO SER -- TER OU NÃO TER SERES IMAGINÁRIOS'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-8084530495674095885</id><published>2009-03-10T12:01:00.000-07:00</published><updated>2009-03-10T12:39:17.139-07:00</updated><title type='text'>CASOS IMAGINÁRIOS, SERES IMAGINÁRIOS E...AFINS</title><content type='html'>Hollywood tem por habito apreciar, divulgar, promover e -frequentemente- premiar o inaudito, o inusitado, o inimaginável, e sempre levando alguma "fabula" ao sucesso de crítica, de público e de bilheteria. Aconteceu há mil anos com "Harvey",  em que Jimmy Steward, magro, alto e desengonçado, contracenava com Harvey, coelho do seu mesmo tamanho, como se fosse seu alter-ego que controlava, para melhor, suas ações e sentimentos que o personagem real, por modéstia, timidez e insegurança, tinha dificuldade em administrar. Foi grande sucesso mas não sei se premiado. Aconteceu em "Staircase to paradise" (circa 1950) em que um piloto, avião abatido no mar, após sua chegada ao paraíso é submetido a provas que, superadas a contento do julganento angelical, ganha o direito a não morrer mas naufragar numa linda praia ensolarada. Só faltaram as hawaianas a recebê-lo com colares coloridos. Na mesma linha vieram "O céu pode esperar", "Cidade dos Anjos", "O advogado do diabo", todos filmes curiosos, alguns românticos, outros focados em comportamentos sociais, mas, honra seja feita, com um pouco mais de consistência. Anos atrás, foi a vez de "Forrest Gump", aplauditíssimo e premiadíssimo, incompreensivel homenagem a um personagem sem atrativo a não ser sua infantilidade, não fosse a habilidade do diretor Zamekis de enfiar sua  imagem ao lado de notórias personalidades em documentários históricos de diversas épocas políticas do país. E agora. eis "O estranho caso de Benjamin Button", com astronômicas indicações para o Oscar de 2009. Não ganhou nem a metade do almejado, mas se em linhas gerais pareceu-me um bom filme, ainda estou um tanto perplexa justamente  pelo inaudito, o inusitado, o inimaginável. Pareceu-me desperdicio  procurar razões, soluções e ensinamentos inúteis para situações vãs. Para que servir ao público em bandeja de prata maciça (deve ter custado uma nota só em cachês..) um problema tão improvável quando existem no mundo outros: raros, intrigantes, difíceis, interessantíssimos, mas REAIS, de inestimavel valor educativo  e emocional, como - por exemplo - o do filme " O Lutador", de qualidades cinematográficas irrepreensíveis que, apesar de algumas cenas violentas, é a tocante sublimação do mea-culpa e da humildade.&lt;br /&gt;Antes de sentar e escrever sobre Benjamin Buton, eu deveria ter começado por pesquisar o texto original de Scott Fitzgerad, autor da estória que inspirou o filme, mesmo que, como esclarecem as sinópsias, de forma bastante livre. Americano nascido e crescido num interior quase desolado de Minnesota, Fitzgerald  sempre acariciou em seus romances o desencantos da juventude de sua época que ele mesmo e seus coetâneos chamaram de "geração perdida". Com pouco menos de  trinta anos conheceu o sucesso com "Gastby", seguido por "O Último Nababo", algo como uma reflexão tardia sobre o primeiro. Dificil conceber que daquele seu estilo pudesse nascer o inusitado Benjamin Button. O que levou aquele extraordinário escritor a criar um ser imaginário tão inimaginável ? Algo na vida dele o instigou a pesquisar outras formas ou outras sequências do desenvolvimento (ou envolvimento) humano, a tentar observar, examinar e -quem sabe com certo sadismo- saborear as reações da sociedade perante uma aberração ou uma anomalia quase  circense? Sem condições agora de ler e analisar o texto original, tenho certeza de que muitos espectadores nem cogitariam fazê-lo: estamos falando de filme como lazer e não de literatura.&lt;br /&gt;Já diversas pessoas aludiram ao filme como uma metáfora. Esta é uma palavra de que não sou muito amiga: demasiadas vezes é usada para camuflar o incomprensível ou, pior ainda, valer-se dela para tentar valorizar a obra. O que me intriga em Benjamin é a falta de indicios de memórias e, menos ainda, de experiências. Esse elo é o que me parece faltar para que o filme seja, além de aceitável como estória, também aceitável como alerta aos que imaginariam que, ao inverter as coisas, os resultados seriam diferentes, o que dizem ser a famosa metáfora do filme. Em algum momento Benjamin deveria ter demonstrado algo a mais do que os seres que vivem aos seu redor e que tiveram um nascimeno e uma evolução absolutamente normais. Ou ele teve e eu não conseguir ver?&lt;br /&gt;Se não tivermos a veleidade de confrontar o texto de Fitzgerald com o filme para desvendar esses e outros tipos de dúvidas, então de que forma dirimí-las? Quais foram as intenções do escritor? Esta simples pergunta poderia provocar um debate extremamente interessante que prescindisse das qualidades intrínseca do filme: por mais bem dirigido e interpretado que ele tenha sido, poderiamos chegar a conclusões bem elucidativas. Quem sabe até do por que ele foi preterido em favor de outra fábula, a que enquadra sonhos e ansiedades verídicas de jovens indianos em busca de uma riqueza e de uma felicidade constantemente em mãos alheias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-8084530495674095885?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/8084530495674095885/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=8084530495674095885' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/8084530495674095885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/8084530495674095885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2009/03/casos-imaginarios-seres-imaginarios_10.html' title='CASOS IMAGINÁRIOS, SERES IMAGINÁRIOS E...AFINS'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-8853886012723410755</id><published>2009-03-10T11:10:00.000-07:00</published><updated>2009-03-10T11:19:55.760-07:00</updated><title type='text'>MEU MAIS RECENTE  SER  IMAGINÁRIO</title><content type='html'>Tenho especial carinho pelo  conto "CRIANÇAS" cujo protagonista é meu mais recente ser imaginário, visto que foi baseado na vaga reminiscência de um menino que vi algumas vezes pescando no outro lado do rio na região onde passei parte de minha infância. Nunca soube seu nome, nunca ouvi sua voz. Foi só uma imagem: um garotinho loiro e seu caniço cujas iscas pareciam abrir as águas do torrente em duas pequeninas fitas espumosas que desciam entre as pedras.&lt;br /&gt;A imagem andou ressurgindo na minha vida a intervalos variados e imprevistos: passar por uma ponte, sentir barulho de água, ver linguados em bancas de feira ou, inesperadamente, uma cabecinha loira virar a esquina. Enquanto eu crescia, a lembrança do menino era sempre a mesma, a mesma idade, a mesma loirice. Um dia, atraída pela foto de uma menina que não é nem parecida com a criança que eu fui, repentinamente pensei que aquele garoto também havia crescido, construido uma vida e envelhecido e em algum momento (quem sabe quando, como e se) minha própria imagem de mil anos atrás poderia ter ressurgido nele. E tive vontade de dar vida ao pequeno pescador: uma vida, um perfil, uma história. Aquele ser imaginário, hoje completa minhas lembranças infantis e gostei de ter semeado nele a vontade de transformar a garotinha daquela foto em seu ser imaginário. Quiça um dia tropeçarei num texto que me faça descobri que ele também tenha criado para mim uma vida, um perfil, uma história.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-8853886012723410755?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/8853886012723410755/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=8853886012723410755' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/8853886012723410755'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/8853886012723410755'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2009/03/meu-mais-recente-ser-imaginario.html' title='MEU MAIS RECENTE  SER  IMAGINÁRIO'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-3074908571439021667</id><published>2009-02-28T05:40:00.000-08:00</published><updated>2009-02-28T05:57:51.283-08:00</updated><title type='text'>LUIZ ANTONIO DE BRITO- POETA E AMIGO</title><content type='html'>Ele é colega de turma na Casa das Rosas há muitos "escrevivendos".&lt;br /&gt;Se define: Insensato, sonhador, eterno menino carente,&lt;br /&gt;pé no chão, careta, troglodida urbano, pseudo poeta.&lt;br /&gt;Para mim: amigo, comunicativo,  exemplo de atenção e carinho com todos.&lt;br /&gt;Extrovertido, prega e esbanja sinceridade por todos os poros. Publicou&lt;br /&gt;recentemente alguns poemas, no "Mosaico", e o que transcrevo aqui&lt;br /&gt;é de longe o melhor do livro inteiro. Veja você como deixou para traz aquele&lt;br /&gt;pseudo.....&lt;br /&gt;"ALFARRÁBIOS"&lt;br /&gt;Nuvens broncas passeiam no círculo&lt;br /&gt;almas habitam estantes e prateleiras&lt;br /&gt;milhões de palavras e pensamentos&lt;br /&gt;desvirginando páginas encadernadas&lt;br /&gt;penetrando tímpanos divididos&lt;br /&gt;corroendo veias entupidas de letras&lt;br /&gt;olhos curiosos procuram títulos tortos&lt;br /&gt;verticalmente opostos&lt;br /&gt;mãos ávidas passam folhas&lt;br /&gt;de desenhos sórdidos&lt;br /&gt;líricos científicos ou pornográficos&lt;br /&gt;ficam rodando perdidos&lt;br /&gt;de repente a luz&lt;br /&gt;o tesouro finalmente encontrado&lt;br /&gt;no mar filosófico&lt;br /&gt;não precisa embrulhar&lt;br /&gt;vou começar minha viagem agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, Luiz Antonio:você não é pseudo em nada!