sexta-feira, 14 de maio de 2010

SEDA

Mal abro a gaveta, ela imanta-se ao meu corpo. Transforma-se na penugem invisível de minha pele. É quente, macia, natural. E é animal: nasceu de outro ser.

E ela tem perfume. Não sei se é o dela ou é o meu que ela nina feliz.

Sei que algo dela está sempre comigo. É a feminilidade que minha idade não descartou. É a sensação de que, da mesma forma em que ela nasceu, ela me envolve num casulo que me protege, me acarinha, que não me deixa esquecer o gostoso farfalhar de seu toque.

Pobres dos homens que, quando muito, a tem debaixo de um colarinho, em cima de uma camisa.
Busquem, achem, provem aquela sensação de convite, de aconchego e de delirio que ela sussurra do outro lado de outra pele.

Os homens de minha vida, sabem.

3 comentários:

Paulo Fodra disse...

Lindo, Bruna! Bravo!
É tão lindo quando o que se diz vem de dentro. Natural e belo.

Saudade de você!
Beijos.

Tânia Tiburzio disse...

Lindo, lindo e lndo!
Suas palavras são como seda.
Adorei e divulguei.
Beijos.

Lohan Lage Pignone disse...

Faça minhas as palavras da Tânia: suas palavras são como seda.

Belíssimo.

Pus seu blog na lista dos blogs que o Autores S/A acompanha, e ainda o indiquei em uma postagem. Você merece, e muito!

Bjs, Lohan.