terça-feira, 13 de outubro de 2009

EDUARDO E MÔNICA (O homem do conserto não vem?)

CONTO

"-Eduardo, não acredito que tudo voltou como há seis anos atrás. Ahi, Edu, Edu, queria tanto que a gente não se largasse mais..."
Beijos e arranhões, umidades, lençois atrapalhando e travesseiros no chão.
"-Mônica, minha Momô...quem falou em largar..."
Risadas, gritinhos, palavras gemidas acelerando os corpos. Nos intervalos pacatos, respirações profundas, restos de drinques por toda parte. Lembranças da joventude e pequenos relatos de vidas interrompidas.
"-A gente pensava que o Renato fez aquela música só pra nós"

...um dia se encontraram sem querer e conversaram muito pra tentar se conhecer...quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração...

"-E assim você casou com a Marcia; lembro dela, sempre deu em cima de você..Mas você nunca conheceu o Fonseca, né?

...não tó legal, não aguento mais birita...e ela riu e quis saber um pouco mais sobre o boyzinho que tentava impressionar...

"-Casei com ele porque voce se mandou pros Estados Unidos estudar matemática quântica...Que coisa....."
"-E ele é bom pra você?"
"-É, é sim; é fácil lidar com ele. Gosta de quase tudo o que eu gosto e, o que ele não gosta, posso fazer sozinha quando ele viaja. Agora, vê? Foi pra Proto Alegre semana passada e só volta depois de amanhã.."
"-Que bom a gente pode ser ver muuuito...Vem cá Momô, mais um pouquinho....Mas cadê o cara que o seu porteiro chamou pra resolver o problema da porta? Nunca vi apartamento como esse não ter entrada de serviço..."
"-Paciência, Edu, tudo vai dar certo..."
Mais um beijo e, com ele todo o resto, com fúria...
Boca ainda grudada nos lábios de Eduardo, Mônica retoma fôlego.
"-Olha nem sei como aconteceu: quando você chegou eu tranquei a porta e a chave não saiu mais. De tanto forçar acabou quebrando lá dentro..."

.....Eduardo abriu os olhos, mas não quis se levantar ficou deitado e viu que horas eram enquanto Mônica tomava um conhaque....

"-Já são cinco e meia...Ciiiinco e meeia! O tal de Manoel não falou que o cara viria até as quatro?"
Descalça, acariciando os seios ainda quentes de outro corpo, Mônica vai calmamente até a cozinha. O telefone interno tem seu cheiro de fêmea.
"-Seu Manoel, o homem do conserto não vem?"
-"Já está aqui, Dona Mônica. Vou subir com ele, também para ajudar seu marido com as malas: ele acaba de chegar".


2 comentários:

Tânia Tiburzio disse...

Adorei!! Estou rindo sozinha imaginando a situação!Muito bom. Beijos!

Paulo Fodra disse...

Muito bom, Bruna! Adorei o desfecho! Beijos!