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-3074908571439021667?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/3074908571439021667/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=3074908571439021667' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/3074908571439021667'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/3074908571439021667'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2009/02/luiz-antonio-de-brito-poeta-e-amigo.html' title='LUIZ ANTONIO DE BRITO- POETA E AMIGO'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-5072289059746513042</id><published>2009-02-17T11:34:00.000-08:00</published><updated>2011-04-17T03:57:47.266-07:00</updated><title type='text'>BREVE RESENHA DO LIVRO  "THE DYING ANIMAL" - ANIMAL AGONIZANTE</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;E DO FILME "FATAL". &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Adaptação, roteiro e direção: ISABEL COIXET&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O livro de Philip Roth, na esmerada tradução de Paulo Henriques Britto resultou num metafórico tratado sobre a vida. O protagonista, David, é um atleta sexual, sexagenário e esteta. O livro não é uma estória , apesar de contar uma: é um monólogo sobre a morte e o morrer. Sobre a vida, a juventude, a velhice: de como os jovens encaram, olham e classificam os velhos. De como os velhos encaram, olham e classificam os jovens. David vive tentando convencer os outros - amigos "velhos" como ele, e "jovens" como seu filho e sua própria amante Consuela - a viver o dia a dia, assim como ele vive: em cada conquista , em cada novo corpo como se o melhor fosse sempre o próximo. Durante o livro inteiro ele passa longe do amor , como se fosse uma degradação do belo. E, como para reafirmar seu propósito de vida, ele renega a realidade até o fim do livro: a de ter sido levado ao amor, por Consuela. Mas o amor a que é levado atravessa o livro como uma lança de cuja haste ele quer camuflar, cancelar, fraudar suas digitais. É a agonia dele , David , antes e mais do que a de Consuela. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A roteirista e diretora do filme "Fatal", baseado nesta pequena obra-prima filosófica de Roth, acertou em trazer a tona o nome de Goya no lugar do Brancusi e Velásquez que David menciona no livro: a atriz Penélope Cruz o provocou para isso, pela forma como ela - uma Maya inspiradissima numa sequencia quase timida mas avassaladora - despe os seios e procura a pose ideal para dar-lhe s o formato mais perfeito. Gestos lentos , às vezes inseguros , outras decisivos; seu rosto entre o orgulho e a humildade, seus olhos prescrutando as formas em despedida. Aliás o grande trunfo do filme é esta atriz jovem e talentosa que desfila sua extraordinária maturidade artística, ao lado, e em igualdade total, do já consagrado Ben Kinsley: impossível imaginar outra atriz em seu lugar que não viesse a ser tragada por ele; em inúmeras sequencias ela mostra sua capacidade de expressar-se com um simples olhar, com o esboço de um sorriso, ou um leve movimento de qualquer parte de seu corpo. Sua inflexões vocais transmitem irrepreensivelmente as intenções: que nunca sejam dubladas!... De novo o roteirista modificou alguns detalhes do filme - por exemplo, o filho de David, médico e não restaurador - e foi bastante seguro em dar um final bem definido, quando no livro ele ficará ao bel prazer do leitor. Não foi questão de bilheteria, nem de pieguismo, pois a diretora seguramente o teria evitado, como o evitou, mas uma questão de entendimento e de aceitação. O que é solução para o leitor , não o é para o público que admira - e está pronto a perdoar - quem admite seus erros, quem se oferece para dar o braço a torcer, quem cumpre com o pregado por qualquer religião: "expiar". Dificilmente qualquer espectador aceitari a o distanciamento por preservação ou por respeito a si mesmo. O livro continua sendo um livro de filosofia antes de ser sobre sexo, amor ou comportamento, mas esses últimos ingredientes completam sua missão em levar o leitor a um exame de suas mais íntimas reflexões. Em qualquer idade.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-5072289059746513042?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/5072289059746513042/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=5072289059746513042' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/5072289059746513042'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/5072289059746513042'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2009/02/blog-post_7058.html' title='BREVE RESENHA DO LIVRO  &quot;THE DYING ANIMAL&quot; - ANIMAL AGONIZANTE'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-3075156222409864406</id><published>2009-01-28T08:51:00.000-08:00</published><updated>2009-02-13T05:23:32.255-08:00</updated><title type='text'>OBAMA     E     EU</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;OU...EU E OBAMA?...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Tenho um amigo  nos Estados Unidos que adivinha meus pensamentos :  no fim de semana  recebi, via e-mail, o texto integral  do discurso de posse do novo Presidente. Primeira reação: correr para reler a frase que tanto havia-me tocado.&lt;br /&gt;Li uma vez, duas vezes. Não achei.&lt;br /&gt;Confusa, apreensiva , intrigada, li mais uma vez. Nada.  Teria Obama saído do roteiro e inserido a frase surgida por ímpeto em sua mente?&lt;br /&gt;Epifania?...  Criei eu, na minha mente  e no meu coração  absorvidos por aquele evento, a frase que caberia perfeitamente naquele discurso, mas não estava? Com qual cuidado  - e critério - escolhi, brotadas inconscientemente  de meu  ser, as palavras que emocionaram   a mim e àquela  irlandesa em lágrimas? Com qual transformação verbal elas chegaram  pela boca  de  Obama  aos ouvidos  daquela ruiva no meio da multidão?   E em que momento e em qual frase efetivamente pronunciada, a irlandesa se emocionaou e eu "desinterpretei"?&lt;br /&gt;Não sei.&lt;br /&gt;Uma Epifania... Banquei - ilegalmente e sem nenhum direito  - o James Joyce   que adotou  e divulgou  a palavra Epifania como "momento" literário. Tão confiante naquilo que eu havia "escutado", que corri  para papel e lápis   para não  perder  os detalhes  da frase   e tê-la como imagem    definitiva de grande valor   para todos os cidadãos, emigrantes, desbravadores, colonizadores. Talvez por ser eu  mesma emigrante, mesmo que minha família   não tenha sido lavradora?...&lt;br /&gt;Uma Epifania: não sei se pedir desculpas por ela  ou sentir-me orgulhosa  de ter recebido de um orador uma aparição  que, afinal,   não foi inusitada: ela poderia perfeitamente ter feito  parte daquele texto e teria feito todo sentido naquele Pais  e em todo o Continente.&lt;br /&gt;Já decidi: não vou pedir desculpas.&lt;br /&gt;Minha Epifania está para mim como mais um voto para Obama.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-3075156222409864406?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/3075156222409864406/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=3075156222409864406' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/3075156222409864406'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/3075156222409864406'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2009/01/obama-e-eu.html' title='OBAMA     E     EU'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-4141459747895096932</id><published>2009-01-21T05:41:00.000-08:00</published><updated>2009-01-21T06:10:57.632-08:00</updated><title type='text'>OBAMA - AGAIN</title><content type='html'>Não resisti a dar uma continuação ao meu "Habemos Obama" anterior.&lt;br /&gt;              Um dia depois de sua posse, ainda estou surpresa, admirada e, porquê não, comovida. Surpresa do mar de pessoas que o festejaram na rua. Admirada pela impecável organização do evento. Comovida pelo reconhecimento que senti dentro de mim daquilo que  não se consegue explicar  só com palavras: Democracia e Patriotismo.&lt;br /&gt;             Seu discurso sem leitura, prova o preparo intelectual de um homem que segue uma linha de pensamento intrínseca em seu cerebro, abrindo e fechando paréntesis, sem perder o fio da meada.&lt;br /&gt;            Uma frase do seu discurso me tocou especialmente e lamento que não consegui (nem teria como) gravar a imagem imediatamente depois de pronunciada, de uma jovem, característica cara de irlandesa, no meio de tantos (milhar, milhões, quantos?) rostos afro-americanos, cujas lágrimas escrorreram por traz dos espessos óculos de grau: Eis ela aqui, a frase, diretamente ligada à menção da crise:&lt;br /&gt;             "Efetuaremos a colheita, sob o sol, mesmo no vento, na chuva e na neve&lt;br /&gt;               como fizeram nossos ancestrais que araram nossos primeiros&lt;br /&gt;               campos".&lt;br /&gt;Uma imagem tão forte que deve ter atingido profundamente aquela raça, pois agora os americanos são uma Raça, que veio de todos os cantos do mundo, para fazer daquela terra um país agora, sem dúvida, pronto a provar ser a terra da igualdade para todos e da justiça - esta também - igual para todos.&lt;br /&gt;               Sendo quem ainda sou, europea, ariana, caucasiana, septuagenária, e tudo mais, não tenho pudor de ter me sentido surpresa, admirada e comovida. Que bom que ainda estou viva.&lt;br /&gt;God Bless America, quem sabe um dia como Continente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-4141459747895096932?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/4141459747895096932/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=4141459747895096932' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/4141459747895096932'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/4141459747895096932'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2009/01/obama-again.html' title='OBAMA - AGAIN'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-1778879837449124048</id><published>2009-01-07T07:04:00.000-08:00</published><updated>2009-01-07T07:16:02.466-08:00</updated><title type='text'>ADEUS 2008 - PRIMEIRA MENSAGEM DE 2009 PARA OS ESCREVIVENTES</title><content type='html'>A Casa das Rosas reabre as portas com uma série de novos cursos que começam amanhã dia 8 de Janeiro. Ainda não tenho a listagem completa: Se somente tiver cursos sobre poesias terei alguma dificuldade em dicidir se fazê-los ou não. Não é minha praia, mas, quem sabe acabo descubrindo que até poderei ser boa em rimas....&lt;br /&gt;Estou torcendo para prosa, ou quem sabe, artes!&lt;br /&gt;Em todo caso, a grande expectativa que me pressiona é reencontrar voces todos.&lt;br /&gt;E que todos estejam de novo por lá! Se algum precisar sumir, me deixará saudosa,&lt;br /&gt;mas sempre com o carinho e os agradecimentos por sua contribuição à minha produção do ano anterior, por que de todos voces arranquei imaginação e espírito criativo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-1778879837449124048?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/1778879837449124048/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=1778879837449124048' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/1778879837449124048'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/1778879837449124048'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2009/01/adeus-2008-primeira-mensagem-de-2009.html' title='ADEUS 2008 - PRIMEIRA MENSAGEM DE 2009 PARA OS ESCREVIVENTES'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-397243191587464614</id><published>2009-01-07T06:20:00.000-08:00</published><updated>2009-01-07T06:51:45.412-08:00</updated><title type='text'>"AMOR E DESAMOR" - Conto</title><content type='html'>&lt;em&gt;"Há quem ama, quem ama muito, que ama mais.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E quem ama melhor"&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Jean Cocteau (1889-1963?), poeta, escritor, cineasta,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;dramaturgo e cenarista. Para Jean Marais, ator&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Foi como uma tempestade, poucos minutos de um frenético agitar de corpos, de curtos suspiros projetados ao teto, numa procura quase raivosa de alcançar o nada. Depois, o silêncio. Ela, imóvel, olhos fechados na penumbra do quarto. Ele acaricia os pesados cachos morenos da mulher e volta a chegar-se a ela num susurro: " Você vê? Nós nos amamos, ainda nos amamos."&lt;br /&gt;Sua mão desce pela face e sua palma descança no travesseiro dela. Está úmido. Seus dedos correm de novo para o rosto dela e agora ele sabe. Num súbito apoiar-se no cotovelo, volta a olhá-la diretamente, face a face: "Você está chorando..."&lt;br /&gt;Olhos fechados, no abandono dos ombros, a resposta dela se perde antes de alcançar o silêncio.&lt;br /&gt;Ele insiste: "Por quê? Por quê?..." e quase não reconhece a voz que lhe diz: "É só isto que nos resta..."&lt;br /&gt;Calmamente ela alcança a beira da colcha que recolhe em volta dos ombros, lentos passos na direção da lareira; o esperma que lhe desce pelas pernas nunca havia-lhe encomodado: cheiro de terra molhada por chuva de verão, cheiro de semeadura, sempre o sentiu assim. Como as outras mulheres o identificam? Hoje ela esqueceu.&lt;br /&gt;Sentou-se no tapete, testa sobre os joelhos, o resto do corpo dentro da escuridão da coberta: os olhos, agora abertos, mal percebem o contorno de seu corpo nu encolhido em si mesmo. Sentia as faiscas da lareira soltar pequenos estampidos quebrando o silêncio, pesado, aterrador. Levantou o rosto. Percebeu a chegada do homem, agora sentado bem em frente a ela, de costas para aquela janela retangular, sem cortinas, que se projetava para dentro do jardim. Nu, pés planta contra planta, joelhos afastados, pênis deitado no tapete, ombros tremendo.&lt;br /&gt;Ela continua olhando,  bem acima do rosto dele, a nevasca que silenciosamente esbranquiça as vidraças.&lt;br /&gt;"Você sabe, faltam só duas semanas para terminar a gravação, mais uns poucos dias para o lançamento do disco e depois vamos para casa. Prometo."&lt;br /&gt;Aquele tremor dos ombros: era sempre assim quando ele sentia mágoa, incerteza, dúvidas; gesto incontido, como uma perguna dirigida diretamente a ela "o que é que eu faço agora...."&lt;br /&gt;Ela volta a esconder o rosto dentro da coberta. Sabe que as mãos dele estarão desenhando no ar, como dirigindo a orquestra, todos os argumentos e suas paixões, todas as promessas e suas paixões; todas as reivindicações e suas paixões...&lt;br /&gt;"Quando voltarmos vou pedir emprestado o barco de meu irmão e vamos passar uns dias na ilha. Que tal?".&lt;br /&gt;Uma pausa.&lt;br /&gt;"Podemos até casar, quer? Afinal, depois de tanto tempo... quer casar?..."&lt;br /&gt;Só o crepitar do resto da lenha entre as cinzas rosadas.&lt;br /&gt;"Mas por quê? Por que, o que foi? O que acabou? Não pode ser..."&lt;br /&gt;Ela tem toda a munição para aquele adeus, mas prefere ser desarmada. Sentada ainda ao lado da lareira, olhos fixos nos arbustos do jardim, sente seu ombro e seu braço congelarem contra as vidraças, como se ela realmente estivesse encostada lá  procurando os rododendros azulados que só voltariam a brotar na primavera.&lt;br /&gt;            &lt;em&gt;O que dizer, como dizer?...Como fazê-lo entender?...O silêncio basta?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;            O sótão. As malas no sótão. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;            Amanhã. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;           Terei coragem amanhã?...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-397243191587464614?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/397243191587464614/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=397243191587464614' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/397243191587464614'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/397243191587464614'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2009/01/amor-e-desamor-conto.html' title='&quot;AMOR E DESAMOR&quot; - Conto'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-8698446666619684228</id><published>2008-12-19T06:03:00.000-08:00</published><updated>2008-12-19T06:11:54.174-08:00</updated><title type='text'>ESCREVIVENDOVOTOS</title><content type='html'>A TODOS OS ESCREVIVENTES : recebam meu carinho e meus votos de toda a felicidade&lt;br /&gt;que desejam, merecem e que suas palavras e textos espalharão nas salas, nos blogs e na vida de seus colegas, instigando o estreitamento de amizades que - digam a verdade - não foram surpreendentes e inesperadas naquele casarão da paulista?&lt;br /&gt;Portanto até sempre e, finalmente, Bruna.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-8698446666619684228?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/8698446666619684228/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=8698446666619684228' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/8698446666619684228'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/8698446666619684228'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2008/12/escrevivendovotos.html' title='ESCREVIVENDOVOTOS'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-7374271204602621467</id><published>2008-12-10T06:44:00.000-08:00</published><updated>2008-12-10T07:36:13.193-08:00</updated><title type='text'>INTERTEXTUALIDADE   -   Ensaio</title><content type='html'>Precursora desde sempre da novíssima nanotecnologia, nossa mente armazena, desde o nascimento, visões, fatos, cheiros, sabores, sons, que re-afloram, na maioria das vezes espontaneamente, outras vezes repescados nos chips de nossa emória, quando,&lt;br /&gt;repentinamente, toca uma campaínha inicialmente indecifrável. É o dejá-vu, o dejá-cheirado, dejá-saboreado,  dejá-ouvido.  Nossos chips respondem com uma rapidez extraordinária.&lt;br /&gt;É para mim suficiente ouvir o barulho de um pequeno avião, daqueles que empinam faixas publicitárias, para acoplar àquele som o barulho do mar, o cheiro da maresia e o sabor de um picolé com alguns grãos de areia trazidos pelo vento.&lt;br /&gt;Não bastassem as reminiscências da infância, é extremamente prazeroso atribuir a certos trechos de nossas leituras a intenção - às vezes inconsciente - do autor em remeter-nos a outros textos, nem que seja só no ritmo das frases.&lt;br /&gt;Há um trecho em "Uma história do conto", ensaio de Guilerme Cabrera Infante, sobre aquele gênero literário, em que o autor de repente se dá conta de estar divagando ao falar de novelas e romances no lugar de contos, que era seu propósito. Num curto parágrafo em que ele se emenda usa umas poucas frases que tem o ritmo shakespeariano  do  discurso apologético de Marco Aurelio, e diz:   &lt;em&gt;"... Mas vim aqui falar de conto. Toda intromissão de outro gênero&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;                           deve ser considerada um digressão. E a digressão nunca deve ser  &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;                           considerada uma agressão..."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Foi intencional? Que importa... O fato é que Cabrera nos traz o tom de defesa de um tribuno, tom este que  sustenta, prova e enaltece a beleza do conto como gênero literário nobre, com brilho próprio e não uma mera etapa preparatória para o romance.&lt;br /&gt;Roberto Pompeu de Toledo, em seu primeiro romance publicado recentemente, descreve um balão em frente a uma janela, visão primordial para a ilusão de uma mulher em driblar a morte: pode ter sido intencional ou não, a referência a um dos contos de O´Henry (l862-1910) em que, perante o pressagio de um médico de que a namorada morreria "quando cair a última folha da hera daquele muro", o amante pinta a folha para que ela não perceba a chegada do seu fim.  Foi intencional? Pode ser que sim, afinal Pompeu de Toledo é um homem de letras e a obra de O´Henry é matéria, me parece, de liceu. Mas certamente é intencional a imagem que o mesmo Pompeu de Toledo  cria, com genial e fortíssima pincelada, quando um de seus personagens admira o rosto de uma mulher muito bonita tanto de perfil como de frente, e confessa: "...Queria ter os olhos de Picasso para enxergá-la ao mesmo tempo de frente e de perfil...". Sou fã incondicional de Picasso e de suas mulheres &lt;em&gt;"desconstrucionadas",&lt;/em&gt; e além de lembrar diversas telas do pintor, fui levada a "&lt;em&gt;ver&lt;/em&gt;", num momento de prosáico devaneio, numa   banca de feira, sobre gêlo moído, um fresco linguado.&lt;br /&gt;Walter Salles, em seu excelente "Abril despedaçado", leva o jovem protagonista, uma vez decidido a abandonar as funestas tradições de vingança e motre do sertão, a escolher, entre os dois caminhos à sua frente, aquele que o levará ao mar. Como se o homem idenficiasse no mar o sentido de liberdade, muito ao gosto de François Truffault, na nouvelle vague dos anos 60, que usou  a  mesma imagem, com o mesmo sentido, em mais do que um dos seus filmes. Levando em consideração que "Abril despedaçado" foi adaptação de um livro de um escritor  croata (em que evidentemente a família devia viver de outra coisa que não rapadura), surge a dúvida se a ida ao mar foi idéia do romancista ou do cineasta.&lt;br /&gt;O importanbte é  que todas estas refeências, voluntárias ou não, não desmerecem e não interferem nem nos textos de origem, nem naqueles derivados, mantendo o efeito, a qualidade e a criatividade de ambos.&lt;br /&gt;Creio que foi o estudioso e crítico literário americano Harold Bloom, o primeiro a falar da "angústia da influência": ela é aplicável não só a literatura, ao cinemaa, à pintura e escultura, à moda e a todas gamas das artes visuais, mas seguramente também à música, ao teatro, à política.   Seria necessário um ensaio extenso para exemplificar, defender e distinguir o plágio da emulação, sem deixar de levar em consideração o fato de que, quando qualquer autor suspeitar de estar sofrendo de alguma influência provavelmente colocar-se-á em xeque, atingindo sua auto-estima. Daí tê-la chamado "angústia".&lt;br /&gt;Como último exemplo de minhas reminiscência, é o cheiro ainda fresco de bronzeador e de sol que em meados dos anos cinquenta, emanava da plateía do CineMetro Copacabana,  que aplaudiu de pé - fato quase inédito -o filme "Milagre   em  Milão", em que o diretor De Sica, criou como última cena, a revoada de chapéus de côco do empresariado rico, derrotado pelo operariado das favelas. O russo Gogol, cem anos antes, havia levado aos devaneios da personagem principal do seu "O Capote", uma revoada de sobretudos em contrapartida do seu,  velho e  surrado,  que  lhe   havia   sido roubado. Me pergunto se esta lembrança é ainda tão vívida pela comparação das duas cenas ou, na época pela absoluta surpresa dos apláusos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-7374271204602621467?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/7374271204602621467/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=7374271204602621467' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/7374271204602621467'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/7374271204602621467'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2008/12/intertextualidade-ensaio.html' title='INTERTEXTUALIDADE   -   Ensaio'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-2909214341135176868</id><published>2008-12-10T06:04:00.000-08:00</published><updated>2008-12-10T06:43:53.476-08:00</updated><title type='text'>VIA CAMILLA, Uma rua de minha infância</title><content type='html'>&lt;em&gt;Para Andrea que tem, num porta-retrato, a vista da janela do seu&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;                   quarto de criança e adolescente.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Cloct-cloct, cloct-clottt&lt;br /&gt;Casco de cavalos em paralelepipedos&lt;br /&gt;Cht-cht, grrrrgrrr, ggrrrrtt.&lt;br /&gt;Rodas de aros altos, carruagens patrícias.&lt;br /&gt;Não há mais. Já não havia.&lt;br /&gt;Mas lá estão ainda altos portões duplos,&lt;br /&gt;fileira de ferro pontiagudos&lt;br /&gt;na base de carvalho envelhecido,&lt;br /&gt;grande argola de bronze puído: tóquete-tóquete-tóquete,&lt;br /&gt;só as crianças batiam: pura provocação.&lt;br /&gt;Metade das portas sempre abertas,&lt;br /&gt;à noite fechadas: correntes terminando em estribos&lt;br /&gt;para tocar o sino, lá dentro.&lt;br /&gt;Calçadas interrompidas,&lt;br /&gt;arredondadas em frente às entradas, paralelepípedos&lt;br /&gt;entrando nos pátios internos onde janelas olham&lt;br /&gt;para baixo, fragmentos de mármores antigos&lt;br /&gt;entre gramas e giéstas.&lt;br /&gt;No meu: um pinheiro de gestos largos a roçar os vidros.&lt;br /&gt;Haviu quatro prédio asssim, quatro andares,&lt;br /&gt;na calçada do trecho onde morei.&lt;br /&gt;Rua curta, duas quadras. Só três na calçada em frente.&lt;br /&gt;O espaço que sobra, não estava vazio,&lt;br /&gt;pequeno jardim, bancos e balanços:&lt;br /&gt;tabuletas de carvalho em correntes de ferro&lt;br /&gt;caindo de pinheiros generosos, araucárias antigas.&lt;br /&gt;TTTTrrrrr-tttttrrrr gum-gum,gum-gum,ttttrrrrgumm&lt;br /&gt;Cuidado, cuidado, não tão alto! Cuidado!&lt;br /&gt;Vamos,  está na hora!&lt;br /&gt;Corrida de sapatinhos, botinhas de couro, gritinhos.&lt;br /&gt;Reclamações: Tchau, tchau... Depois, quase o silêncio.&lt;br /&gt;Mais um ploct-ploct-ploct: a bica d`agua não pára seu pingo.&lt;br /&gt;Ele desce pela grade fundida, quase esculpida no chão: SPQR.&lt;br /&gt;Senatus Populus Que Romanum.&lt;br /&gt;Ah! Vespasiano das cloacas e da rede de fontes nascentes.&lt;br /&gt;Dávida perene!&lt;br /&gt;Não importa não haver árvores outras. Só uma, na quadra de baixo.&lt;br /&gt;Carvalho antigo, onde termina a rua,&lt;br /&gt;à beira dos trilhos de um trem. Que trem? Onde vai? De onde vem?&lt;br /&gt;Que bom que alí a rua termine.&lt;br /&gt;Só nossas crianças chegam aos mil pés do velho carvalho,&lt;br /&gt;catando as grandes folhas que o outono despeja&lt;br /&gt;para acarpetar os nossos presépios.&lt;br /&gt;E as lindas glandes: chapeuzinhos miúdos, durinhos, cheirosos,&lt;br /&gt;a encaixar-se, enfiados um no outro,  para colares e lindas pulseiras.&lt;br /&gt;E, pintadas de vermelho e dourado,&lt;br /&gt;a enfeitar em pequenas guirlandas, nossa árvore de Natal.&lt;br /&gt;Carvalho é árvores fechada: debaixo dele, escolhendo lugar,&lt;br /&gt;tem frestas sonhadoras, às vezes brancas de nuvens,&lt;br /&gt;outras douradas de sol. Adeus carvalho, adeus! Tenho que ir.&lt;br /&gt;" Traga o pão bem fresquinho, aquele cumprido que o pai gosta!&lt;br /&gt;Ah! lanche esperado, recheio de figo fresco,&lt;br /&gt;doce mistura de presunto,  cru e rosado,&lt;br /&gt;branca gordurinha suculenta a dispensar manteiga.&lt;br /&gt;Padaria perfumosa aquela: único comércio da rua,&lt;br /&gt;balcão alto demais, na ponta dos pés a indicar,&lt;br /&gt;braço e dedo em riste: Aquele, não aquele! É é isto!&lt;br /&gt;E ao entrar, cheia de sabores, molhando a garganta,&lt;br /&gt;saliva fresca e apetitosa, fechava o olhos,&lt;br /&gt;na esperança de não encontrar, fácil àquela hora,&lt;br /&gt;a vizinha ruiva, gorda  gorda gorda,&lt;br /&gt;rosto e pescoço, braços e pernas, tudo enferrujado de sardas,&lt;br /&gt; a exalar um vago cheiro de peixe.&lt;br /&gt;"São as sardas, minhas filha, tenha dó, são as sardas.&lt;br /&gt;Dona Santa é mulher limpa, tenha dó. E cumprimente,&lt;br /&gt;cumprimente sempre, que é pessoa educada"...&lt;br /&gt;"Boa tarde Dona Santa, mamãe manda lembranças..."&lt;br /&gt;E sair, rápida, para ao ar puro, fresco de pão,&lt;br /&gt;correr, chegar ao jardim. Que alívio!&lt;br /&gt;O cheiro silencioso dos pinheiros, o pingo gostoso da fonte.&lt;br /&gt;Ploct-ploct-ploct&lt;br /&gt;Senatus Populus que Romanum&lt;br /&gt;Via Camilla, bairro Alberone.&lt;br /&gt;Pinheiros de Roma, Fontes de Roma.&lt;br /&gt;Respighi viveu por aqui.&lt;br /&gt;Certamente...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-2909214341135176868?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/2909214341135176868/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=2909214341135176868' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/2909214341135176868'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/2909214341135176868'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2008/12/via-camilla-uma-rua-de-minha-infncia.html' title='VIA CAMILLA, Uma rua de minha infância'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-8542039107690028560</id><published>2008-11-24T05:26:00.000-08:00</published><updated>2008-12-10T05:09:43.505-08:00</updated><title type='text'>OS GIRASSÓIS - Crônica</title><content type='html'>Falta pouco para chegarem os setenta e cinco.&lt;br /&gt;Incrível. Eu tenho tudo isto? As rugas, as pelancas, os quilos a mais, as manchas nas mãos. Isto eu sei. Vejo, sou realista. Mas lá dentro, também tenho tudo isto? Esta vontade que ainda tenho de olhar, perceber, fazer, aprender, ela também tem tudo isto? E porquê ela, esta vontade, não tem rugas nem pelancas, mas é fresca e ágil? As manchas: serão elas esta dificuldade que tenho de lembrar nomes? E os quilos a mais, serão justamente a vontade de olhar, perceber, aprender, fazer, que cresceram? Ou será somente por que eu sei que "o tempo urge"?&lt;br /&gt;Quando precisei mudar-me, transformei este meu novo pequeno apartamente numa quase varanda de tão claro, luminoso e alegre. Mais parece que o preparei para uma moça que acaba de entrar na faculdade! Talvez fosse mais condizente ter um carpete aconchegante de cor sóbria e fácil de disfarçar a sujeira, no lugar deste piso de laminado todo branco. Talvéz teria sido aconselhável forrar meu sofá de tweed cru no lugar do tecido xadrez em tons claros de azul e verde: aquele verde que combina com o teto pintado como uma tenra alface, para que, ao entrar, se tenha a impressão de estar saindo: para um jardim.&lt;br /&gt;Nunca morei, na idade adulta, em casa com jardim. Só quando era criança e no jardim eram plantados alface, batata, tomate e cebolinha, servindo de despensa; era a Europa em tempo de guerra - não tem o que obter com os cupons/racionamento? vamos aos canteiros!&lt;br /&gt;Deve ser por isto que estou literalmente camuflando este meu minúsculo apartamento. Gosto tanto dele que o elegi a meu apartamento definitivo. Esgotei meus recursos financeiros e não posso ter mais projetos de mudança. Na verdade nem quero: estou feliz dentro dele, não tenho por que querer outro. Decididamente ele é definitivo. Isto também quer dizer que ele será meu último apartameno.&lt;br /&gt;Se olho para trás, apesar de ter já morado melhor, com muito mais espaço, mais luxo, mais mordomias, ainda assim sei que não vou abrir mão deste. Tive muito. Agora o meu muito é ele. Tive uma vida venturosa, com sucessos e derrotas, erros e acertos, alegrias e decepções, euforias e lágrimas. Andei pelo mundo, conheci muito - quase tudo o que pretendia. Na realidade nunca fiz uma lista do que queria conhecer, mas acabei cobrindo todos os lugares que me interessavam, quase que pela órdem.&lt;br /&gt;Faltou o Nepal. Não quero dizer que conheci o mundo todo. Assim mesmo, faltou o Nepal.&lt;br /&gt;Que coisa estranha: comecei dizendo que ainda quero muito olhar, perceber, fazer, aprender, conhecer, e de repente pareço acomodada, como uma velha que sou, abrindo mão do Nepal, contentando-me do colorido ovo que abriga e enternece minha vida. É uma incoerência, mas é a minha verdade. Por que sou realista e esta é minha realidade. Às vezes também - como todo mundo - fujo dela, mas sei que ela está aí, aí mesmo, no meu último apartamento.&lt;br /&gt;Hoje, chegando em casa quis deitar na cama, pernas para cima, para ler. Ao ajeitar as almofadas e a luz, olho para o teto amarelo do meu quarto: amo o amarelo. Tem o ziguezaguear branco dos trilhos que abrigam os espotes que iluminam as gravuras e os objetos nas paredes brancas.&lt;br /&gt;Ficou um desenho bonito este ziguezague: parece uma serpentina de cantos agudos, salpicada de pequenas manchas escuras que o calor das lâmpadas pinta no amarelo, como fossem estames de girassóis. Que boa idéia foi este amarelo.&lt;br /&gt;E, de repente, lá está mais uma descoberta. Isto poderá vir a ser a última coisa que verei. Poderei lembrar desta visão final, depois? Depois do que? Ninguém jamais pôde explicar este "depois": ele é, como a criação de uma obra de arte, um ato de solidão.&lt;br /&gt;Não deve ser ruim um ato de solidão com uma visão de alguns girassóis, quiça um campo inteiro de girassóis.&lt;br /&gt;Seria bonito! Uma loucura!&lt;br /&gt;Van Gogh que o diga...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_ZOcj9KIePcg/STPgwF8pfkI/AAAAAAAAABg/DuHdHH8rX8k/s1600-h/Girassol.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5274806705415880258" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: pointer; HEIGHT: 199px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_ZOcj9KIePcg/STPgwF8pfkI/AAAAAAAAABg/DuHdHH8rX8k/s200/Girassol.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-8542039107690028560?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/8542039107690028560/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=8542039107690028560' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/8542039107690028560'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/8542039107690028560'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2008/11/os-girassis.html' title='OS GIRASSÓIS - Crônica'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ZOcj9KIePcg/STPgwF8pfkI/AAAAAAAAABg/DuHdHH8rX8k/s72-c/Girassol.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-3744836806730277778</id><published>2008-11-19T10:57:00.000-08:00</published><updated>2008-12-10T05:11:49.710-08:00</updated><title type='text'>HABEMOS OBAMA - Ensaio</title><content type='html'>Sem fumacinhas, brancas ou pretas; sem paramentações ou alvas vestimentas; sem ar embevecido de humildade; sem ascetismos. Ele surgiu, como do nada, obscuro senador provinciano, internacionalmente desconhecido. E com a aprovação - amplamente demonstrada nos noticiários - de meio mundo, quiça do mundo inteiro. De onde tanta unanimidade?&lt;br /&gt;Preparado? Quanto qualquer outroex-presidente, melhor até de alguns. Formado em duas das mais prestigiadas faculdades do país, casado com uma mulher culta e carismática, duas filhas: a típica família americana, classe média, sem tecnicólor. Provavelmente mais preparado ainda por já ser, por nascimento e criação, um cidadão do mundo, com convivências, familiar e "territorial", das mais variadas e heterogêneas. Isto cria, em cérebros de abertur ímpar, calor, entendimentos, compreensão, sobrevivência e uma capacidade infinita de conceder.&lt;br /&gt;Inteligente? Nenhuma inteligência mediana, em menos de dois anos de "exposição" política, sairia de senador para o primeiro plano de uma campanha para Presidênciaa de um país como aquele.&lt;br /&gt;Corajoso? Seguramente: após enfrentar acusações de todos os tipos, do islamismo ao terrorismo, da malversação (por um pastor!!! Haleluya...) à utilização de sua cor como bandeira eleitoreira, ainda teve a coragem de recusar o apoio dos seguidores de Malcom X que continuam batalhando não por igualdade, mas por um Estado Negro. Sua campanha eleitoral arrecadou - conforme permitido pela legislação daquele pais - a cifra recorde de 700 milhões de dólares: evidentemente não provenientes dos bolsos negros, a minoria menos abastada. De fato, e é de estarrecer, ganhou por pouco mais de 53% dos votos, dos quais somente 13% negros. Num país onde o U-klux-klan ceifou milhares de vidas em nome do racismo; onde ainda florecem comunidades hitlerianas (controladas a distância em nome da democracia); onde já quatro presidentes foram assassinados; um Barak Hussein Obama, com um nome que revela origem negra, africana, árabe e islámica, deve ter coragem. De todas as comunidades mundiais que aplaudiram sua vitória, uma única personalidade internacional (Kadafi, justo um líbio ditador e terrorista mediterrâneo) demonstrou preocupação ao dizer: "Temo por sua segurança".&lt;br /&gt;Honesto? Seguramente, caso contrário seus oponentes já teriam, durante a campanha eleitoral, enquadrado e divulgado bens ilícitos, propinas, bandalheiras.&lt;br /&gt;Autoconfiante? Ele tem uma confiança tão absoluta de estar no caminho certo que, no discurso apos vitória em praça pública de Chicago, &lt;strong&gt;sem ler e de improviso,&lt;/strong&gt;traça o perfil definitivo&lt;br /&gt;de uma nação em uma frase que permanecerá na história americaqna e mundial:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;"Se existe alguém que ainda duvide que os Estados Unidos sejam o lugar onde todas as coisas são possíveis; que ainda questione a força de nossa democracia, a resposta está aqui, esta noite.(4.11.2008)"&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Daqui em diante esta citação transformar-se-á em bandeira, orgulho e ditado, como aconteceu com a primeira frase de um discurso de Martin Luther Kind nos anos 60 " I had a dream! - "Eu tive um sonho". Interessante ainda o fato de que Obama fez referência a King unicamente no discurso de vitória e jamais em sua campanha eleitoral.Fez questão de não "apelar", evitando toda e qualquer pieguice.&lt;br /&gt;Bem intencionado? Sério? É certo que está consciente do grande desafio que o espera:&lt;br /&gt;- Ele sabeque não pode decepcionar um povo que votou nele primordialmente para livrar-se de um Bush inépto, superficial, mal aconselhado, cuja impopularidade tornou-o quase risível.&lt;br /&gt;- Ele sabe também que para livrar-se de Buch o povo poderia ter votado em McCain, mas McCain é só um ferido de guerra promovido a candidato pela bandeira do patritismo, ainda membro de uma elite tradicionalista que não inovaria, e cuja mulher multimilionária não democratizaria em nada a imagem da Casa Branca.&lt;br /&gt;- Ele sabe, o povo sabe, - e o povo sabe que ele sabe - que a sua frase de campanha "Change we can" não é somente uma promessa, é uma conclamação dirigida ao povo e que o povo aceitou. Muito estrategicamente sua campanha foi baseada nisto: no "Nós mudaremos", no "Nos podemos mudar".- &lt;em&gt;&lt;strong&gt;"Plural Majestatis"&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; na melhor forma da Roma de César; contra o "eu estou com vocês" do McCain, ele convidou "Vocês estão comigo, nós vamos mudar" e o povo aceitou. Não é somente o Presidente descendo às ruas , mas o povo entrando na Casa Branca. O poder dentro dela.&lt;br /&gt;- Ele sabe que tem mil e um desafio a vencer, sendo o mais grave a situação econômica que - de resto - só estourou no meio da campanha eleitoral e para a qual ele poderia não estar praparado. Mas ele, firme, encarou o desafio. A crise americana - alastrada mundo afora - colocará sobre Obama, um microscópio feroz, constante, implacável: um cheque assinado esperando os fundos de cobertura que pareceriam dever sair diretamente do bolso do próprio Presidente Americano.&lt;br /&gt;Assim mesmo a unanimidade espalhou-se aos quatro ventos. O mundo, e especialmente a Europa, tão orgulhosa de sua predominância cultural, de suas origens históricas, humanísticas e artísticas, e de sua importância mundial e ancestral, está aplaudindo a verdadeira democratização da América. Para ela Estados Unidos é América, um continente que abraça dois continentes num só, de Norte a Sul, e que finalmente curvou-se perante o reconhecimento da pluralidade de raças em coesão nacional.&lt;br /&gt;Sei que é bastante deselegante citar-se a si próprio, mas vou fazê-lo assim mesmo, pois há pelo menos dois anos, num ensaio em que analisei os dois filmes de Clint Eastwood sobre IwoJima, preconizei:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;"...o filme "Flags of Our Fathers" (" A Conquista da honra")....pode parecer uma afronta ao patriotismo exacerbado do dia-a-dia do povo americano....mas não é: Eastwood fez do filme uma ARMA PARA LEVAR AO AMADURECIMENTO O POVO AMERICANO QUE, APÓS ANOS E ANOS NO TOPO DO MUNDO, DEVERÁ COMEÇAR A CEDER À HUMANIZAÇÃO DAS RAÇAS E PASSAR DE HUMILHANTE - POR SUA PUJANÇA - A HUMILDE POR CONFRATERNIÇÃO. E QUE ISTO LEVE TEMPO, SE FOR PRECISO. NÃO HAVERÁ DESONRA NISTO".&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Não levou tanto tempo assim. Eastwood e Obama lêem pelo mesmo prisma a história do país, e um senador jovem, inteligente e arrojado, parece empenhado em concretizar o que eu, ilustre joão ninguém, só cogitara em hipótese.&lt;br /&gt;Pois aqui estou eu, mera aprendiz de escritor, sem nenhuma formação universitária mas carregada, na pele, de experiências de vida, septuagenária, caucasiana, romana e católica que presenciou, ao vivo ou por TV, dezenas de fumacinhas pretas e brancas ao longo de seis papados, aqui estou eu, pronta a depositar num americano desconhecido, da mesma idade de minha filha, a determinação de mudar e ajudar a mudar.&lt;br /&gt;Acordar com uma pergunta: o que eu posso fazer para mudar, em meu favor, em favor do mundo, do planeta, da natureza, do meu próximo? Na minha idade parece não haver muitos futuros a serem projetados. Agora eu pareço ter encontrado um.&lt;br /&gt;Só por ter semeado estas perguntas no coração e nos cérebros dos seres do mundo, Obama já cumpriu uma boa parte de sua missão; mas o que é certo e evidente é que além da semente firmou-se a aceitação para uma mudança que, o mundo inteiro já pressentia, há muito tempo deveria ter sido abordada.&lt;br /&gt;Se saberá dialogar com outras nações, se virá a ser um bom Presidente para os Estados Unidos, se driblará a crise, ninguém sabe. Em nenhuma eleição de qualquer candidato isto jamais foi ou seria garantido.&lt;br /&gt;Portanto, bem-vindo Obama a esta hercúlea tarefa que é conversar com o mundo. Ajudar ou ser ajudado por ele. Perder ou ganhar com ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-3744836806730277778?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/3744836806730277778/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=3744836806730277778' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/3744836806730277778'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/3744836806730277778'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2008/11/habemos-obama.html' title='HABEMOS OBAMA - Ensaio'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-7325558174740889729</id><published>2008-11-12T08:06:00.000-08:00</published><updated>2008-12-10T05:13:41.160-08:00</updated><title type='text'>CRIANÇAS - Conto</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_ZOcj9KIePcg/STPhPQFrcsI/AAAAAAAAABo/A1IYQ1olJLI/s1600-h/Bruna.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5274807240714056386" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 186px; CURSOR: pointer; HEIGHT: 200px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_ZOcj9KIePcg/STPhPQFrcsI/AAAAAAAAABo/A1IYQ1olJLI/s200/Bruna.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Porte ainda seguro e ágil aos setenta e oito anos, o homem sentia-se ainda mais revigorado naquela manhã fresca e ensolarada. Descia a avenida curioso de descobrir se reconheceria a esquina onde deveria virar a esquerda para ir ao Museu. Lembrava que, ao atravessar, veria uma igrejinha em frente à qual, anos atrás, havia comprado de um artista de rua, uma linda gravura: a minúscula imagem de uma mulher em semi-perfil, olhando um passarinho pousado no seu ombro, que lhe oferecia um pequeno buquê de flores do campo. O artista jovem, barbudo e jovial, sorrira alegremente: “Está levando o que o Museu aí ao lado recusou !” Tereza havia adorado a gravura e a estória.&lt;br /&gt;Tereza. Já naquela época, ela não viajava mais. Apesar de seu espírito combativo enfrentar tudo com coragem e até com algum humor, o Alzeimer afetara seu equilíbrio e ela sabia que a qualquer momento poderia-se ausentar, assim, de repente e sem perceber.&lt;br /&gt;Esta viagem representava para ele a aposentadoria real. Ao voltar, largaria assessorias, diretorias honoríficas, orientação de investimentos para seus filhos e amigos. Entre a varanda da casa de campo para fazer companhia a Tereza, enquanto ela pudesse permanecer em família, e o seu pequeno escritório ao lado do alpendre, começaria a escrever. Queria reler sua vida, lembrar sua infância, seus anos universitários, os projetos realizados, as utopias ainda na gaveta e as já atiradas ao lixo. Queria preparar-se para a tranqüilidade, e talvez a solidão, de seus anos futuros. Quantos? Rever ao redor do mundo o que lhe dera tanto prazer outrora, seria como recarregar as baterias para a serenidade.&lt;br /&gt;De repente soube estar quase chegando. O ar frizante da manhã de primavera animou-o a apertar o passo. Ao olhar o relógio, percebeu que o Museu ainda não estaria aberto. Poderia entrar na Livraria em frente e ver as novidades: gostava daquela livraria antiga, suas vitrines emolduradas de madeira entalhada; modernizada em seus vidros não refletivos, sua entrada imponente ainda ostentava puxadores de bronze artístico encaixados em cristais bisotê que lançavam reflexos azulados e esverdeados como os lustres de certos castelos.&lt;br /&gt;Certo, a Livraria primeiro. O cartaz na primeira vitrine anunciava ,no interior, a exposição retrospectiva de um grande fotógrafo; na segunda o lançamento de seu livro: alguns empilhados e outros, cujas páginas abertas, projetavam algumas de suas mais importantes fotos. Irving Penn, o fotógrafo da cidade. Entre um ângulo inusitado da ponte Verazzano, a vista sombria das velhas casas do Bronx e o perfil solitário das fábricas abandonadas, uma menina estava olhando para ele, de baixo para cima, mãos escondidas num camisolão branco, muita luz na franjinha aloirada. Estranhamente, sua legenda em francês: “enfant de New York, 1953”.&lt;br /&gt;Franziu a testa, perturbado: esta criatura deveria ter hoje, mais de cinqüenta anos... Estaria ela agora aqui? Teria o artista acompanhado a vida daquela menina ou teria sido ela um modelo casual?&lt;br /&gt;Entrou com inesperado interesse. Ficou encantando com o que viu, especialmente por serem todas aquelas fotos em preto e branco. Suas sombras, suas infinidades de cinza, a imperturbável estática das fotos, tinham uma verbosidade descritiva e barulhenta ao mesmo tempo. Parou em frente à ampliação da menina de camisolão branco. Tinha algo nela, algo que lhe dizia algo, algo que o levava para algum lugar, longe no espaço, longe no tempo.&lt;br /&gt;Saiu angustiado. Queria entrar no Museu e, antes de ver qualquer outra coisa, queria sentar na cafeteria ao ar livre, concentrar-se, tomar algo nos jardins repletos de esculturas e arbustos. Estava ainda aí a cabra de Picasso, com seu ventre que parecia moldado numa cesta de vime, daquelas em que se poe o coalho para conseguir o queijo: estava lá o humor cáustico do espanhol que, ao mudar-se para a costa francesa, não dispensaria, nunca mais, seus queijos picantes.&lt;br /&gt;Sentou debaixo de um guarda-sol branco, quadrado, cuja sombra desenhava, em volta da mesa e da sua cadeira, um recinto bem definido, como que a limitar-lhe os pensamentos, as perguntas, as angustias. Quis abstrair-se daquilo que o atormentava: sem levantar-se correu os olhos pelo resto do jardim reconhecendo coisa por coisa. O velho cabriolé de Dalí cheio de musgo regado por invisíveis mangueiras que o mantinham úmido entre os caracóis que circulavam por fora e, por dentro, na nudez do manequim. O cavalo esguio do Giacometti, de bronze escuro e superfície áspera, como tivesse sido composto de pequenos e grandes cones de areia molhada por uma criança inventando sorvetes. De longe, identificou coisas novas: um animal enorme de gordo, provavelmente a mais recente aquisição de Botero; um grande dedo polegar pintado de vermelho e uma lasca de mármore branco infestado de formigas de arame multicolorido. De quem serão... Sempre novo, sempre vanguarda, este museu, sempre reconhecendo além das artes, o poder e a beleza do design.&lt;br /&gt;Por tê-lo visto premiado naquele museu, havia presenteado Tereza com o “Movado 1968”, o primeiro relógio sem ponteiros, fundo de esmalte preto, uma gota de ouro branco nas doze horas, único ponto de referência para sua leitura.&lt;br /&gt;De repente, agora, não queria levantar daí. O acervo ele conhecia; mas sempre haveria algo novo em alguma sala especial, certamente algum outro design premiado. O mundo estava cheio de artistas criativos, inovadores fabulosos. Mas era naquele jardim que ele queria ficar. Sentia necessidade do ar livre. Por que? Depois do primeiro reconhecimento do que tinha ao seu redor, era a imagem daquela “enfant de New York, 1953” que retornava sempre à sua frente. Quantas vezes havia estado na cidade e nunca havia conhecido nenhuma criança, fora as que vira na rua, nos restaurantes, nos hotéis que freqüentava. Entretanto era como se ele conhecesse aquele olhar de uma outra vida, de outro lugar, de um outro mundo.&lt;br /&gt;Tentou pensar em outras coisas. Resolveu almoçar lá mesmo, para tragar outras sensações, para concentrar-se em algo que lhe trouxesse outro tipo de prazer. Viu, no menu, omelete de queijo de cabra com legumes ao vapor; um copo de vinho branco seria ideal. Em homenagem a Picasso, fez o pedido à garçonete que o atendeu com sorriso lacônico e, para esperar, começou a folhear o catálogo da Livraria. Em matéria de lançamentos era difícil escolher entre romances, biografias e panoramas de tudo quanto era especialidade, arquitetura, engenharia, design, até moda. Poderia comprar um lindo livro sobre a moda para Tereza: tão chique, ela que sempre sabia usar uma extravagância e continuar elegante.&lt;br /&gt;Um gole de vinho antes de começar a comer, deu-lhe sensação de frescor e alívio. Ao lado do prato, o catálogo ficara aberto na página de Penn, e lá estava de novo aquele olhar, de baixo para cima, braços encobertos por camisolão branco, luz na franja dourada. Só uma garotinha. Agora podia observá-la melhor: uma expressão quase adulta, olhos muito grandes para uma boca tão pequena, olheiras profundas demais para uma criança; os lábios tristes, criavam um sombreado intrigante sobre o queixo. Por que ela não ergue a cabeça, por que não olha de frente? Timidez, medo? Seria curiosidade disfarçada? É isto, isto mesmo: ela quer fingir que não está olhando. É isto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Como aquela menininha que ficava do outro lado do torrente enquanto eu tentava pescar, com caniço e anzóis improvisados, algum peixinho que subisse a corrente, quem sabe alguma truta como meu pai sabia fazer. Há quanto anos? Onde era mesmo? Sim, lá num vale escondido entre as colinas da Toscana. De repente este vinho tem o cheiro de minhas iscas debaixo do sol, do respingo da água que corria sobre aquelas pedras coberta de algas e musgos; tem o sabor da limonada que mamãe me dava, seriamente, quando eu anunciava, como se fosse uma grande aventura, que iria pescar. E na maioria da vezes lá estava a menina, do outro lado da água, com o avental branco da escola, a espiar-me fazendo de conta que não olha. Mas ela não era loira e não usava franja. Tinhas duas trancinha amarradas no topo da cabeça e cabelo castanho. E aquele olhar. O mesmo olhar da garotinha americana desconhecida, que agora me leva de volta à minha infância, que me pressiona para voltar. Voltar rápido: preciso guardar este momento, ampliá-lo, descrevê-lo, reescrevê-lo, como fosse a única maneira de contar minha estória a mi mesmo. É lá naquele olhar que minha estória começa, recomeça, tem vida. E se agora ele volta à minha memória, é por que em toda a minha vida, inconscientemente, me acompanhou sempre. Devo ter lembrado dele, muitas vezes, muitas mais vezes do que me lembre.&lt;br /&gt;Comprar o livro com aquela foto dentro? Devo? Quero? Ela está guardada dentro de mim há pelo menos setenta anos e eu não sabia.&lt;br /&gt;Sempre me pertenceu, é minha.&lt;br /&gt;Como ousa aquele Penn?...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-7325558174740889729?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/7325558174740889729/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=7325558174740889729' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/7325558174740889729'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/7325558174740889729'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2008/11/crianas.html' title='CRIANÇAS - Conto'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ZOcj9KIePcg/STPhPQFrcsI/AAAAAAAAABo/A1IYQ1olJLI/s72-c/Bruna.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-7349377034945573014</id><published>2008-11-05T07:01:00.000-08:00</published><updated>2008-11-05T07:16:44.173-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='BI'/><title type='text'>OBAMA BARAK, PRESIDENTE</title><content type='html'>&lt;em&gt;Ganhou as eleições, conforme confirmação de hoje. &lt;strong&gt;Andrea, minha única herdeira (do pen&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;drive conforme consta no meu perfil...)&lt;/strong&gt; mandou um e-mail comentando o feito e escreveu uma frase que considero, além de importantíssima, vaticínica e, quiça, antológica:&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"MAIS DO QUE A COR DA PELE, QUERO CRER QUE A PLURALIDADE CULTURAL DE BARAK PERMITIRÁ AOS POVOS DO MUNDO DE OUVIR-SE RECIPROCAMENTE E MELHOR"&lt;/span&gt; .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-7349377034945573014?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/7349377034945573014/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=7349377034945573014' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/7349377034945573014'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/7349377034945573014'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2008/11/obama-barak-presidente.html' title='OBAMA BARAK, PRESIDENTE'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-6725183363126237908</id><published>2008-10-17T07:48:00.000-07:00</published><updated>2008-12-10T05:15:13.364-08:00</updated><title type='text'>CARTA A ÉROS</title><content type='html'>Eros, eu não te conhecia.&lt;br /&gt;Não sabia do teu cabelo liso, negro, comprido o suficiente para recolhê-lo atrás das orelhas.&lt;br /&gt;Bastou eu perceber a intenção do teu olhar: vi teus braços jogados para trás, onde teus dedos, longos e nervosos, se agarraram à suéter negra, arrancando-lhe as costas e passando-as por cima da cabeça, descompondo-te as mechas.&lt;br /&gt;Por um momentio o emaranhado de lã cobriu deu peito, enquanto teus braços continuavam&lt;br /&gt;presa daquelas mangas pretas.&lt;br /&gt;Uma mão no ar, depois a outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí eu soube quem era você.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-6725183363126237908?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/6725183363126237908/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=6725183363126237908' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/6725183363126237908'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/6725183363126237908'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2008/10/eros.html' title='CARTA A ÉROS'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-4162001876881219009</id><published>2008-10-13T08:25:00.000-07:00</published><updated>2008-11-05T06:24:03.450-08:00</updated><title type='text'>A ERA DOS CARACÓIS, Crônica</title><content type='html'>(&lt;em&gt;Para Benedito, caracol  respeitoso, amigo novo, cílios espessos, olhar sábio)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caracol é um bichinho estranho, sem pernas, alonga-se pela terra deixando atrás de si um rasto espumoso, feito barco no mar. Carrega nos costas sua casinha, leve e cheia de desenhos concêntricos em tons de ocre. Afinal é um simples molusco: lesma, com ou sem concha bem pequena e arredondada; caramujo terrestre ou aqüatico, com concha mais resistente; e os caracóis mais comuns, um tanto menores que os caramujos, com concha mais frágil. Algumas das espécies são até comestíveis, verdadeiras iguarias que, servidos em pratos especiais, exalam alho e mudam de nome para escargot. Existe mesmo um tal de Caracol de Pascal, que é só conhecido por grandes especialistas em geometria, ciência à qual o Sr. Pascal deve ter contribuido com seu estudo sobre o cálculo de distâncias em lineas concêntricas. Tudo isto só por ter ouvido falar.&lt;br /&gt;Enfim, preciso me lembrar de consultar minha amiga Neuza a respeito, visto que o assunto caracol parece restrito mormente a biólogos. Mas só parece. Bem rapidamente teremos que consultar antropólogos e especialistas comportamentais pois, de uns tempos para cá, caracóis estão invadindo ruas, praças, metrô, ônibus, cidades inteiras. Em todo lugar há caracóis; e o mais estranho é que eles são bípedes! Melhor ainda: dá para identificar quais são mais inteligentes e mais respeitosos do próximo.&lt;br /&gt;Explico: a maioria, sem raciocinar, carrega - como a natureza e os fabricantes ensinaram - sua casa nas costas. Dizem que é em benefício da espinha dorsal. Que espinha se são celenterados?...&lt;br /&gt;Há outros porém que acabam carregando suas casas não nas costas, mas no peito: claro, assim seu manuseio torna-se mais fácil, melhor para protegê-las dos larápios, e finalmente, é melhor para manobrá-las sem atingir o próximo mais próximo. Com os apertos das conduções, todo próximo é mais do que próximo do próprio próximo.&lt;br /&gt;Os que insistem em carregar a casa nas costas vivem golpeando, a cada virada, seu vizinho de trás. Outro dia vi uma moça bonita, um tanto baixinha, levar na cabeça - e nos óculos - a casa de um brutamonte que, não tendo percebido nada, nem pediu desculpas.&lt;br /&gt;É claro que os jovens bípedes que vão à escola, devem poder carregar em suas casinhas, livros, cadernos, lápis, merenda. Mas, pergunto: os adultos precisam carregar toooda sua casa nas costas? Mil bolsinhas, compartimentos, ziperes dentro e fora: acham sempre o que querem? E tem sempre SÓ o que precisam?&lt;br /&gt;Veio-me uma última pergunta: ao chegar à noite, esvasiam aquela casinha retirando tudo aquilo de que não precisarão amanhã?...&lt;br /&gt;Caracóis por caracóis, antes de estar entre eles sempre alerta para não ser agredida, sinceramente prefiro sentar à mesa e regalar-me com eles, ao molho provençal, com bastante alho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_ZOcj9KIePcg/SRGsXA47FCI/AAAAAAAAABY/KLOUiYwLZEM/s1600-h/DSC01038.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_ZOcj9KIePcg/SRGsXA47FCI/AAAAAAAAABY/KLOUiYwLZEM/s200/DSC01038.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5265178950748541986" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-4162001876881219009?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/4162001876881219009/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=4162001876881219009' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/4162001876881219009'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/4162001876881219009'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2008/10/era-dos-caracis-crnica.html' title='A ERA DOS CARACÓIS, Crônica'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ZOcj9KIePcg/SRGsXA47FCI/AAAAAAAAABY/KLOUiYwLZEM/s72-c/DSC01038.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-7205245034433728122</id><published>2008-10-13T08:20:00.000-07:00</published><updated>2008-10-13T08:25:11.903-07:00</updated><title type='text'>HINO À VIDA, por Rodrigo Leão à Manuela Marques Trotta</title><content type='html'>&lt;em&gt;(Achado no Metrô, agora dedico no começo do módulo "Eros", aos antigos coilegas com carinho e aos novos colegas a título de boas vindas)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A vida é um milagre: saber levá-la com simplicidade,&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;honestidade, dignidade, amor e compaixão,&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;é um milagre dentro de um milagre.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nessa jornada dificílima, só temos uns aos outros e nada mais.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Para todo perigo haverá uma sorte;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;para todo percalço uma chance;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;para toda sombre haverá um luz;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;para todo problema, uma solução.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A vida é o oposto do nada.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quem tem a vida já tem tudo.&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-7205245034433728122?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/7205245034433728122/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=7205245034433728122' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/7205245034433728122'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/7205245034433728122'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2008/10/hino-vida-por-rodrigo-leo-manuela.html' title='HINO À VIDA, por Rodrigo Leão à Manuela Marques Trotta'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686745680577832949.post-7832273099666676661</id><published>2008-10-13T08:06:00.000-07:00</published><updated>2008-10-13T08:20:14.777-07:00</updated><title type='text'>TEATRO MUNICIPAL</title><content type='html'>&lt;em&gt;(Para Neuza, que estimula nossas memórias com as suas)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Majestoso mesmo quando havia bondes passando à sua frente.&lt;br /&gt;Imponente sentinela sobre um vale que chama à serenidade para quem consegue esquecer o barulho do trânsito. À noite, quando iluminado, esbanja suas formas hermoniosas.&lt;br /&gt;Houve tempos em que era iluminado todas as noites, mesmo sem óperas ou concertos.&lt;br /&gt;Houve tempos em que, ao passar em sua frente, eramos instigados a olha-lo e apreciar suas linhas e seus detalhes. Houve tempos em que, além de tudo isto, ele era o panorama arquitetônico e musical que coroava o fim da Rua Barão de Itapetininga que foi reduto, dia e noite, de elegância e intelectualidade. Era lá que desfilava a beleza e a riqueza não só da cidade, mas do próprio País. Era lá que uma Cristine Youfon, talvéz a primeira mulher que alcançou no Brasil notoriedade e respeito como modelo, esbanjava sua beleza e charme orientais, desafiando a classe e a elegância das Marjorie Prado da hora. No meio das boutiques de luxo, confeitarias e casas de chá  tinham serviço esmerado e frequentemente pianistas e violinistas a partir das cinco da tarde.&lt;br /&gt;Hoje em volta dele, almoça-se em lanchonetes e bancas improvisadas que vendem pedaços de bolo e café; compra-se de tudo em camelôs, do guarda-chuva ao CD falsificado; passa-se correndo, sem dar-lhe mais tanta importância: a maioria das pessoas nunca entrou no teatro e talvéz nem tenha sua curiosidade aguçada imaginando como seria por dentro.&lt;br /&gt;Mas o Teatro Municipal está aí, firme e bonito, privilegiando os desejos de uns poucos que gostariam de ser músicos, cantores ou bailarinos, de serem ricos o suficiente para ouvir ao vivo a música que agora só recebem por MP3 indo ao trabalho ou voltanbdo dele.&lt;br /&gt;E enquanto houver sonhos, ele estará aí, majestoso e imponente, objeto e miragem de raros desejoss, exalando arte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686745680577832949-7832273099666676661?l=brnehring.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brnehring.blogspot.com/feeds/7832273099666676661/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686745680577832949&amp;postID=7832273099666676661' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/7832273099666676661'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686745680577832949/posts/default/7832273099666676661'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brnehring.blogspot.com/2008/10/teatro-municipal.html' title='TEATRO MUNICIPAL'/><author><name>Blog da Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06987248593821180259</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_ZOcj9KIePcg/SHbcYqyzfUI/AAAAAAAAAAg/DH134MWSMek/S220/bruna'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
